Carina A luz da manhã começava a invadir o apartamento pelas frestas das cortinas. Estava tudo em silêncio, exceto pelo som abafado da cidade despertando lá fora. Dante se movia com precisão, como sempre. Vestia a camisa branca, ainda com os botões abertos, revelando o peito marcado, e o paletó jogado sobre o ombro. Mesmo àquela hora, ele parecia pronto para a guerra. Talvez estivesse. Sentada no sofá, envolta em um lençol que ainda guardava o calor da noite passada, eu o observava em silêncio. A atmosfera ainda carregava o cheiro do desejo, da tensão, da loucura que tínhamos cometido. Eu não sabia como respirar direito, não sabia onde tinha deixado minha sanidade. Tudo que eu conseguia pensar era: "Eu me entreguei ao homem que jurei destruir". O celular dele tocou. Um toque curto, dire

