Cairo Narrando Tem dias que a Rocinha parece uma pessoa. Ela acorda, fala, reclama, comemora e, quando alguma coisa acontece, parece que todo mundo sente ao mesmo tempo. Desde cedo percebo que o assunto ainda é o mesmo, o menino. A notícia corre rápido aqui, mais rápido do que qualquer rádio ou telefone consegue acompanhar. Quando uma criança some, não existe diferença entre morador, comerciante ou trabalhador. Todo mundo para o que está fazendo para ajudar. Passo pela rua principal cumprimentando algumas pessoas quando uma senhora segura meu braço. — Cairo. Viro para ela. — Fala, dona Marta. Ela segura minha mão por alguns segundos antes de falar. — Obrigada pelo que vocês fizeram ontem. Faço uma expressão séria. — Não fiz nada demais. Ela balança a cabeça. — Fez sim. Dona Ma

