Quando finalmente consigo ir para casa, sinto o peso do dia no corpo. Entro, tiro o relógio, deixo as chaves na mesa e fico alguns segundos parado no meio da sala. O silêncio é raro. Minha cabeça normalmente continua trabalhando mesmo quando tudo ao redor para. Vou até a cozinha e abro a geladeira, pego comida e paro. Lembro da mensagem dela. "Você anda comendo muito mal." Solto uma risada baixa. — Olha só onde eu cheguei... Uma desconhecida de dois anos atrás mandando eu comer direito. Mesmo assim, coloco a comida no prato e sento. Pela primeira vez em dias, almoço sem pressa. Quando termino, fico alguns segundos olhando para o prato vazio. Parece uma coisa pequena, mas eu percebo que tinha esquecido como era fazer algo simples sem estar pensando em mil problemas ao mesmo tempo.

