Capítulo 3

1410 Palavras
David Estou muito nervoso, essa parece ser a chance perfeita para mim. A vaga é para secretário de uma CEO de uma importante empresa de cosméticos. E eles não estão exigindo experiência e outros diversos cursos, o que não impossibilita o fato de que eu terei que concorrer com pessoas experientes, mas mesmo assim já é uma chance, pelo menos dessa vez vão me ouvir. Ao chegar na empresa sou recebido por um ambiente luxuoso, o ar condicionado está no máximo aqui, o que é maravilhoso porque estou de terno e gravata. Ando até a recepcionista com a melhor pose de executivo que consigo. — Boa tarde, vim para a vaga de secretário. Falo com a mulher loira sentada atrás do balcão. Ela me olha e descaradamente me observa de cima a baixo. — Qual seu nome? Vou avisar que chegou. — David da Silva Albuquerque. — Ok. Só um instante, por favor. Aguardo a mulher realizar uma ligação e então ela se volta para mim novamente. — Aguarde próximo ao elevador que alguém virá busca-lo. — Obrigado. – Agradeço e vou até o elevador. Não demora muita e o elevador se abre com uma mulher muito bonita, usando uma saia justa e coque alto, com uma prancheta em mãos. — Senhor David da Silva Albuquerque? — Sim, sou eu. — Entre, por favor. Entrei no elevador e fui conduzido por ela até o último andar do prédio. — Sente-se e preencha ficha. – Ela disse me entregando a prancheta que segurava e vi que meu nome já estava preenchido. Olhei para o lado onde vi cadeiras de espera ocupadas por dois homens, um deles me deu medo só de olhar. O cara tinha aspecto daqueles homens super experientes, mas eu não poderia deixar aquilo me abater. Precisava ir para essa entrevista o mais otimista possível, pois era a minha maior chance. Alguns minutos depois chegaram mais dois homens e quando a mulher entrou na sala da CEO, respirei fundo, pois eram exatamente 15h. Dava para ver que eles presavam a pontualidade e se eu conseguisse o emprego teria que dar meu jeito de chegar na hora certa, saindo de casa na hora do rush. O primeiro homem foi chamado, ele ficou cerca de 15 minutos na sala com a mulher. Depois foi a vez do segundo que ficou um pouco mais e eu sabia que era o próximo. Fui chamado. Respirei fundo três vezes e fiz o possível para manter a calma. A mulher que me recebeu abriu a porta para que eu entrasse assim como fez com os outros e eu entrei. A mulher na minha frente me chamou a atenção de tão linda que era. Ela era bastante parecida com a que me recebeu, a diferença era principalmente no corpo, pois a moça da porta era mais corpulenta e possuía mais curvas, enquanto a que recebia era mais esbelta, apesar de a mesa não me permitir ver mais que seu tronco e seus membros superiores. — Sente-se, David. Falou ela com uma voz macia, era agradável de ouvir. Fiz o que me pediu. — Prazer em conhecer, senhora... – Estendi a mão para apertar a dela, vi que ficou surpresa, não sei se eles se cumprimentavam assim, porém fui educado. — Ester Gouveia. — Senhora Ester Gouveia, é um prazer conhece-la. — Também é um prazer conhece-lo, senhor David Albuquerque. Trouxe os documentos exigidos? — Sim, claro. – Retirei da pasta todos os documentos que pediram e até uns a mais. — Você se formou na Universidade Federal, muito bom. – Disse ela enquanto olhava meus documentos. Tem experiência? Já atuou na área? — Minhas experiências são oriundas de estágios realizados em empresas de diversos ramos, senhora. Ainda não tive a oportunidade de trabalhava em uma empresa. — Você tem como me mostrar as empresas em que realizou esses estágios? — Sim, senhora. Eu sabia que esses papéis poderiam ser úteis. Peguei as cópias de meus estágios as entreguei à mulher, que as analisou. — Muito bem. Tem algo mais a acrescentar em seu currículo? Gelei quando ela falou aquilo, pois eu sabia que mesmo sem exigência, a falta de experiência e cursos extras me fariam falta. — Não senhora. Não quero justificar, mas trabalhava durante o dia e trabalhava a noite, não havia tempo