Capítulo 01 - New Rules

4199 Palavras
- Eu sou a única que acha que colocar uma pulseira de choque nele seria a solução mais prática? Gabbie sorriu para Daisy enquanto terminava seu café. As duas estavam no restaurante ao lado da empresa, se entupindo de doce e cafeína enquanto tentavam fazer seus nervos superarem a reunião que havia terminado há menos de 10 minutos, em que elas e o resto de sua equipe ficaram sentados durante 40 minutos ouvindo como era péssimos profissionais por não terem argumentos e estratégias bons o suficiente para convencer o Sr. Renshaw a não comprar uma Ferrari quando a casa dele estava prestes a ir a leilão na semana seguinte. - Eu quero dizer, quando ele for comprar alguma coisa, nós damos um choque nele e ele para. – os olhos castanho-mel de Daisy se arregalaram, como ela estivesse vislumbrando o mundo ideal – Ele ficaria muito bem treinado e não seríamos mais obrigadas a ouvir aquelas besteiras. E ainda esvaziaríamos os pet shops que vendem essas porcarias e salvaríamos os animais. - Eu não desgosto da ideia. – Gabbie riu, se recostando na cadeira - Anote nisso no seu caderninho de ideias e aplique com seus funcionários quando abrir a boutique. - Eu não vou precisar disso. Vou tratar meus funcionários como seres humanos, não como imbecis. – sua amiga revirou os olhos e voltou a comer seu sorvete. - Você ainda não falou sobre o novo ponto que tinha achado no jornal. – ela suspirou com tristeza e foi se sentar na cadeira ao lado da amiga. – Você parecia tão animada na semana passada, Daisy... O que aconteceu? - Ah, nada. É só que o senhorio não queria alugar para "uma solteirona". – Ela fez aspas com as mãos, a voz escorrendo escárnio enquanto revirava os olhos - Aparentemente, nós mulheres solteiras de 23 anos damos muitos problemas ao tentar abrir nossos próprios negócios sem um homem do lado. Velho idiota... - Oh, Daisy, eu sinto muito. – ela abraçou a melhor amiga pelos ombros, sabendo o quanto devia ter doído nela perder mais um lugar onde ela finalmente poderia realizar seu sonho – Quer saber? Para o inferno com ele. Você ainda vai ter a boutique mais chique, mais conhecida e mais movimentada de todo o universo. É o seu sonho. – ela passou a mão pelo curto cabelo n***o da amiga – E você tem lutado por ele desde que éramos adolescentes. Vai conseguir o lugar um dia, você vai ver. - Sim, sim eu vou. – Daisy suspirou e sorriu, parecendo estar falando aquilo mais para si mesmo do que para Gabbie. Logo ela recuperou sua costumeira expressão confiante e se virou para a amiga, com as sobrancelhas erguidas e os olhos avaliadores – E por falar em sonho, e o seu sonho? - Hã? – ela a fitou, perplexa – Do que você está falando? - Vamos lá, Gabbie. – Daisy revirou os olhos e passou-lhe a taça de sorvete – Você merece mais do que ficar ouvindo um velho te desmerecendo todo o santo dia depois de você ter operado milagres, amiga. Você tem que achar o seu mais! O seu sonho! - Argh, essa conversa de novo, Daisy? – ela grunhiu – Já conversamos sobre isso, lembra? Eu sei fazer o que faço muito bem, e eles me pagam bem pelo que eu faço. - Razoavelmente bem. – Daisy pontuou. - Mesmo assim, Daisy. Não posso me dar ao luxo de ir para outro lugar, você sabe. Ano que vem a escola dos gêmeos vai aumentar e a aposentadoria das minhas mães m*l paga a hipoteca da casa. O trabalho de Gustavo e Violet também não paga uma fortuna e você sabe como eles querem economizar o suficiente para encontrar um lugar legal para morar com as crianças. Se eu não pudesse contribuir com as despesas, teríamos que abrir mão de muitas coisas. – Gabbie suspirou, pegando uma colherada grande do sorvete - Não posso me dar ao luxo disso agora. - Eu sei. – Daisy levantou as mãos em sinal de rendição, mas seu semblante ainda transparecia preocupação – Eu só gostaria que você encontrasse alguma coisa que amasse. - Está tudo bem, Daisy. – Gabbie sorriu para a amiga – Eu não sou como você. Não tenho um sonho que faria tudo para alcançar. Estou bem como estou agora. Talvez, no futuro, eu possa achar algo que me motive a achar esse seu "mais". – ela deu um sorriso faceiro enquanto imitava as aspas que sua amiga havia feito – Agora, mudança de assunto: Você viu a Leah por aí? Eu passei pelo departamento de marketing, mas não vi nenhum sinal dela. - Eu só espero que não seja pela razão que eu estou pensando. – Daisy levantou uma sobrancelha sugestivamente, com o rosto torcido de desgosto. - Oh, não. – Gabbie descansou a testa em uma das mãos, frustrada. – Você não acha que ele procurou ela de novo, acha? Quer dizer, depois daquilo tudo. Eles estavam na cama dela, pelo amor de Deus! – ela exclamou com incredulidade o suficiente para seus óculos deslizarem até a ponta de seu nariz. - Você sabe como a Leah é sobre o Simon. Ele disse a ela tantas vezes ao longo dos anos que não podia viver sem ele, que ela finalmente acreditou. – Daisy rosnou, enfurecida – Eu também adoro pensar que ela finalmente chutaria aquele traste, se ele voltasse com o r**o entre as pernas de novo, mas vamos ser honestas, você sabe que ela ainda não está pronta para isso. - Acha que deveríamos ir até a casa dela hoje à noite? Eu odeio pensar que ele pode ter convencido ela a fazer mais alguma bobagem. Lembra de quando ela vendeu o carro do pai? Ela amava aquele carro e teve que vendê-lo para pagar as multas que ele conseguiu dirigindo! – Gabbie rosnou – Às vezes eu queria ensinar uma lição àquele idiota... - Às vezes eu queria que ela nos ouvisse. – suspirou Daisy – Bem, isso e que ninguém desconfiasse de nós se envenenássemos a cerveja barata dele. Mas, eu acho uma boa ideia irmos até lá. Podemos inclusive comprar os biscoitos favoritos dela quando terminarmos o expediente. Você sabe como ela fica mais feliz quando come... Gabbie ainda podia ouvir o eco da voz de Daisy naquele começo de noite, enquanto seu chefe saía da sala depois de ter deixado uma enorme papelada na mesa de sua equipe. Aparentemente, a família Murray, que eram seus clientes recorrentes, estavam tendo problemas novamente em manter seus cofres cheios com algo que não fossem cobranças. Suspirando, Gabbie esfregou os olhos, preparando-se para virar mais uma noite no escritório. - Tudo bem pessoal, eu e Ben ficamos por hoje. Gabbie, Judith e Jessica podem ir. – disse Daisy com um gesto displicente de mão. E, enquanto Jessica não precisou de um segundo aviso para dar boa noite e se retirar da sala, Gabbie se levantou de sua cadeira, pronta para discutir com Daisy, mas sua melhor amiga a interrompeu antes. - Não ouse reclamar, Gabbie. Você já virou dez noites aqui só esse mês e cuidou de toda aquela papelada ontem, em um feriado, pelo amor de Deus! – Daisy exclamou, exasperada, sentando-se em sua mesa, enquanto Judith, vendo que a batalha de Gabbie já estava vencida, também já se despedia e pegava sua bolsa para ir embora – Vá para a casa, tome um banho e vá ver a Leah. Conto com você para me manter atualizada. – ela a dispensou com outro gesto de mão, voltando toda sua atenção ao computador em sua mesa. - Daisy... – Gabbie revirou os olhos, apesar de que, se havia algo que ela descobrira em 15 anos de amizade, era que, contra as decisões de Daisy Lucy Smith, não havia argumentos. A garota que decidira ir morar com a mãe quando os pais se divorciaram por saber que o pai estivera tendo um caso com a secretária e convenceu inclusive o Conselho Tutelar, aos 15 anos, de que ficar com sua mãe, aquela com menos bens entre os dois progenitores, era o melhor para ela. E também a garota que decidiu, aos 08 anos de idade, que teria a boutique mais diversa e sofistica que o mundo já viu e vinha economizando para tornar aquilo realidade desde aquela época. Essa era Daisy. Lutar contra ela era o mesmo que querer domar um furacão. Resignada, Gabbie não pode fazer muito além de juntar suas coisas e ir para casa. Contudo, o fato era que sua preocupação com Leah a estava consumindo desde cedo e, ao finalmente chegar em casa depois de uma longa caminhada naquele começo frio de noite, ela já havia se decido à apenas guardar suas coisas antes de chamar um carro. Sua amiga era mais importante, ela afirmou para si mesma, enquanto abria a porta e sua atenção acabou caindo em um grande carro preto ao se virar para verificar a rua. O carro, preto e reluzente, que àquela altura já havia dado a partida e estava longe, se destacava em meio à vizinhança humilde. Balançando a cabeça, Gabbie girou a chave para entrar em casa, colocando seus pensamentos em outras coisas mais importantes que um ricaço perdido em seu bairro. O som de Somebody to Love, do Queen, tocado no piano, encheu seus ouvidos assim que entrou em casa. Não pode se impedir de sorrir largamente ao adentrar mais na sala de estar e ver sua mãe Gabrielle, sentada em seu pequeno piano, com os gêmeos sentados um de cada lado, e cantando melodiosamente o refrão da música. Gabbie lembrava perfeitamente do Dia das Mães, quando ela tinha apenas 07 anos, em que ela, Gustavo e sua mãe Meredith deram o pequeno e simples piano para Gabrielle, mas que pareciam muito bem ter lhe dado o maior diamante do mundo, pelo jeito como ela reagiu. Ela sabia que sua avó tinha sido professora de música, assim como Gabrielle também havia sido durante muito tempo, até se aposentar dois anos atrás. Gabbie sabia que o piano era uma forma dela se conectar com a mãe, Milagros Navarro, que havia sido muito importante para seu processo de aceitação, seu relacionamento e seu amor pela música. E também era um doce lembrete da época em que Milagros levava a única filha para as aulas que dava à jovem Meredith Lennox. E o resto era história e uma linda família. A voz estridente dos gêmeos tentando cantar a tirou de seus pensamentos. Rindo, ela foi até o piano, onde sua mãe novamente iniciava o refrão e os surpreendeu cantando o último verso sobre ter alguém para amar. Os gêmeos se viraram rapidamente e a abraçaram. Contudo, ela percebeu que algo estava errado quando sua mãe, ao invés de vir abraçá-la também, como fazia rotineiramente, apenas levantou-se rapidamente do piano e subiu as escadas correndo, nem ao menos se virando para encará-la. Preocupada, Gabbie deixou as crianças distraídas com Panqueca e subiu as escadas atrás da mãe. Poucas coisas eram capazes de deixar Gabrielle distante de sua família e todas elas eram sérias. E a tensão de Gabbie só foi aumentando quando ela abriu a porta do quarto das mães e não encontrou nada, o que a levou a percorrer todos os outros quartos do corredor, até chegar ao do irmão, onde vozes abafadas escapavam da porta entreaberta. Ainda em seu ímpeto de preocupação com a mãe, Gabbie estava pronta para perguntar o que estava acontecendo, quando a voz de seu irmão interrompeu sua voz na metade de sua garganta. - O que você queria que eu fizesse, Violet? Eu não posso obrigá-los a me dar a promoção. - Você disse que quando conseguíssemos isso, poderíamos finalmente financiar a casa! – Violet gritou em voz baixa. - Eu não disse quando, eu disse se! – Gustavo parecia exasperado, o que era algo raro. - É sempre assim com você! Nunca posso dar algo como certo! – a voz de Violet soava frustrada e irritada, o que não exatamente algo raro, mas ainda sim era algo que Gabbie sabia que não era bom. - Se quiser eu ainda posso pegar o taco de beisebol no banco do meu carro. Se você prometer bater bem forte, eu seguro meu chefe até ele prometer me promover. - Sem gracinhas, Gustavo! Eu estou cansada de você sempre fazendo piada com tudo! Não é só a casa. Eu quero que as crianças possam ir para a faculdade e isso não vai acontecer se você continuar vendendo carros para sempre! – agora Violet estava realmente gritando. - Você fala como se não fosse a única vendendo maquiagem no shopping... Gabbie