Capítulo dez.

1135 Palavras
O que importa é o que está dentro. Diana apreciava a agradável paisagem do lago, e eu apreciava o lindo casal de gansos que passeavam na água. — Você sabia que os gansos tem somente um par por toda a vida? Diana me encara com um sorriso turvo. — É impressionante como seus conhecimentos conseguem ser tão vastos. Sorrio. — E então, sabe algo sobre Gilbert? — lhe encaro — desde que ele esteve em minha casa não conversamos mais. — Ele esteve ontem em sua casa Anne — ela diz — quem sabe amanhã você o veja no colégio. Suspiro ainda encarando os gansos no lago. — Eu não sei o que sente por ele — ela diz — mas não sei se é certo eu apoia-la, sou amiga da Ruby também, e fico um tanto dividida com essa situação. Mordisco o lábio inferior enquanto penso em uma resposta. — Olha Diana, não se preocupe, eu não sinto nada por Gilbert, somente preocupação, pois sei como é r**m ser órfã. — Eu não acho que esteja sendo sincera Anne, nem comigo, nem com você mesma. — Mas estou sendo sincera, eu não o conheço para saber se estou apaixonada, eu só fui uma amiga no momento em que ele precisou. — Preciso contar algo — ela deita na grama. Faço o mesmo enquanto observo o céu azul, com as nuvens em formatos estranhos espalhadas no céu, o tempo estava um pouco nublado, mesmo assim ainda não indicava se a chuva chegaria logo. — Conte. — falo. — No dia do velório na casa de Gilbert, Ruby ficou lá para tentar consolá-lo. Encaro Diana e ela pensa. — Ela pediu para que eu não te contasse, porque ainda não confia em você, mas, eu simplesmente não consigo esconder. — Não me admira saber que ela não confia em mim — digo — ela disfarça pouco. — Ela disse que ela e Gilbert se beijaram. Engasgo com a minha própria saliva, e sinto minhas bochechas ficarem vermelhas, meu coração dispara, acredito que por causa do engasgo e Diana levanta para me acudir, enquanto vou em direção ao lago para tentar desobstruir minhas vias respiratórias contaminados com a saliva. — Eu sabia que você reagiria assim — ela diz — é óbvio que você sente algo por ele. — Mas isso é verdade? — digo — eles realmente... — Sim, mas após isso, ele pediu para que ela fosse embora, pois os sentimentos dele estavam confusos demais e ela não podia levar aquilo para um lado mais afetivo, já que ele não sentia nada por ela. — Ela deve estar arrasada. — Está, sem dúvidas. — Diana joga a mecha de seus cabelos para trás — e eu disse a ela que não deveria ter forçado a barra sabendo que ele estava em um momento delicado. — Concordo — falo imaginando de diversas formas como havia sido o beijo, teria sido fervoroso e invasivo demais? Ou então, um beijo frio sem muito clima? — Então Ruby passou a semana toda ligando para ele sem ter retorno algum. E ontem, ele foi a sua casa, sem você ligar para ele ou qualquer outra coisa. — Talvez ele tenha encontrado em mim um conforto pós luto — ergo os ombros — as pessoas sempre procuram alguém que entenda sua dor quando precisam. — Ou talvez ele saiba que gostou de você mais do que uma amiga ou um conforto pós luto. — ela me encara — você deveria perguntar a ele. — Eu deveria perguntar a ele? Assim como você perguntou a Jerry? — brinco. — Estamos falando sobre você e Gilbert Blythe — ela diz. — Sobre mim? Sinto meu corpo ferver quando ouço a voz de Gilbert. Diana me encara com vergonha, me viro sem saber o que dizer ou o que pensar. — Sim — respondo encarando-o — ela perguntava como você está. — Entendo — ele arqueia a sobrancelha como se não acreditasse. — Oi Gilbert — Diana fala. — Olá Diana. — Tenho que ir, meus pais estão a minha procura — ela movimenta o celular e sai às pressas deixando-me. — E então, o que diziam sobre mim? — Nada que seja importante para você — o encaro que me olha curioso — você sabia que os gansos ficam juntos por toda a vida? Digo, um casal. Ele caminha até a ponta do lago e olha as aves nadando. — O que isso significa? — sua voz é um tanto sugestiva. — Que são um casal por toda a vida? — sorrio encarando-o. — Anne eu preciso lhe contar algo. E assim que ele pensa em começar, a chuva começa a cair do céu com bastante intensidade. Ele me puxa e corremos para de baixo de uma árvore, o que não deu muito certo pois estávamos molhados o suficiente, e a árvore não era um bom guarda chuva. — O que ia me dizer? — digo enquanto mexo em seu cabelo ensopado. Ele me olha de perto, sinto diversas sensações percorrerem meu corpo. — Que você me fez muito bem no tempo que esteve ao meu lado quando meu pai foi levado. — Ainda bem que fui útil para algo — respondo — eu não esperava ser um porto seguro para você mas acabei sendo, não é? Afinal eu ainda tinha receio em falar com você, sua classificação é um pouco surprema demais para mim. Meus cabelos estavam molhados, assim como todas as partes de meu corpo, repentinamente o vento começa a se tornar mais forte. Cruzo os braços por causa do frio e ele me abraça, mantendo-me quente com o calor de seu corpo. — Você sabia que os homens são muito mais quentes que as mulheres? — Quem lhe disse isso? — pergunto. — Fiz um curso técnico quando estive em nova york, sobre manutenção de ar condicionado, e nele falava que para ambientes que tinham mulheres o ar tinha que ser mais quente. Pois elas são muito mais frias. — Interessante e peculiar — falo — acho que cinco por cento da população deve saber isso. — Voltando ao assunto, por que acha que tenho uma classificação suprema com relação a você? — Rico, popular, inteligente e bonito — digo sem pensar — fora isso, exageradamente educado e gentil. Você deveria ter algum padrão então acredito que seja um padrão supremo. — Você é sempre criativa? — ele pergunta — eu não consigo ser tão criativo como você. — Abra espaço para a imaginação trabalhar dentro de sua mente Gilbert — falo, me desvinculo dele e uma gota cai exatamente em meu nariz. O garoto a minha frente sorri, e se inclina para tirar a gota, por mais que a chuva ainda estivesse caindo, já não estava mais tão intensa. Naquele momento em que ele me encara, perto o suficiente para que eu sentisse seu hálito de cereja, ele me puxa para perto e me envolve em um caloroso e intenso beijo. Eu não imaginava que ele beijava tão bem, e não imaginava que eu Anne Shirley-Cuthbert cairia em qualquer assunto relacionado ao amor. Mas quando me dei conta, eu já estava lá e eu não podia simplesmente sair como se nada estivesse acontecendo. Eu precisava daquele beijo tanto quanto ele. . . .
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