hábil para algo mais que as atribuições da faculdade. — Nunca fez um curso de idiomas? Nada do tipo? — Não senhora. — O quanto sabe de inglês? — Sei o básico para a leitura. Mas se a senhora permitir, eu estou disposto a aprender. — O que o motivou a cursar administração? – Ela pela primeira vez, deixou os documentos de lado e focou somente em mim. — Quando escolhi o curso, eu precisava de um curso fornecido no período da noite, e nem todos eram. Entre as opções que tinha, administração era mais o meu perfil. Sempre fui bom em matemática e também tinha o desejo de, talvez, ter meu próprio negócio e para isso eu teria que saber administra-lo. — E por qual motivo não iniciou seu próprio negócio ao término da faculdade? — Falta de verba, senhora. Não tenho dinheiro para investir em nada grande. E o emprego que eu possuía não me dava condições financeiras para isso. — Então se eu te der essa chance, você pode se tornar meu concorrente no futuro? Fiquei nervoso com a pergunta, talvez não devesse ter falado sobre ter meu próprio negócio, mas com certeza não seria na área de cosméticos. Preciso consertar a besteira que fiz. Droga! Preciso desse emprego. — Não, senhora. Se eu chegar a ter meu próprio negócio um dia, seria algo voltado para o transporte ou algo do tipo. Ela se recostou na cadeira, cruzando os braços. — Muito bem. No que trabalha no momento? — Trabalho carregando caminhões para uma empresa alimentícia. — Ok! Pra finalizar, acha que devo contrata-lo por qual motivo? — Sou esforçado e inteligente, sou discreto e dedicado. E preciso dessa oportunidade, sei que não tenho um currículo grandioso, mas só preciso de uma oportunidade. Vi que a mulher me encarou por alguns segundos, não dava para dizer se foi bom ou r**m, mas logo ela quebrou o silêncio. — Terminamos, senhor Albuquerque, se for selecionado alguém entrará em contato. — Obrigado, senhora. Agradeci e deixei a sala, mais nervoso que tudo na vida. Ainda tinham dois caras para entrar, agora era só esperar, me despedi da secretária que me atendeu e deixei o andar da presidência. Voltei para casa com um sentimento confuso. Às vezes me sentia confiante, fui sincero e mostrei que tenho interesse em crescer. Mas por outro lado, dei algumas mancadas na entrevista. Entrei no ônibus e mandei uma mensagem para meu amigo Juan. O cara me ajudou, merece ser o primeiro a saber. Contei a ele sobre a entrevista, falei as mancadas que dei, mas ele me encorajou dizendo que minhas qualidades superariam as poucas besteiras que falei. Quero muito acreditar nisso. Ao chegar em casa contei a minha mãe os detalhes do dia de hoje, a mulher também me encorajou a ter esperanças e eu nem tinha uma data para esperar a resposta. Um dia? Uma semana? Um mês? Ninguém me deu prazo algum. No dia seguinte levantei cedo e fui para me trabalho, tive que inventar uma história doida qualquer, e Juan me ajudou. Dissemos que fui medicado e dispensado e que esqueci de pedir o atestado médico. Tomei uma falta por isso, mas nada mais. Pelo menos não tinha perdido meu emprego. Carreguei caminhões a manhã inteira, minhas costas estavam doloridas, como sempre acontecia. Parei para almoçar. Juan e eu fomos esquentar nossas marmitas na cantina e nos sentamos para comer quando peguei pela primeira vez desde antes de começar a trabalhar. Tinha uma mensagem de um número desconhecido. Abri a mensagem e não acreditei no que estava lendo. Não tinha percebido que havia parado de mastigar e olhava fixamente para o aparelho em minha mão. — O que foi, moleque, é sua mãe? Tá tudo bem com ela? — Cara... – sussurrei e virei a tela do telefone para ele, para que meu amigo lesse a mensagem. — c*****o*, moleque. Eu sabia! Eu sabia, cara! No contato sem identificação dizia: “Parabéns, senhor Albuquerque, esteja na empresa às nove da manhã com os documentos listados a baixo. O senhor foi selecionado para o cargo de secretário executivo da empresa MaisBela cosméticos.”
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