Capítulo quatorze.

1183 Palavras
Lembranças podem variar tanto quanto o humor. Gilbert. Talvez por um instante você se questione sobre sua verdadeira existência, ou, ao menos procure dentro de si um motivo específico para ter sido criado no meio de sete bilhões de pessoas, e ter se apaixonado justo por uma garota a qual jamais se permitiria sentir o mesmo que você. O mar ora calmo, ora agitado, lembrava-me exatamente da jovem ruiva e cheia de personalidade deixada em Springdale, era impossível olhar para a mudança de estado do mar e não se lembrar de sua mudança de humor repentina. Ora está me beijando. Ora está me chutando. O amor deveria ser proibido para algumas pessoas. Inclusive para ela. Puxo meu celular do bolso e o sinal do wi-fi está fraco. Mesmo assim não me impede de receber a notificação de solicitação para seguir-me no i********:. Anne.Shirley-Cuthbert pediu para te seguir. Bloqueio o celular e o coloco no bolso. Qual seria sua atitude agora, dizer que eu fui invasivo e a deixei completamente exposta aos comentários ridículos das pessoas do colégio? Eu não suportava tamanha imaturidade, por mais que talvez eu entendesse que ela era uma garota com um passado sombrio e cheio de dor. Mas, nem sequer parar para pensar no tamanho da minha dor ao dizer que deixaria aquela vida para trás? Eu ainda não conseguia decifrar a mente enigmática de Anne Shirley, e sem dúvidas ela certamente não entendia a minha. Optei por esquecê-la ao menos durante essa viagem, eu sabia que em breve voltaria para Springdale, mas talvez isso devesse ser segredo, ninguém precisava saber quando eu voltaria, talvez nem eu saiba quando isso irá acontecer, contudo, certamente será sem aviso prévio. Poucos sabiam onde eu estava, a única pessoa que sabia e tinha meu contado era Mary, minha governanta, que a pouco havia perdido o filho único para o mundo do crime e dedicou fielmente seu cuidado e carinho materno a mim, apesar de ter aproximadamente seus trinta e cinco anos. Meu pai a adorava, e confiava fielmente em seu cuidado comigo. Desvencilho da borda do navio, e caminho rumo ao meu quarto, já era quatro da madrugada e eu m*l conseguia pensar. Desde que vi a solitação de Anne, sinto-me tentado a aceitar e perguntar a ela como estava, mas eu não podia. Seria simplesmente constrangedor demais além de ser chutado e ofendido pessoalmente, ser ofendido virtualmente, por algo que eu sei que ela também queria, tanto quanto eu. O navio balança conforme as ondas o levam, e eu adorava a sensação de liberdade e ao mesmo tempo adrenalina por estar em alto mar. Caminho olhando para o chão quando repentinamente, sinto alguém esbarrar em mim sem nenhuma cautela. Ajeito a postura e encaro a jovem loira de olhos azuis olhando-me com vergonha, suas bochechas estão avermelhadas e seu sorriso um tanto sem jeito. — Me perdoe — ela diz — eu não o vi. — Eu também não a vi — ajudo-a a se recompor. — Me chamo Gilbert — falo de imediato. — Meu nome é Winifred — ela diz ajeitando os cachos que balançavam conforme ela se arruma. Estendo a mão e ela a ignora dando um beijo em minha bochecha. — Espero esbarrar mais vezes em você — sua voz é esperançosa, com um pouco de malícia. Sorrio em resposta, não tenho o que dizer. Em poucos segundos a jovem loira já está virando o final do corredor, fico parado a observando e antes que ela faça a curva, ela olha por cima dos ombros e acena, certamente para eu saiba que ela estava me vendo enquanto eu a admirava. Deito na cama, já tomado por uma terrível dor de cabeça, não tenho dúvidas que foi resultado da minha noite em claro, uma noite h******l, cheia de saudade. Em poucos segundos, eu já estava entrando em um sono profundo. . . . Acordo com o celular tocando. Olho para a tela e Mary está na outra linha. "Acho que alguém não teve uma boa noite de sono" - ela brinca "Foi difícil" - respondo. "Há dois dias uma garota esteve aqui, logo após você sair" - sua voz é preocupada - "o Sr. Pires conversou com ela e ela saiu um tanto decepcionada". Nesse momento só consigo pensar na feição triste de Anne carregada de arrependimento. "Logo depois ela caiu bem no final da rua e foi socorrida por Josephine Barry e seu filho adotado" "Mas ela está bem?" - pergunto imediatamente. "Está um pouco machucada, mas nada além disso, foi pura sorte" - ela brinca. "E como as coisas estão aí? " - desconverso. "Bem, tranquilas e calmas." "Cuide-se Mary" - me despeço. "Cuide-se querido, e durma o necessário" Olho para o relógio, exatamente uma e meia. Desbloqueio a tela do celular e acesso o i********:, mas, a solicitação de Anne já não estava mais lá, nem mesmo ela estava lá. Talvez tenha sido fruto de minha imaginação devido a noite conturbada e a falta de sono. Deixo o celular no canto, tomo um banho e em seguida saio para apreciar a vista deslumbrante do mar. Assim que chego na borda do navio novamente, sou surpreendido pela presença da garota a qual havia esbarrado em mim na madrugada. Seus cabelos estão presos e os fios soltos emolduram o seu rosto lhe deixando ainda mais atraente. Ela está de biquíni, contudo, parte de seu corpo está coberto por um roupão. Ela sorri e diz. — O que fazia perdido nos corredores na madrugada? — Eu estava observando o mar, é tão deslumbrante que m*l consegui tornar para o quarto. Ela me encara. — Não vai perguntar o que eu estava fazendo? Sorrio de canto, não esperava que ela me sugerisse isso, ainda mais sabendo que não é recomendável invadir a vida de uma mulher e questioná-la sobre sua fuga durante a madrugada. — Não é do meu feitio fazer isso — ergo a sobrancelha — mas já que a sugestão foi sua, o que a fez abandonar seu aposento durante a noite? — Quanta indiscrição Sr. Gilbert, nunca lhe ensinaram que não é recomendável questionar uma mulher durante sua fuga da madrugada? Tento ficar sério, mas sorrio com sua entonação debochada. — Eu estava observando o mar também, só que do outro lado — ela aponta para o bico do navio. — Interessante — respondo. — Hoje a noite terá um baile, se quiser podemos ir juntos. — ela sorri. — Então você está me convidando para um encontro? — Entenda como quiser. — ela ergue os ombros — hoje às oito horas, no corredor onde nos encontramos. — Responda-me Winifred — a seguro antes que ela saia — você está sozinha nesse navio? — Vá hoje a noite, e responderei tudo o que você quiser, Gilbert. — Então eu irei — falo confirmando. Ela sorri e pisca para mim, e em poucos segundos, já está distante. Atraindo olhares de diversos rapazes, até mesmo garotas, Winifred sem dúvidas, é a garota mais linda desse navio. Mesmo assim, nada supera a beleza de Anne, talvez, se ela estivesse aqui, com seus cabelos cheios de cor e sua personalidade forte, ela seria sem dúvidas a única garota a qual eu teria olhos nesse navio, e sem dúvidas seria a mais bela. . . .
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