capítulo 7- A punição que ele inventou e se arrependeu

769 Palavras
Adrian não voltou direto para a mansão. Ficou no carro por longos minutos, os dedos cerrados contra o volante, o maxilar travado, a mente repetindo a mesma cena como um erro impossível de desfazer. O sorriso dela. O homem inclinado demais. A sensação sufocante no peito. Ciúme. Ele odiava aquela palavra. Era irracional. Improvisada. Indisciplinada. E tudo que Adrian Vale desprezava… ele corrigia. Quando chegou em casa, Luna ainda não havia voltado. Isso o irritou mais do que deveria. — Onde ela está? — perguntou ao segurança. — Disse que voltaria sozinha, senhor. Claro que disse. Adrian subiu para o escritório e fechou a porta com força controlada demais para ser natural. Caminhou até a mesa, respirou fundo e tomou uma decisão. Se Luna precisava de limites… Ele iria criá-los. Ela entrou na mansão duas horas depois. Encontrou Adrian esperando. Sentado. Imóvel. Frio outra vez. — Onde você estava? — ele perguntou. — Fora. — Luna respondeu, largando a bolsa no sofá. — Como qualquer pessoa normal. — Você violou o contrato. — ele disse. — Saiu sem autorização. Se encontrou com alguém que eu não conheço. Criou um risco. — Um risco pra você, não pra mim. — Você é um risco para mim agora. — Adrian respondeu, seco. Ela riu, incrédula. — Ah, pronto. Vai me colocar de castigo? — Algo parecido. O sorriso dela morreu. — O que você fez? Adrian se levantou e caminhou até a mesa lateral, pegando um envelope. — A partir de hoje, — ele disse — você terá restrições. Luna sentiu o estômago revirar. — Não vai sair da mansão sem um motorista. — Não encontrará ninguém sem que eu saiba. — E não tomará decisões públicas sem minha aprovação. Ela o encarou, boquiaberta. — Você enlouqueceu? — Estou prevenindo problemas. — Você está me punindo porque ficou com ciúme. — ela disparou. O olhar dele se endureceu. — Eu não sinto ciúme. — Então por que isso tudo? — ela ergueu o envelope. — Controle reforçado? Monitoramento? Isso não é proteção. É medo. — Chega, Luna. — ele cortou. — Você cruzou um limite. Ela deu um passo à frente. — O seu limite. Não o meu. O silêncio entre eles ficou pesado. — Essa é sua punição. — Adrian disse, firme. — E não é negociável. Por alguns segundos, Luna apenas o encarou. Então, lentamente, algo mudou. Ela não gritou. Não provocou. Não desafiou. Ela assentiu. — Tudo bem. Aquilo… não era a reação que ele esperava. — Tudo bem? — Adrian repetiu. — Você quer controle? — ela disse calmamente. — Fique com ele. Ela caminhou até a escada. — Onde você vai? — ele perguntou. — Para o meu quarto. — respondeu sem virar. — Já que agora eu sou oficialmente uma prisioneira de luxo. A porta do quarto dela se fechou. E pela primeira vez desde que a conhecera… Adrian sentiu algo errado. Muito errado. A noite passou silenciosa demais. Nenhuma provocação. Nenhuma resposta atravessada. Nenhuma rebeldia. Luna não desceu para o jantar. Não reclamou. Não desafiou. Ela obedeceu. E aquilo o perturbou mais do que qualquer briga. Perto da meia-noite, Adrian parou diante da porta do quarto dela. Levantou a mão. Hesitou. Bateu. — Entra. — veio a resposta baixa. Luna estava sentada na cama, de pijama simples, o olhar distante. — Você não jantou — ele disse. — Não estava com fome. — Isso não faz parte da punição. Ela deu de ombros. — Eu sei. O silêncio voltou. — Diga alguma coisa. — Adrian disse, impaciente. — O quê você quer que eu diga? — ela respondeu. — Que você venceu? Ele franziu o cenho. — Isso não é sobre vencer. — É sempre sobre isso pra você. Ela o encarou finalmente. — Só não percebeu ainda que, dessa vez… você perdeu. O peito dele apertou. — Luna— — Você quer me controlar porque está com medo. — ela continuou. — Mas não de mim. De si mesmo. — Não ouse— — Ousei. — ela cortou. — E você sabe que eu estou certa. Ela se levantou. — Você podia ter conversado. — Podia ter perguntado. — Podia ter confiado. Ela passou por ele, indo até a porta. — Mas escolheu punição. — Escolheu controle. Antes de sair, ela disse, sem olhar para trás: — E é por isso que você vai perder o que ainda nem percebeu que quer. A porta se fechou. Adrian ficou sozinho no quarto dela. E, pela primeira vez em muitos anos, sentiu algo que não sabia administrar: Arrependimento. A punição funcionou. Mas custou caro demais.
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