Pré-visualização gratuita A primeira sereia
_ Não acredito nisto_ exclamou o capitão quando viu o que a sua rede pescou _ É uma meio mulher. Larguem na ao mar.
_ Não é uma mulher, capitão _ o ruivo no comando riu as palavras.
O capitão Mário Duarte, não fazia a mínima idéia de onde estava se metendo quando aceitou o montante obsceno que pagava todas as suas dívidas e ajudava a sua filha que estava com problemas financeiros junto com a sua família que morava longe.
O ruivo Edward Edward era o descente de uma linhagem de multimilionários que conseguiu viver em anonimato total, e pretendia continuar assim. Ele e os seus empregados tomaram conta do navio e de todos os procedimentos desde que embarcaram. O capitão Mário ficou como expectador durante todo o tempo. Até agora.
A criatura era grande somando a cauda escamada e a parte humana de pele branca e longos cabelos loiro cinza. Estava assustada diante de tantos homens robustos que a subjugaram e prenderam totalmente a um canto pelo pescoço, pulsos, cintura e calda.
_ É uma criatura mágica. Serão amaldiçoados _ tentou mais uma vez
_ Tolices. Ela é minha _ Edward olhou bem nos olhos verdes da linda sereia assustada _ Finalmente minha.
O capitão não entendia o que estava acontecendo, mas o seu coração apertado lhe dizia que aquilo era muito errado. Tentou libertar a sereia, quando viu que não seria ouvido e foi golpeado no percurso. Foi amarrado em outro canto do navio, com o sangue escorrendo do seu lábio cortado.
A sereia ficou famosa. De acordo com os noticiários ela pertencia a uma corporação não governamental e ponto. Estava aberta a caçada aos seres místicos.
Vinte anos depois, os seres místicos se misturavam aos humanos na multidão. O mercado destes seres era aberto. Haviam caçadores especialistas em cada espécie. O dinheiro falava mais alto neste novo tipo de escravidão.
Porém, havia um lado bom. Sabíamos mais sobre eles, tínhamos suas presenças em nossos dias, compartilhamos seus pontos de vista. Mas também nos apaixonavamos por eles, que tinham donos. E o que fazer?
Humanos e elementais vivendo juntos só podia gerar empatia em ambos. Consequentemente havia uma causa pela qual os humanos lutar. A busca da humanização dos elementais. Uma vez que pensavam, sentiam e sofriam como humanos, não poderiam ser tratados como animais. Mas como um juiz que tinha um elemental como o seu pet especial poderia ser imparcial?
Sereias andavam por nossa sociedade ofuscando as mais belas modelos e o padrão de beleza nunca esteve tão inalcançável. Graciosas e perigosas, um dia há muito. Hoje pareciam se esquecer das suas raízes. Como gatos, se deixaram domesticar. Bem como os tritões. Belos monumentos ao padrão de beleza do Olimpo. Deuses entre os homens. Os homens também perdiam a graça diante de tanta beleza e masculinidade dos altos homens peixe.
Haviam mais mulheres no mercado de trabalho, em cargos de chefia. Ninguém segurava uma mulher encantada pelo poder de possuir um tritão. E quem as condenará?
Diante de tanta euforia e empenho, as vezes, era até questionado: quem era o pet de quem?
Os silfos eram menos robustos, mas muito cultos. Falavam eloquentemente e com propriedade sobre qualquer assunto. Recitavam poemas como se somente respirassem. Eram habilidosos e cuidadosos em todas as suas atitudes, menos quando precisavam agir. Neste caso eram expertes em saber o que fazer sem cerimônia.
As fadas se sobressaíam em uma aparência jovial e pura que tinha o poder de dar vazão aos mais sacanas instintos humanos em seus donos. O contrário das sereias.
Ao contrário dos contos de fadas, que descreve estes seres como pequenos, eles eram da estatura humana, porém mais altos. Tinha uma média um e noventa entre os machos e um e setenta e cinco entre as mulheres.
Mas os preferidos das mulheres com uma queda pelo tipo trabalhador braçal eram os duendes com os seus portes físicos de mecânico e rosto de modelo de passarela. As fêmeas tinham tudo mais. b***a, coxa, p****s e menos cintura. Lábios carnudos e aparência sensual. Os duendes, entre os seres místicos, eram os mais sexys.
