O QUE FICA DEPOIS

615 Palavras
A mansão Gonzales parecia intacta. Como se nada tivesse acontecido. Mentira. O carro parou. Ninguém falou durante o caminho inteiro. E o silêncio agora… era pior. Gianni saiu primeiro. Rápido demais. Como se correr fosse adiantar alguma coisa. Não adiantava. Leon contornou o carro. Abriu a porta dela. Morgana saiu sem ajuda. Claro que saiu. Mas o movimento não foi perfeito. Pequena falha. Leon viu. Não comentou. Pior. Ele segurou o braço dela. Firme. — Tá sangrando. — Eu sei. — Então para de agir como se não estivesse. Ela puxou o braço. — Eu não tô. Silêncio. Gianni observando. E aquilo… era insuportável. — Isso é culpa minha. A voz saiu atravessada. Nenhum dos dois respondeu. Pior. Continuaram. Gianni travou o maxilar. — Eu falei que é culpa minha, p***a. Leon parou. Devagar. Virou. O olhar… pesado. — E você quer o quê com isso? Silêncio. Gianni abriu a boca. Fechou. — Eu vou consertar. Leon riu. Sem humor. — Você ainda não entendeu. Mais perto agora. — Você não conserta. Silêncio. — Você para de estragar. Aquilo bateu. Forte. Gianni não respondeu. Porque dessa vez… não tinha defesa. Morgana interveio. — Já chega. Os dois olharam pra ela. — Ele errou. Direto. — Já pagou. Silêncio. Leon sustentou. — Ainda não. Aquilo ficou. Pesado. Mas ele virou. E entrou. 🩸 Dentro da casa… o ar mudou. Mais limpo. Mais falso. Morgana sentou. Só quando precisou. Gianni ficou parado. Sem saber onde colocar as mãos. — Vai buscar o kit — ela disse Ele não questionou. Saiu. Rápido. Silêncio. Só os dois. De novo. Leon pegou a gaze. Álcool. Ajoelhou na frente dela. Sem pedir. — Isso vai arder. Ela deu um meio sorriso. — Já arde. Ele começou. Sem delicadeza. Mas sem brutalidade. Focado. Cuidado… do jeito dele. Ela observava. Não o movimento. Ele. Silêncio. — Você não devia ter vindo sozinho — ela disse Baixo. Ele nem olhou. — Eu não vim sozinho. — Veio. Silêncio. — Aquilo não era você pensando. Ele parou. Por um segundo. Ergueu o olhar. — Era. Aquilo… não ajudou. Ela sustentou. — Então isso é pior. Silêncio. O ar mudou. De novo. Ele terminou o curativo. Mas não se afastou. Ficou ali. Muito perto. De novo. — Você não vai me afastar disso — ele disse Baixo. — Eu não vou tentar. Ela respondeu. — Mas você vai se f***r se continuar assim. Ele deu um meio sorriso. — Já tô. Silêncio. E por um segundo… de novo… Mas— Passos. — Meu Deus— A voz veio antes da pessoa. Anna. Cabelos ruivos presos de qualquer jeito. Olhos azuis arregalados. Ela parou na porta. E viu. Morgana ferida. Leon perto demais. Gianni voltando atrás dela. — Que p***a aconteceu?! Ela foi direto até Morgana. Ajoelhando ao lado. — Você tá bem? Isso é sério? Quem fez isso? Morgana relaxou um pouco. Quase imperceptível. — Tô viva. Anna olhou feio. — Não é resposta. Silêncio. Ela tocou o rosto da amiga. Cuidado real. — Você tá pálida. Gianni desviou o olhar. Culpa. Grudada. Anna percebeu. — O que você fez? Direto. Sem suavizar. Gianni travou. — Eu— — Gianni. Ela levantou. Agora olhando direto pra ele. — O que você fez? Silêncio. Ele engoliu seco. — Eu comecei algo que não devia. — E sobrou pra ela. Aquilo não foi pergunta. Foi conclusão. Gianni assentiu. Baixo. Anna respirou fundo. Irritada. Mas mais preocupada. — Você podia ter matado ela. Silêncio. — Eu sei. E ele sabia mesmo. Anna voltou pra Morgana. Mas agora… olhou de relance pra Leon. Algo ali. Estranho. Sutil. Mas errado. Ela não entendeu. Ainda. E isso… era só questão de tempo.
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