Capítulo quinze.

1450 Palavras
Na luta contra as evidências Respiro fundo enquanto ajeito o edredom da cama, meu nariz ainda dói mas não tanto quanto a minha consciência. Talvez eu devesse ter sido uma amiga melhor para Ruby, por isso, assim que fizemos as pazes no banheiro do colégio hoje pela manhã, decidi cancelar a solicitação para seguir Gilbert e o bloqueei para que ele jamais me encontre novamente. A vida era curta demais para ficar alimentando animosidades e romoendo erros, e eu não estava disposta a fazer de um momento em minha vida o único motivo de minha existência, existem milhões de garotos no mundo, Gilbert Blythe não seria o único que passaria em minha vida. Puxo o celular do bolso, encaro a foto que tirei da Green Tree, porque não colocar a foto no meu perfil do i********:? Assim que posto sobe o comentário de Diana. "Que linda árvore. " Deixo um like e meu celular vibra assim que chega mais um comentário. " E a primeira foto é uma árvore?" Ruby comenta: "deixo um like também, mas qual o m*l em postar foto de uma árvore?" Deito na cama e o resultado novamente é ficar revirando. Talvez eu não deva bloquear ele — penso — assim jamais saberei como ele está. Ergo o celular e encaro a tela, entro no f*******: e digito Gilbert Blythe, mas nada, nada de encontrá-lo. — Certo, talvez isso seja um consolo para mim mesma. A notificação do i********: aparece. Cole pediu para te seguir. Aceito e logo o sigo de volta. Vasculho o perfil do garoto o qual me seguiu, suas publicações são todas tão lindas, que quase infarto quando vejo um desenho meu em sua última publicação. No mesmo instante, ele envia um direct. "Ainda escondendo a verdade?" Penso se devo responder ou não, talvez, eu devesse responder, com palavras gentis e educadas, ou então manda-lo cuidar da própria vida. Olho para o teto, eu seria incapaz de ser grosseira com um garoto tão gentil. "Espero que esse segredo esteja guardado com você também, a propósito adorei minha caricatura" Ele manda um emoji sorrindo. Desligo a tela do celular, e permito que meu sono venha até mim, pois acredito fielmente que o motivo dessa insônia é minha ansiedade relacionada ao garoto dos olhos verdes cheio de ardor. Em poucos segundos, sem a minha permissão, meus pensamentos estão inundados de Gilbert, de seu beijo, de seu toque afável, de seu olhar intenso e apaixonado percorrendo meu rosto até pousar em minha boca. — Que d***a! — me levanto. — eu preciso falar com ele! . . . (Narração de Gilbert) Eu estava pronto para encontrar a jovem loira cheia de charme, um blazer básico, seria o suficiente para um baile, ou então suficiente para surpreende-la, não que esse fosse meu único desejo. Hoje a noite é sua Gilbert — me convenço. Faz tempo que não sinto como é me divertir, muito menos me dou o direito de fazer isso, quando meu pai estava doente eu me obrigava a manter-me em casa, cheio de amargura e questionamentos a Deus por tamanha injustiça. Eu já não tinha minha mãe, e agora não tenho meu pai. Mas com o tempo, acabei descobrindo que o plano divino não falha, todos os momentos me fizeram valorizar mais a vida e as pessoas, e fez com que eu conhecesse Anne, por mais que o tempo tenha sido curto, aquela garota ruiva foi capaz de arrancar de mim suspiros incessantes. O que será que ela estaria fazendo agora? Pego o celular e abro o i********:, procuro por ela, mas não encontro. Realmente a solicitação foi fruto de minha fértil imaginação (talvez eu deva culpá-la por isso), e sem dúvidas, saber que Anne Shirley havia me procurado, era bom, mas não o suficiente para me fazer voltar. Enfio o celular no bolso, e saio rumo o corredor onde possivelmente Winifred já estava a minha espera. Tento caminhar com algum tipo de segurança, mas eu não estava com toda aquela vontade em querer impressionar alguém, eu estava mais a fim de esquecer as coisas que me perturbavam e aproveitar a noite como nunca havia feito antes. Eu era livre, como um pássaro, para voar para longe, sem que ninguém me impedisse. — Pensei que me daria um cano — a jovem loira diz um pouco irritada. — São oito e cinco — respondo enquanto confirmo olhando no relógio. — Quem sabe eu estava ansiosa para esse encontro. — Quem