Haviam, no entanto, algo que deixava bem claro a nossa devassidão diante dos nossos novos amigos. Uma criança nasceu de uma relação senhor e servo. Um meio tritão, nascido de um homem e de uma sereia. Uma comoção tomou o mundo. O casamento entre humanos e elementais foi cogitado. Mas para tanto, seria necessário reconhecer que os elementais não eram animais. E aquele juiz como milhões de humanos, ficariam sem os seus pets especiais. Sendo assim, somente a procriação estava liberada. Os filhos por serem meio humanos, seriam livres. A lei do ventre livre.
Eu sou Anne Analice promotora de justiça, que luta incansável para que o meu amado Rio possa ser livre, cidadão, gente. Para que o caçadores deixem de existir. Para que possamos ser irmãos de planeta, e não mais houvesse essa separação infundada entre nós. Mas a minha luta ficava fora da minha casa.
Morava na beira da praia, e minha casa tinha um acesso subterrâneo para o mar, uma gruta natural. Chamava essa parte da casa de quarto do Rio. Fui lá para vê-lo. Emergiu ao me ver da água. Sorriu apoiando os braços na beirada de rocha.
_ Entra aqui? A água tá ótima _ convidou.
_ Um banho é bem o meu plano agora, mas...
Apenas me observou com uma leve expectativa e me despir rápidamente pulando na água, ao lado dele. Imergiu me segurando pela cintura. Eu podia respirar embaixo da água na companhia dele.
_ Como foi o seu dia? _ quis saber.
_ Perfeito _ falei de baixo da água, graças a ele.
_ Sempre diz isso, mas o seu cenho franzido, antes de me ver, me diz que está mentindo. Anne _ insistiu.
_ Não vou falar de trabalho com você, Rio _ sorri ao contemplar a sua beleza.
Vê-lo com cauda me intimidava e eu nem entendia o porquê.
Notou o meu olhar e mudou a cauda para pernas me mostrando uma nova nudez.
_ Fui até o mar aberto _ informou me abraçando mais apertado.
Olhei em seus olhos, assustada _ É perigoso.
_ Eu tenho isto _ indicou o ship subcutâneo que quando lido por um computador indicava a minha identificação e meu endereço para entrega-lo, caso ele fugisse.
_ Ainda assim, é perigoso _ ressaltei.
_ Adoro essa preocupação que demonstra sobre mim. Como se não pudesse me substituir facilmente.
_ Nunca.
Sorriu descendo o olhar para os meus lábios, voltando ao meu olhar quando se inclinou para um beijo e completei a distância.
Uma coisa que aprendi com o Rio foi que tritões não tem noção de proximidade ou problemas com nudez.
Rio
Réia era tão teimosa que forçava a ira do rei do mar. Era terrível, para mim, amar tanto a minha irmã caçula e ter de concordar com o meu pai quando ele se irritava com ela.
Ela teimava em nadar com os golfinhos que eram seres tão dados com os humanos. E assim, Réia sempre ia parar em águas mais rasas, perto do perigo de ser vista pelos humanos. Isso não era bom. Humanos não lidam bem com diferenças e se julgam donos de tudo aquilo que podem conquistar. Eles não conseguem conviver nem entre eles mesmos.
O pior, era um obstinado grupo do mesmo sangue, que eles chamavam de família, os Edwards. Eles nos perseguiam desde os tempos mais remotos. Queriam provar algo a si mesmo.
O caos foi que eles conseguiram com isso. E Réia conseguiu entender porque o papai a proibia de ir para as águas rasas. Foi capturada e expôs não só a nossa espécie, mas as outras espécies mitológicas.
Um manto n***o de sofrimento e angústia tomou os mares naquele dia. O rei dos mares morreu abalado pela notícia em sua idade avançada. Eu subi ao trono com a missão de reverter a nossa situação com os humanos e principalmente com os Edwards.
No mesmo momento em que recebi os meus dons e trono, abracei o meu destino rumo a terra seca. O primeiro lugar que visitei foi o cativeiro da minha irmã, na casa do único Edward vivo.
Entrei como humano, eles me viam assim. O rei dos mares tem o dom de se infiltrar em qualquer reino. Cheguei até Réia que estava em um aquário monitorado e vigiado por câmeras.
_ Pobre peixinha assustada _ descontrai disfarçando o meu próprio ultraje por tal tratamento.
_ Rio! _ avançou em minha direção _ Me perdoa?
_ Perdôo _ deixei a tristeza transparecer e as lágrimas caírem _ O papai morreu.
Vi a mesma tristeza no rosto da Réia _ Foi minha culpa.
_ Um pouquinho só. Não foi sua escolha virar mais coisa para os humanos possuír. Vim te trazer uma coisa.
Ficou curiosa _ Não vai me libertar?