bateu na madeira da porta rapidamente enquanto Violet tomava um fôlego profundo para responder. Nos cinco anos em que acompanha o relacionamento dos dois, ela havia aprendido que nada de bom sairia de uma briga entre eles. - Gustavo, você viu a mamãe? – ela procurou manter sua voz o mais natural possível, enquanto entrava no quarto. Seu irmão e a esposa estavam em lados opostos do quarto, de braços cruzados e parecendo não querer encerrar um ao outro. Gustavo olhou a irmã com as sobrancelhas franzidas, esforçando-se para parecer normal, apesar da grossa camada de tensão que cobria o quarto. - Não, mana, não vi. Já olhou lá em baixo? – ele limpou a garganta na metade da frase, como que se aquilo fosse fazer ele parecer menos nervoso. - Eu a vi subindo, ela parecia um pouco estranha... - Estranha? Ela parecia doente? – Ela viu o olhar de Violet brilhar com preocupação genuína, enquanto ela se afastava um pouco da extremidade do quarto em que estava encostada. - Não, calma. Ela não parecia doente... – ela percebeu que talvez trazer aquele assunto não fosse o melhor naquele momento. Foi então que uma ideia surgiu em sua cabeça – Vocês sabem, talvez ela ainda esteja triste com aquela história de vocês dois procurarem apartamento. - Não é um apartamento! – Violet corrigiu rapidamente, contrariada – É uma casa. As crianças precisam de espaço. E nós já dissemos a ela que vamos visitá-la sempre. Aliás, ela não tem porque ficar triste já que não vamos nos mudar tão cedo... – ela jogou um olhar enraivecido na direção de Gustavo. - Bem... – disse, Gabbie, cautelosamente – Eu acho que a mamãe já falou o suficiente sobre como vocês não precisam se sentir pressionados a ir embora, então eu acho que não preciso tocar nesse assunto. Mas, sabem, todas aquelas vezes em que vocês falaram como queria ter seu próprio lar, onde pudessem construir suas próprias conquistas... – ela olhou para os dois, enquanto continuava a falar devagar e com ênfase em cada palavra – Eu acho ótimo que vocês queiram um lugar para celebrar o amor e a família de vocês. Diante do silêncio perplexo, e até um pouco contrariado, que se seguiu, Gabbie resolveu falar um pouco mais. - É para isso que é a mudança, não é? - Sem ofensas, Gabbie... – Violet suspirou, parecendo mais triste do que irritada – Eu acho que isso não é da sua conta. - Eu sei que não é. – Gabbie sorriu um pouco, sabendo que já havia abandonado a discrição àquela altura - Eu só queria lembrar vocês disso. Às vezes é fácil esquecer. Ela viu os dois pararem surpresos por um momento, apenas para olharem para ela. Satisfeita com o efeito de suas palavras, ela continuou sorrindo e abriu a porta para sair, enquanto se despedia. - Bem, eu vou falar com a mamãe antes de ir até a casa da Leah. Até mais tarde. – Ela acenou por cima do ombro ao deixar uma Violet e um Gustavo pensativos e encarando um ao outro, para trás. De volta ao andar de baixo, ela passou pelas crianças brincando felizes no sofá da sala com Panqueca e foi até a cozinha, ficando aliviada ao ver ambas suas mães conversando atrás da bancada. Suas vozes estavam extremamente baixas e, antes que ela tivesse a oportunidade de captar qualquer fragmento daquela conversa tão secreta, as duas se viraram completamente para ela, com as expressões suaves, mas os corpos ainda tensos. - Oi, querida. – Meredith cumprimentou com um sorriso completamente forçado, tentando parecer normal, segundo Gabbie avaliou – Como foi o trabalho hoje? - O que há de errado? – Gabbie se orgulhava de dizer que suas mães a criaram em um lar amoroso onde as pessoas podiam ser gentis e ainda sim diretas e sinceras com as outras. O que era ótimo, porque era exatamente o que ela estava sendo agora. Meredith e Gabrielle apenas a encararam em silêncio por um minuto, depois se entreolharam por outro minuto. Gabbie passara toda uma vida vendo-as conversar apenas por olhares daquele jeito, mas aquilo