A mansão Gonzales parecia intacta.
Como se nada tivesse acontecido.
Mentira.
O carro parou.
Ninguém falou durante o caminho inteiro.
E o silêncio agora…
era pior.
Gianni saiu primeiro.
Rápido demais.
Como se correr fosse adiantar alguma coisa.
Não adiantava.
Leon contornou o carro.
Abriu a porta dela.
Morgana saiu sem ajuda.
Claro que saiu.
Mas o movimento não foi perfeito.
Pequena falha.
Leon viu.
Não comentou.
Pior.
Ele segurou o braço dela.
Firme.
— Tá sangrando.
— Eu sei.
— Então para de agir como se não estivesse.
Ela puxou o braço.
— Eu não tô.
Silêncio.
Gianni observando.
E aquilo…
era insuportável.
— Isso é culpa minha.
A voz saiu atravessada.
Nenhum dos dois respondeu.
Pior.
Continuaram.
Gianni travou o maxilar.
— Eu falei que é culpa minha, p***a.
Leon parou.
Devagar.
Virou.
O olhar…
pesado.
— E você quer o quê com isso?
Silêncio.
Gianni abriu a boca.
Fechou.
— Eu vou consertar.
Leon riu.
Sem humor.
— Você ainda não entendeu.
Mais perto agora.
— Você não conserta.
Silêncio.
— Você para de estragar.
Aquilo bateu.
Forte.
Gianni não respondeu.
Porque dessa vez…
não tinha defesa.
Morgana interveio.
— Já chega.
Os dois olharam pra ela.
— Ele errou.
Direto.
— Já pagou.
Silêncio.
Leon sustentou.
— Ainda não.
Aquilo ficou.
Pesado.
Mas ele virou.
E entrou.
🩸
Dentro da casa…
o ar mudou.
Mais limpo.
Mais falso.
Morgana sentou.
Só quando precisou.
Gianni ficou parado.
Sem saber onde colocar as mãos.
— Vai buscar o kit — ela disse
Ele não questionou.
Saiu.
Rápido.
Silêncio.
Só os dois.
De novo.
Leon pegou a gaze.
Álcool.
Ajoelhou na frente dela.
Sem pedir.
— Isso vai arder.
Ela deu um meio sorriso.
— Já arde.
Ele começou.
Sem delicadeza.
Mas sem brutalidade.
Focado.
Cuidado… do jeito dele.
Ela observava.
Não o movimento.
Ele.
Silêncio.
— Você não devia ter vindo sozinho — ela disse
Baixo.
Ele nem olhou.
— Eu não vim sozinho.
— Veio.
Silêncio.
— Aquilo não era você pensando.
Ele parou.
Por um segundo.
Ergueu o olhar.
— Era.
Aquilo…
não ajudou.
Ela sustentou.
— Então isso é pior.
Silêncio.
O ar mudou.
De novo.
Ele terminou o curativo.
Mas não se afastou.
Ficou ali.
Muito perto.
De novo.
— Você não vai me afastar disso — ele disse
Baixo.
— Eu não vou tentar.
Ela respondeu.
— Mas você vai se f***r se continuar assim.
Ele deu um meio sorriso.
— Já tô.
Silêncio.
E por um segundo…
de novo…
Mas—
Passos.
— Meu Deus—
A voz veio antes da pessoa.
Anna.
Cabelos ruivos presos de qualquer jeito.
Olhos azuis arregalados.
Ela parou na porta.
E viu.
Morgana ferida.
Leon perto demais.
Gianni voltando atrás dela.
— Que p***a aconteceu?!
Ela foi direto até Morgana.
Ajoelhando ao lado.
— Você tá bem? Isso é sério? Quem fez isso?
Morgana relaxou um pouco.
Quase imperceptível.
— Tô viva.
Anna olhou feio.
— Não é resposta.
Silêncio.
Ela tocou o rosto da amiga.
Cuidado real.
— Você tá pálida.
Gianni desviou o olhar.
Culpa.
Grudada.
Anna percebeu.
— O que você fez?
Direto.
Sem suavizar.
Gianni travou.
— Eu—
— Gianni.
Ela levantou.
Agora olhando direto pra ele.
— O que você fez?
Silêncio.
Ele engoliu seco.
— Eu comecei algo que não devia.
— E sobrou pra ela.
Aquilo não foi pergunta.
Foi conclusão.
Gianni assentiu.
Baixo.
Anna respirou fundo.
Irritada.
Mas mais preocupada.
— Você podia ter matado ela.
Silêncio.
— Eu sei.
E ele sabia mesmo.
Anna voltou pra Morgana.
Mas agora…
olhou de relance pra Leon.
Algo ali.
Estranho.
Sutil.
Mas errado.
Ela não entendeu.
Ainda.
E isso…
era só questão de tempo.