_ Não posso. Outros foram capturados, isso ficou grande demais para continuar só fugindo.
_ O que vai fazer?
_ Não sei ao certo. Mas por enquanto, controle eles.
_ Não posso, sou muito jovem.
_ Não é mais. Eu sou o rei agora, a idade para para ter seus poderes mudou _ coloquei a mão sobre o aquário _ Receba a bênção do seu rei _ entendendo, colocou a sua mão sobre a minha _ Não tenha piedade deles, Réia _ foi uma ordem.
A vibração do meu toque sobre o vidro o trincou em muitas rachaduras e eu toquei a mão da minha irmã que recebeu os seus dons ao mesmo tempo que a água se espalhou pelo quarto. Os alarmes soaram e eu pulei da mais alta torre da casa dos Edwards, para o mar lá em baixo. Eles insistiam em viver perto da sua paixão, em uma ilha.
Comecei a estudar o inimigo de perto. Ficava entre eles o máximo possível, via os seus noticiários na tevê e lia as suas noticias nos jornais. Ter elementais como pet virou uma febre entre os humanos. Era preciso nos unir. Como iniciativa visitei o reino de todos os elementais e lhes disse o mesmo que disse para a minha irmã. Completei _ Em breve tomaremos este mundo de uma vez por todas. Enviarei instruções, fiquem atentos.
Eu achava que em poucos anos todos os humanos teriam pets especiais, e eu estava certo. Deste modo, eu teria um aliado manipulando cada humano poderoso do planeta. Porém, dez anos depois, vendo os caçadores invadindo as nossas casas e sequestrando os nossos amados, eu perdi a esperança. Em algum momento parei de acreditar.
Sentei naquele bar sem coragem para voltar para casa. Sentia que fui vencido. Perdi o ânimo e o propósito. Foi quando ouvi a sua voz dizendo que os elementais eram iguais aos humanos, por serem inteligentes, mas superiores por não ter as mesmas limitações dos humanos.
Levantei o olhar para a tela plana, lendo na faixa que ela segurava "DIREITOS HUMANOS PARA OS ELEMENTAIS".
O atendente do bar ria do que ela falava, mas eu sorria como se visse o sol depois de anos na escuridão.
_ Onde é isto? _ perguntei ao atendente.
_ Em frente a Universidade, dois quarteirões ao norte.
Fui até lá para vê-la _ Estava realmente convicta de que ia conseguir alguma coisa com o isto. Ela convenceu a sua turma e amigos dos amigos da turma a fazer este protesto. Eu sabia, por quê conversei com a sua mente enquanto a observava a distância.
Ela me disse que estudava e morava naquela universidade onde cursava direito. Contou que dedicaria a sua vida para libertar os elementais. Era viciada em café. Sua única família era a bisavó muito velhinha a quem ela visitava nos feriados e férias. Era muito autoritária, e por isso afastava os garotos. Nunca teve um namoro sério. E eu quis saber disso porque, pela primeira vez na minha vida, vi alguém despertar o meu interesse.
Ela tinha planejado leis, regulamentos que enviou ao senado e foi negado. Montou uma tese defendendo os elementais. Tinha um idealismo inteiro montado na sua mente e, isso me fez ver a luz no fim do túnel onde eu me encontrava. Eu finalmente tinha um plano e o meu plano, era o plano dela.
Anne Analice era o seu nome. Sorri ao ouvir alguém íntima-la, dizendo. Mas logo a tropa de choque chegou fazendo barulho e marchando para cima dos manifestantes, e eu precisava ajudá-la.
Chamei-a na minha mente, e ela me seguiu para fora do confronto. Foi uma situação bem difícil, mas ela saiu ilesa e eu continuei anônimo, pois me escondi dela.
Era triste, mas tinha que ser assim.
Mais tarde, naquele dia entrei no seu quarto com a janela aberta. A colega de quarto dormia, sempre que podia, no quarto do namorado. Anne ficava sozinha com os seus projetos e sonhos.
A foto da Réia em um capa de revista arrancada, estava colada na parede do seu quarto. Ela era a sua inspiração.
Adormecida sonhava com o mar, mas o mar dos seus sonhos, ficava onde está o céu. Ela era tão linda!
Ela resmungou algo, ainda dormindo. Parecia discutir com alguém. Até dormindo ela argumentava _ achei engraçado.
Consegui entender todos os seus projetos e o seu enviei para todos os elementais cativos e livres. Eles sabiam o que fazer, pois acrescentei alguns pontos que eram meus. Logo estaríamos todos bem ou em guerra fria, não declarada.