Helena Narrando Tem dias que parece que a loja suga toda a minha energia. Eu gosto do que faço. Gosto de escolher as peças, conversar com as clientes, ver uma mulher entrando insegura e saindo se sentindo bonita. Minha loja é mais do que roupa pendurada em cabide. É o meu espaço. O lugar que construí com muito esforço e onde conheço praticamente todo mundo que passa pela porta. Mas até aquilo que a gente ama cansa e hoje foi um desses dias. Fecho a última gaveta do caixa, confiro duas vezes se deixei tudo organizado e apago as luzes da loja. A rua já está mais tranquila, diferente da agitação de algumas horas atrás. Os comerciantes começam a fechar as portas, as crianças já não correm tanto pelas vielas e a comunidade vai mudando de ritmo. Tranco a porta e fico alguns segundos parada

