Capítulo doze.

1667 Palavras
Os atos que determinaram a vida dela. Viro-me na cama enquanto meus pensamentos reproduzem com perfeição a voz e a covardia de Billy Andrews, levanto-me um tanto desnorteada caminho até o quarto de Jerry, abro suavemente a porta e o observo tomado por um sono pesado, sua boca está sutilmente aberta e quando me aproximo consigo escutar seu ronco fraco mas cheio de cansaço. Procuro por seu celular e não o encontro — onde Jerry colocou o celular? — falo baixinho enquanto remexo em suas coisas. — Anne? — ele diz abrindo os olhos com dificuldade. — Sou eu Jerry — falo também com dificuldade pois qualquer esforço meu faz com que meu nariz doa. — O que faz aqui? — Preciso do seu celular... — peço — eu preciso fazer uma página anônima. Ele levanta, acende a luz e consigo ver seu pijama infantil e inteiramente constrangedor para um garoto daquele tamanho. — O que Diana diria sobre isso em? — caçoo do samba canção poá. — Você invadiu o meu quarto — ele diz — o que Gilbert acharia do seu? Observo meu pijama do Bob esponja. — Segredo — lhe ofereço o mindinho, no mesmo instante realizamos o ritual de segredo guardado e levado para o túmulo. — Diga-me a verdade primeiro — ele me encara com seus olhos negros — eu sei que você não caiu Anne. — Prometa-me que isso ficará entre nós — digo — por favor. — Quer fazer o ritual do mindinho novamente? — ele debocha. — Se necessário — respondo com a mesma entonação — todos nós sabemos que não se pode quebrar o ritual do dedinho. Novamente os dedinhos de juntam. — Agora confia em mim para dizer o que realmente aconteceu? — Billy Andrews fez isso. Jerry se levanta irado pronunciando palavras em francês, certamente palavrões. — putain de salaud — ele grita. — Quieto Jerry, Marilla e Matthew virão até nós. — O que mais ele disse? — Que sabia o que eu estava fazendo na casa do Blythe. O que você disse em francês? — pergunto curiosa. — O que você ouviu? — Putain de salaud. — Desgraçado maldito — ele diz — Anne, porque não contou a verdade? — Não posso mexer com ele Jerry — falo — ele é terrivelmente m*****o. — Ele é um covarde! — Jerry fala com indignação — Anne ele não faz isso quando você está comigo, ou com Gilbert, ele faz quando você está sozinha! Tem noção do quanto isso é grave? Assinto. E ele me abraça. — Sinto muito — ele diz — mas amanhã darei o troco. — Eu entendo que você é um garoto crescido — digo olhando a estatura alta de Jerry — mas não pode cobrar nada pois você não estava lá. Mas pense comigo, eu posso me vingar escrevendo algo sobre ele e postando na internet. — Ele saberia que foi você. — É, ele saberia — digo desesperançosa — e agora? — Vamos esperar, em breve você poderá se vingar dele, só não ande por aí sozinha — ele diz — por favor. — Você é o irmão que eu nunca tive Jerry! — brinco. — Eu também a considero uma irmã Anne — ele se deita — agora vá descansar amanhã temos aula. — Está certo — eu digo — boa noite Jerry. — Boa noite Anne. . . . A noite foi carregada de lembranças ruins e pensamentos negativos, fazia tempo que essa sensação não me atormentava. A cada som do vento em minha janela, fazia-me pensar desesperadamente que Billy Andrews invadiria o meu quarto para surrar-me mais uma vez. O relógio despertou as seis em ponto, e quando levantei e me olhei no espelho, vi o resultado da noite passada, um nariz inchado com resquícios de sangue em seu orifício. Respiro pela boca, e em segundos solto o ar com força. Eu não entendia o motivo de tanta falta de apreço por mim, já que eu nunca fiz nada diretamente para aquele garoto, quem surrou ele foi Gilbert, não eu. — Anne? — Marilla entra no quarto em me encara — que nariz h******l! Vamos ao médico. — ela diz enquanto ergue meu queixo para olhar o machucado — ainda sangra, devemos ir para saber se não é nada grave — ela diz. Movimento a cabeça em concordância enquanto me visto para ir ao médico. — O que realmente aconteceu Anne? — ela pergunta. — Depois que sai do parque, fui até a mansão de Gilbert para me desculpar por tê-lo tratado com arrogância — digo — e eu fiquei tão chateada que ele foi embora que não me lembrei de olhar para o chão ao caminhar, na verdade nem me lembrei de caminhar, eu estava tão cheia de tristeza que enrolei minhas próprias pernas e acabei caindo de cara no chão. Ela me olha desconfiada. — Sorte que as ruas de Springdale são limpas não é mesmo? — encaro-a — imagine só eu cair em um montante de... — Poupe-me dos detalhes Anne — ela interrompe — se arrume e desça para ver se consegue comer algo. Desço para o café da manhã, Matthew fuma seu charuto enquanto lê o jornal; ajudo Marilla a organizar a mesa, e logo Jerry se junta a nós, trocamos olhares significativos para nós, mas normal para os outros. Era como se falássemos — lembre-se é um segredo. — Jerry terá que ir para a aula sozinho hoje, Anne