A porta ainda estava fechada.
Gianni do outro lado.
E o silêncio aqui dentro…
pesado demais pra ser só silêncio.
Morgana não tinha se afastado.
Leon também não.
Respiração próxima.
Quente.
Errada.
— Isso aqui vai dar merda — ela repetiu
Mais baixo agora.
Ele não respondeu de imediato.
Só olhou.
De verdade.
Como não devia.
— Já deu — ele disse
Silêncio.
Ela desviou o olhar primeiro.
Mas não o corpo.
Erro.
Leon deu um passo.
Encostou.
Não brusco.
Não suave.
Inevitável.
— Você quase morreu — ele murmurou
A voz não era raiva agora.
Era pior.
Ela sustentou.
— Não foi a primeira vez.
— Mas foi a única que eu não tava lá.
Aquilo ficou.
Pesado.
Errado.
Ela respirou fundo.
— Você não pode sair destruindo tudo por causa disso.
Ele riu.
Sem humor.
— Eu posso.
Mais perto.
— E eu vou.
Silêncio.
Ela ergueu o olhar.
— Isso não é sobre guerra.
Ele inclinou o rosto.
— Nunca foi.
Agora não tinha mais espaço.
De novo.
O mesmo ponto.
Mas diferente.
Mais quente.
Mais bruto.
Ela não recuou.
E isso foi o fim do controle.
A mão dele subiu.
Segurou o rosto dela.
Firme.
Sem hesitação dessa vez.
— Você não pode fazer isso comigo.
A voz saiu baixa.
Quase quebrando.
Ela franziu levemente o cenho.
— Fazer o quê?
Erro.
Ele puxou.
Os lábios se encontraram.
Não foi lento.
Não foi contido.
Foi tudo que ficou preso vindo de uma vez.
Raiva.
Medo.
Alívio.
Um segundo.
Dois.
E já estava deixando de ser controle.
A mão dela subiu no peito dele.
Não pra afastar.
Mas também não pra puxar.
Indecisa.
Perigoso.
E então—
A porta.
Um impacto seco do outro lado.
— Leon.
A voz de Gianni.
Tudo quebrou.
De novo.
Leon se afastou primeiro.
Dessa vez… forçado.
Respiração pesada.
Olhar ainda nela.
Morgana virou o rosto.
Mas não totalmente.
O silêncio voltou.
Mas agora…
carregado de coisa demais.
— A gente não pode fazer isso — ela disse
Baixo.
Ele passou a mão pelo rosto.
Irritado.
— A gente já fez.
Silêncio.
— E isso só piora tudo.
— Eu não me importo.
Resposta rápida demais.
Ela olhou pra ele.
— Eu me importo.
Aquilo acertou.
Direto.
Silêncio.
— Então controla isso — ela disse
Baixo.
— Porque se você perder o controle…
Ela deu um passo pra trás.
Finalmente criando distância.
— eu não vou segurar.
Aquilo não era ameaça.
Era aviso.
A porta bateu de novo.
Mais forte.
— Leon, p***a—
Ele desviou o olhar dela.
Tarde.
Respirou fundo.
E voltou a ser o que precisava.
— Entra.
A porta abriu.
Gianni entrou.
Parou.
Porque viu.
A distância.
O ar.
O jeito que nenhum dos dois olhava direto.
Ele não perguntou.
Mas entendeu o suficiente.
E aquilo…
doeu.