sabe eu também — sorrio. — Venha — ela me puxa — vou lhe apresentar alguns amigos que conheci aqui. Assim que chegamos no salão do baile, me surpreendo com a quantidade de pessoas alegres dançando com roupas de gala como se não houvesse amanhã. — Quantos anos você tem? — ela me olha. — Dezessete — digo de imediato — e você? — Dezoito — ela ergue os ombros — acho que hoje quem vai pegar a bebida será eu. Ergo os ombros assim como ela. — Esse é Bash — ela aponta para o homem sentado em uma mesa tomando um Martine — essa é Kath, Nick, e Henry. Cumprimento todos e me sento com eles. Winnie se senta ao meu lado enquanto toma um suco. — Você não bebe? — a fito com um pouco de deboche. Ela n**a. — Eu não curto muito álcool. — E então, o que o trás para esse mundo? — Bash me encara — você não parece estar fugindo da polícia assim como nós. Engasgo com minha própria saliva, e sinto minhas bochechas queimarem. — Calma — diz Kath — isso foi uma brincadeira. — Estou fugindo do luto — digo. Todos me encaram, um tanto perplexos e sem dúvidas arrependidos por ter me perguntado aquilo, nesse momento deveriam estar repreendendo a tamanha curiosadade e certamente buscando uma resposta plausível. — Sinto muito — diz Winnie segurando minha mão — eu estou fugindo dos meus pais, eles são insuportáveis pois querem que eu me case logo. Sinto meu cenho franzir. — Estou fugindo dos meus erros — diz Kath — não queiram saber são muitos. — Eu estou fugindo da pressão de minha família que insiste ainda em aceitar trabalhar para pessoas brancas — Bash nos encara — nada contra vocês — ele sorri. — mas não entendo como eles conseguem viver sob tanta humilhação sabendo que faz mais de cem anos que isso acabou. — Estamos tentando esquecer o luto também — Nick e Henry se encaram — nossa mãe morreu há um ano, e só agora decidimos viver. — Certo — Winifred se levanta — vamos parar de falar dos problemas e aproveitar a noite — ela me puxa — sabe dançar Sr. Gilbert? — Acho que você pode me ensinar. Todos da mesa brincam com isso, e eu acredito cegamente que talvez essa seja a oportunidade de me tornar um Gilbert, diferente do que sou. . . . Já estávamos exaustos, mas nossos pés ainda sentiam a música e assim que o salão foi esvaziando, os outros amigos de Winnie se juntaram a nós dois na pista de dança. Sinto o celular vibrar e o puxo do bolso. O universo automaticamente para, e meus sentimentos tornam a se sobressair. Respiro fundo e desbloqueio a tela. Anne.shirley-cuthbert pediu para te seguir. Aceito. Não podia deixar de aceitar. No mesmo instante, uma mensagem chega. "Espero que me perdoe... E que...." Antes que eu pudesse terminar de ler o texto que Anne havia digitado, Winnie e os amigos puxam o celular de minha mão. — Quem é Anne? — Winnie diz — pensei que fugia do luto não do amor. — Isso não tem nada a ver. — peço o celular. Ela o coloca em minha mão e no mesmo instante percebo que sem querer ela enviou uma foto dela. E quando vejo, Anne já havia apagado a mensagem, e deixado uma outra. "Me desculpe, aproveite a noite". Antes que eu pudesse responder, ela já havia me bloqueado. Agora sim, tudo estava perdido. . . . (Voltamos para a narração de Anne) Seguro o celular e novamente peço para seguir Gilbert, dessa vez ele aceitou com mais rapidez. Abro o direct e digito. "Espero que me perdoe... E que esteja pensando em mim tanto quanto eu penso em você Gilbert, sei que agi errado por isso venho lhe pedir perdão, eu estou tão acostumada com o desprezo e a falta de apresso por mim, que não acreditei que você seria capaz de me enxergar com outros olhos, agora sei que errei, e talvez eu esteja perdidamente apaixonada por você. Por favor Gilbert, volta para mim" Envio a mensagem, e espero a resposta com tanta ansiedade que falta meu coração pular para fora. Alguns segundos depois, ele me envia a foto de uma garota loira, bonita, muito bonita. — Desgraçado maldito — grito. Assim que meu cérebro entende que Gilbert Blythe caçoa de mim e de minha dor, apago a mensagem e mando: "Me desculpe, aproveite a noite" Ele visualiza e logo em seguida, o bloqueio novamente, só que dessa vez também da minha vida. . . .
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