só adicionou mais lenha a sua preocupação. Seja lá o que estava acontecendo, era óbvio que elas não queriam falar. O que significava que era algo mais sério do que algum problema entre Gustavo e Violet ou alguma peripécia dos gêmeos. - Tudo bem... – Gabbie falou devagar – Vocês acabaram de comprovar de que tem algo muito errado. O que houve? - Calma, querida. – Meredith a acalmou, andando alguns passos até que elas ficaram frente à frente e ela pôde colocar a mão em seu ombro – É só que... Eu e sua mãe recebemos uma... Notícia hoje. – Gabbie não deixou de perceber como a voz de sua mãe tremeu um pouco e ela engoliu em seco antes de continuar – Foi algo que... Nos pegou de surpresa. Vamos conversar com você... – a voz de Meredith ameaçou se partir novamente e Gabbie finalmente percebeu porquê: sua mãe estava quase chorando. – Quando tivermos absorvido tudo. – ela finalmente terminou com um suspiro e voltou para o lado de Gabrielle, que permanecia com a cabeça baixa, mas não o suficiente para que Gabbie não percebesse que sua expressão era um misto de desolação e perplexidade. - Mãe... – Gabbie começou, ciente que agora a própria voz estava saturada de preocupação e tristeza – Seja lá o que for, nós vamos resolver. Por favor, digam o que aconteceu. - Não se preocupe com isso, querida. – Meredith tentou novamente acalmar a filha, mas desta vez sorriu um pouco, suavizando minimamente a expressão preocupada – É só o choque, vai passar logo, então poderemos lidar com... A situação. Está tudo bem. - Não, não está. – Gabbie engasgou, incrédula – A mamãe m*l consegue olhar para mim. – ela apontou, fazendo Gabrielle levantar a cabeça rapidamente, surpresa, mostrando seus olhos inchados de choro – Eu sei que pode ter sido algo muito r**m. – Gabbie suspirou e se aproximou de suas mães – Mas vai ficar tudo bem, eu prometo. Por favor, me digam o que há de errado. – ela implorou. - Ah, meu amor... – Gabrielle fungou – Eu realmente não quero conversar sobre isso agora. – ela enxugou os olhos repletos de lágrimas antes de continuar – Pode nos dar algum tempo, por favor? - Você não tem algum lugar para ir por enquanto? – Meredith sugeriu com cuidado, colocando-se entre a filha e a esposa – Que tal visitar Daisy ou Leah? - Está tentando me tirar de casa?! – questionou Gabbie, perplexa. - Não do jeito que você faz parecer... – Meredith se defendeu, nervosa – Nós só queremos um tempinho para discutir sobre... Algumas coisas. – sua mãe olhou para o chão para evitar seus olhos ao proferir a última frase – Será que você não pode sair apenas por algum tempo e nos deixar a sós um pouco, querida? – Meredith finalizou com um sorriso tenso. - Se acham que eu vou sair com vocês duas assim, só pode estar... – sua exclamação revoltada foi cortada pelo toque alto de seu celular. - Viu? Você tem coisas a fazer. – Meredith disse, apressadamente – É só por algum tempinho, querida. – triste, ela suspirou – Prometo que lhe contaremos tudo quando voltar. – essa última frase foi acompanhada de um soluço baixo por parte de Gabrielle. - Mãe, eu... – Gabbie tentou contra-argumentar, mas seu toque de celular, parecendo estridente ao reverberar no cômodo silencioso, continuou a interrompê-la. Irritada, ela o puxou de dentro da bolsa e estava pronta para desligá-lo e continuar a discussão com suas mães, quando viu o nome brilhando no visor: Leah. A tela também mostrava uma série de mensagens, sendo que a última ela não teve como deixar de ler: "Preciso de você, por favor.". Aproveitando-se de seu momento de choque, sua mãe aproximou-se um pouco e leu rapidamente o que estava em seu celular. Parecendo satisfeita, ela segurou seus ombros e começou a direcioná-la à porta. - Acredite, querida. Leah precisa mais de você agora e nós duas precisamos absorver tudo o que aconteceu. – Meredith parou quando a filha virou-se abruptamente para ela, parecendo furiosa e decepcionada – Grabiella