irá ao médico e depois a deixaremos aqui para fazer compras. O garoto somente concorda. — Você continua distraída — Matthew sorri — se lembra de quando deixou a torta queimar? — ele gargalha — Marilla ficou furiosa! Marilla o encara surpresa com a brincadeira. — Sabemos que Anne estava distraída — ela sorri — e eu tinha quase certeza de que ela não seria mais. Ergo os ombros como resposta, eu nunca deixaria de ser distraída em toda a minha existência. — Vou pedir à Deus em minhas preces que me dê um pouco mais de atenção — tento sorrir e o nariz lateja — quem sabe isso não aconteça novamente — aponto para o mesmo, sobretudo sabendo que a culpa jamais seria minha por um possível nariz estragado. — Tenho que ir — Jerry se levanta — até mais. — Até — respondemos em coro. . . . O hospital tinha o mesmo cheiro de antes, só que agora a imagem de Gilbert fazia parte da minha memória, revivi o dia em que ele descobriu que o seu pai jamais voltaria, e automaticamente revivi a dor de saber que possivelmente Gilbert também jamais voltaria. Meu coração estava tão preocupado em se culpar a cerca de tudo que havia feito ao garoto, que até me esqueci o verdadeiro motivo de estar sentada naquela cadeira dura e desconfortável. — Anne Shirley-Cuthbert — a voz soou no corredor. Entrei na sala junto com Marilla, e o médico levantou de imediato assim que viu meu nariz machucado. — Vejamos — ele ergueu meu queixo — quem fez isso com você? — Foi o chão, doutor. — Foi um impacto e tanto — ele brincou — parece até que sua cabeça foi empurrada além da gravidade — sua voz é seria. Tento me concentrar em minha mentira, mas como mentir para um médico que vê com perfeição o nosso problema? Eu não sei. — Foi uma queda e tanto — respondo. Após examinar e descobrir o meu problema, o médico receita um analgésico e me dá o diagnóstico de micro trauma, sem muito acometimento, me sinto aliviada e ainda mais amedrontada, se Billy me encontrar sozinha novamente o que fará? Ele coloca um curativo na parte onde raspou devido ao chão áspero. E me encara enquanto coloca as mãos em meus ombros, antes de me dispensar ele diz: — Tome mais cuidado mocinha. . . . Amanhã mesmo eu poderia ir para o colégio, o que eu não sei se é bom ou r**m, talvez se Billy venha tirar minha paz novamente, eu lhe dê um belo chute igual fiz com Gilbert. Analiso a Green Tree, no entanto, meus pensamentos seguem a todo vapor em relação ao garoto o qual eu havia beijado ontem, e no mesmo dia havia o expulsado e o acusado. O que será que ele está pensando de mim? Espero ansiosamente que o sentimento o qual está o rodeando agora, não seja a raiva, muito menos o desprezo. — Gracioso Pai celestial — olho para o céu — por favor, envie a Gilbert Blythe o meu profundo arrependimento por ter sido tão injusta, espero que ele sinta em seu coração o perdão, tão intensamente quanto eu senti o arrependimento. Ouço o som da caminhonete e desço correndo as escadas para ajudar Marilla e Matthew com as compras, os dois descem do carro somente com uma pequena sacola personalizada. Encaro-os e eles entram e sentam no sofá fofo da sala. Os dois trocam olhares e logo eu me sento com eles. — Anne — diz Matthew — achamos que está na hora de você ter isso. Eles me entregam a sacola e vejo uma pequena caixa branca com uma maçã mordida desenhada em seu centro. — Um iPhone? — eu grito entusiasmada. — Disseram que era de última geração, achamos que agora você irá precisar bastante disso. Levanto-me pulando alegremente enquanto agarro a caixa com os dois braços. — Abra! — Marilla diz. Abro a caixa e lá está um lindo celular vermelho. — Eu amei! — digo — muito muito muito obrigada. — Isso é para que você possa nos ligar quando estiver em apuros. — E possa conversar com seus amigos mesmo que estejam longe. Sorrio e os abraço. — Vocês são os melhores pais que eu já tive. Eles sorriem um para o outro, e eu subo ansiosamente para o meu quarto para aproveitar meu presente. Sento em minha cama, encaro o aparelho lindo e desenhado com perfeição. — Certo, agora eu só preciso ligar — digo ainda encarando o eletrônico. Aperto um botão e ele acende, é tudo tão mágico que m*l consigo me conter de felicidade. Sigo as instruções para fazer a configuração, e logo crio minha página no i********:, agora eu só preciso encontrá-lo. Pesquiso por Gilbert Blythe, e aparece uma conta privada, na foto do perfil ele estava tão radiante, que tive uma única certeza, isso foi antes de seu pai morrer. Clico para seguir e aparece "solicitado". Respiro fundo, esquecendo do meu nariz pré quebrado, a dor irradia e dou um grito baixo para que ninguém escutasse. Meu corpo estava tenso, e eu esperava ansiosamente a comprovação de que Gilbert, tinha permitido que eu o seguisse. ... Até o final do dia, ele não autorizou.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR