Pré-visualização gratuita 1 - Monstro
Itália
Ludmilla
— Estava com saudade, querida?
— Sim… — respondi insegura, diante de tanta beleza e imponência.
— Você está diferente? — o homem parado à minha frente analisa-me, despindo-me com o olhar, sinto o meu rosto corar. — Eu te quero agora! Em cima dessa mesa, como você costumava fazer quando queria que eu cedesse aos seus inúmeros caprichos.
Dei um passo atrás assustada, eu nunca fui tocada por um homem antes, se ele fizer isso descobrirá toda a verdade e com certeza não terá piedade, os seus olhos esverdeados com raios dourados, apesar de lindos e profundos são cruéis como o inferno.
A sua mandíbula se contraiu diante da minha recusa, os seus olhos estreitaram-se e Sebastian deu um soco na mesa que a fez estremecer.
Uma lágrima teimosa insiste em escorrer pelo canto do meu olho.
— NÃO! VOCÊ NÃO VAI FUGIR DE MIM OUTRA VEZ!
Ele deu passos largos na minha direção, a sua mão forte alcançando a minha boca ainda machucada devido aos homens que me sequestraram, o seu polegar passou pelos meus lábios, os deixando em pura brasa, baixei o olhar, para que os meus olhos não entregassem as sensações distorcidas do meu corpo e mente.
Com os dedos, ele lentamente explorava os detalhes do meu rosto, o enxugando. O gesto é carinhoso, apesar de forte.
A sua mão hábil percorreu a minha clavícula, enquanto a outra envolveu a minha cintura me apalpando sem o menor pudor, gentil e firme, sem aviso a mão que acariciava o meu tronco envolveu o meu pescoço fortemente, bloqueando a minha respiração, me forçando a encarar aqueles olhos sombrios.
Outra lágrima furtiva escapou, enquanto eu implorava silenciosamente pela vida.
Sebastian
— Foi assim que eu me senti, quando achei que você estava morta querida, um nó apertava a minha garganta e não me deixava respirar. Eu achei que iria morrer, aliás, eu quis morrer. Você não sabe a guerra que está além dos muros dessa casa, eu revirei esse país e trouxe a morte a cada esquina dessa cidade, tudo por você. Não me olhe assim... como se você não soubesse o homem que você tinha entre as pernas todas as noites, não me olhe como se me desprezasse. Você sabia que a sua morte me arruinaria e AINDA ASSIM ME FEZ PENSAR QUE ESTAVA MORTA!
Camilla se encolheu diante das minhas palavras, toda aquela fragilidade só se notava nos seus traços finos e angelicais, parecia um anjo, com aqueles cabelos loiros, quase branco, e aqueles olhos azuis como o mar, a verdadeira expressão da beleza feminina, seu corpo esguio, menos voluptuoso que a dois anos atrás, em que as suas curvas ficavam mais evidentes, a fuga lhe fez perder peso.
Cada célula do meu corpo sentia a necessidade de tomá-la nos meus braços e levá-la para a nossa suíte, beijar os seus lábios vermelhos, e embriagar-me do seu perfume. Não importa o tempo que se passou, essa mulher é a representação de todos os sentimentos mais intensos que eu já senti na vida, eu deixo de ser humano e torno-me um animal, movido por instintos carnais, e agora mais do que nunca dominado pelo ódio do abandono e pelo amor que os seus doces olhos azuis emanam.
— Chega de atuação — falei friamente. — A manipuladora Camilla está com medo? Nunca!
Camilla evitava os meus olhos. Culpa. O vestido azul-claro florido descendo-lhe até os joelhos. Comportada. Sei que faz parte da encenação, era comum ela utilizar de artifícios diversos para conseguir o que queria, como quando usava a sensualidade das roupas coladas ao corpo, normalmente deixando notório que estava sem calcinha.
Dessa vez, não foi uma falta qualquer e redimir-se vai custar-lhe muito caro.
A peguei pelo braço arrastando para o nosso quarto, joguei Camilla na cama e me deitei sobre o seu corpo, despindo-a do vestido de boa moça, beijando o seu pescoço, mordiscando um seio após o outro, deslizei a minha mão pelo seu corpo, alcançando a sua calcinha, ela esperneava e gritava desesperada, a imobilizei com o peso do meu corpo, senti ela ficar cada vez mais tensa. Ela me rejeita, e a dor da rejeição é como uma faca que perfura o meu coração repetidas vezes, dói e consome qualquer sentimento bom que há em mim. E só a raiva me resta…
— Vamos lá! Onde está aquela Camilla cheia de fogo na cama? Aquela mulher que me fez de trouxa enquanto jurava amor eterno e assim que roubou todo o dinheiro que queria, fugiu para o Brasil. VOCÊ É UMA DESCARADA!
Levantei a mão para dar-lhe um tapa no rosto, mas paralisei diante da sua imagem nua na minha frente, sua pele perfeita, seu rosto ruborizado em prantos, os seus olhos azuis profundos, eu não consegui.
— Ok! No rosto não, mas você ainda merece uma lição pela sua traição!
— Eu não traí você. Sebastian, eu juro, eu não te traí... O que você vai fazer comigo? Sebastian...
Só de imaginar outro homem a tocando como eu a toco, beijando os seus lábios carnudos, vermelhos, perfeitos para beijar, o seu sexo tão apertado, que todas as vezes eu gastava vários minutos a preparando para possuí-la. A fúria estava lá de novo, a coloquei de barriga para baixo sobre os meus joelhos, ela continuava de calcinha e esperneou ainda mais quando tentei tirar, mas com força e habilidade, a prendi com as minhas pernas, com uma das mãos coloquei os seus braços para trás, e a sua b***a conheceu pela primeira vez a força da minha mão pesada a castigando, não como uma brincadeira s****l, mas com raiva, ódio e vingança.
Os gritos dela soavam longe pra mim, enquanto descarregava os dois anos mais dolorosos da minha vida sobre a sua pele agora avermelhada e quente. Tomado pelo rancor, custou-me parar de feri-la, eu queria bater mais e mais, e ouvi-la gritar silenciava os gritos da minha alma ferida, partida ao meio, porque não importa o que eu faça, a minha alma gêmea se foi no dia em que eu a vi no chão baleada e sequer pude me aproximar, nada que eu fizer irá se comparar a dor que eu senti, a dor que ela me causou.
A soltei de uma vez, e ela correu para cobrir o corpo com as roupas de cama, o seu rosto e os olhos vermelhos de chorar trouxeram-me de volta da escuridão do ressentimento.
— NUNCA MAIS OUSE TOCAR EM MIM SEBASTIAN. NUNCA MAIS! VOCÊ É UM MONSTRO!
Saí do quarto sentindo a culpa me consumindo, e a dor das suas palavras me deixando sem ar, ainda assim tranquei a porta para a segurança dela, tentei convencer-me disso pelo menos.