Milagros Navarro, não faça essa cara para mim! Ensinamos você a respeitar o tempo das pessoas e agora eu e sua mãe estamos lhe pedindo que nos compreenda e nos dê um momento a sós. – agora a voz de Meredith estava cheia de autoridade. - Porque tenho que sair de casa então? – questionou-lhe Gabbie, ainda contrariada. - Porque é algo que não queremos que você... Escute. Pelo menos agora. – Gabrielle fungou, finalmente entrando na conversa. Ao ver que tinha toda a atenção da filha mais nova, deu um pequeno sorriso trêmulo - Por favor, querida. Vá até a casa de Leah e vamos lhe dizer tudo quando você voltar. Gabbie parou por um segundo, apenas encarando a mãe, sem saber muito bem o que fazer depois de tantos pedidos. Quando estava tomando fôlego para tentar convencê-las novamente, Gabrielle sussurrou novamente: - Por favor. Suspirando profundamente, Gabbie olhou novamente entre suas mães, que pareciam ainda tristes, mas, ao mesmo tempo, agora menos chocadas e mais resolutas. Sabendo que ficariam naquilo durante toda a noite se alguém não cedesse, ela encolheu os ombros. - Está bem. Eu vou ver como Leah está... – Gabbie resmungou, estressada com toda aquela recusa de suas mães em lhe esclarecer sobre o que exatamente era tudo aquilo – Mas... – ela enfatizou com seriedade – Assim que eu entrar por aquela porta novamente, quero saber exatamente sobre o que é tudo isso! - Sim, meu bem. – Gabrielle suspirou, indo para perto de sua esposa – Vamos lhe explicar tudo quando você voltar... E quando estivermos mais calmas. Após um momento de silêncio tenso, Gabbie relaxou um pouco e deu um passo a frente, abraçando as duas. - Eu não sei o que houve... – disse baixo, com a bochecha encostada no lugar onde os ombros das duas se encontravam – Mas eu estou aqui com vocês e posso garantir que vai ficar tudo bem. – levantando a cabeça, ela encarou as duas com convicção – Entenderam? Gabrielle soluçou novamente e Meredith lhe deu um sorriso triste e orgulhoso. - Essa é nossa garotinha... – Ela acariciou sua bochecha com um olhar perdido, antes de suspirar e afastar a mão, fungando suavemente – Agora vá. Vá antes que você faça a sua mãe chorar de novo. Nós vamos ter muito o que conversar quando você voltar. Com um último e longo suspiro, Gabbie arrumou a alça de sua bolsa no ombro e lançou um derradeiro olhar preocupado às suas mães. Ao sair da cozinha, parou um pouco na porta, esperando que elas falassem alguma coisa e lhe dessem uma pista do que era tudo aquilo. Contudo, é claro, elas eram inteligentes demais para isso e, novamente, ela se viu forçada a seguir seu caminho até a casa de Leah e abrir mão de explicações. Pelo menos por enquanto. Já com a mão na maçaneta da porta da frente, ela viu Gustavo e Violet descerem as escadas com as roupas amarrotadas e grandes sorrisos no rosto. Com um virar olhos, apesar de por dentro estar satisfeita que eles houvessem se resolvido, ela correu rapidamente até perto deles e sussurrou, antes que eles pudessem lhe perguntar o que estava errado. - Escutem. – ela confidenciou, a fim de que suas mães não a escutassem – Aconteceu alguma coisa que as mães não querem me contar. – novamente, antes que eles pudessem questioná-la, elas os cortou – Acreditem em mim, eu tentei saber, mas aparentemente elas não querem falar sobre isso agora. – com um suspiro, ela terminou – E, aparentemente, eu preciso sair de casa para que elas pensem sobre seja lá o que aconteceu. Eu sei, é estranho, mas ficou bem claro que elas não querem que eu ouça, então... Eu vou até a casa da Leah e vou voltar o mais rápido possível. Fiquem atentos, está bem? E se acontecer alguma coisa, me chamem o mais rápido possível. Em um silêncio perplexo, seu irmão e cunhada apenas balançaram a cabeça afirmativamente. Um pouco mais aliviada, ela finalmente saiu de casa e pegou um táxi que a levou até a casa de Leah.    
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