Quando Ficar Vira Saudade Adrian observava Lúcia dormir. A casa estava em silêncio, quebrado apenas pelo som distante dos grilos e pelo ritmo calmo da respiração dela, deitada no sofá, encolhida de lado, o cabelo espalhado pelo travesseiro como se tivesse sido deixado ali sem intenção alguma. Ela não dormia na cama com ele — nunca dormira — mas, ainda assim, a presença dela preenchia todos os espaços. Ele estava acordado havia algum tempo. A perna já não doía como antes. O corpo respondia melhor. Ele já conseguia andar sem a muleta, com cuidado, mas sozinho. Já se virava. Já não precisava que ela levantasse de madrugada para os remédios. E, mesmo assim, aquela constatação não trazia alívio. Trazia medo. Porque ele sabia. Aquilo estava acabando. Pensou em como tinha se acostumado co

