Alec Beaumont
É, definitivamente está acontecendo algo que não deveria.
Eu estou perdidamente atraído pelo meu chefe.
Mas quem não estaria? Né verdade?
Ele é bonito, inteligente, trabalha, e ainda por cima tem um coração de ouro, e nem precisa o conhecer a fundo para ver isso, só poucas horas na sua companhia e você ver o homem especial que ele é.
Subo rápido as escadas e entro no meu quarto, olho ao redor e solto um suspiro, passo as mãos pelos meus cabelos e penso no sorriso de Igor. Mas logo uma dor forte atinge meu peito, fico sem ar por alguns segundos e caio de joelhos no chão, soltando uma tosse forte. Tento respirar, mas isso é uma coisa difícil no momento, levo uma mão ao meu peito e a outro tento me segurar para não ir de cara no chão, fico ali tentando controlar minha respiração pelo que parece horas, mas aos poucos minha respiração vai normalizando, inspiro e expiro várias vezes, até que a dor no peito vai sumindo. Sento-me no chão e apoio minhas costas na porta atrás de mim.
- O que merda foi isso? -Falo baixinho, minha voz saindo baixa e rouca.
Respiro forte e passo alguns minutos ainda ali. Mas logo lembro do jantar, com um pouco de dificuldade me levanto do chão e sigo rumo ao banheiro, retiro toda a minha roupa e vou para debaixo do chuveiro, a água caindo por todo meu corpo dolorido pelo esforço de voltar a respirar.
Penso várias possibilidades, muitos pensamentos ruins a respeito do que acabou de acontecer. Não é possível que eu esteja morrendo logo agora que minha vida está finalmente tomando um rumo legal.
Saio do banho, me seco e visto uma roupa qualquer, não vou pensar nisso agora, depois que eu estiver mais estabilizado na minha vida financeira, eu procuro um médico. Arrumo meus cabelos de qualquer jeito e saio do quarto indo em direção a sala de jantar, assim que entro vejo a bagunça de várias crianças conversando e se servindo, Alicia uma menina super linda e gentil tenta pegar um pouco da comida na travessa, mas está um pouco longe, a ajudo e ela sorri para mim.
- Obrigada Tio.
- De nada querida. - Olho ao redor e procuro por um lugar vazio na grande mesa que tem espaço para mais de 50 pessoas, o que sempre me faz perguntar onde compraram essa mesa, mas tenho minha suspeita que foi encomendada, informação desnecessária, mas ok. Vejo um lugar vazio, e adivinha onde? Isso mesmo ao lado do homem que vem mexendo com a minha linda cabeça. Lhe dirijo um sorriso e me sento ao seu lado. Mesmo que as crianças ocupem apenas uns 20 acentos, mas quis me sentar ao seu lado mesmo assim, e não porque quero estar ao lado dele, mas sim porque os outros lugares vazios estão muito longe, melhor não gastar muito energia.
Me sirvo e começo a comer, escutando as conversas animadas de todos.
- Tio Alec, você tem namorada ou namorado? - Quase me engasgo com o suco que estava tomando, procuro por João, no pequeno rebelde que me perguntou isso. Sorrio para ele e quando ia o responder Igor fala antes de mim.
- João, que modos são esses? - Vejo o pequeno menino se encolher um pouco em sua cadeira, e Igor suspira, todos na mesa ficando em silêncio. Aperto sua mão por cima da mesa, tentando dizer que está tudo bem, e sinto minha mão suar com o contato, e as separo lhe dando um sorriso tranquilizador, e olho para João.
- Está tudo bem, querido. Eu não tenho ninguém não. - Sorrio para o pequeno que me olha com sua carinha fofa.
- Desculpe Tio, só fiquei curioso. - Ele fala baixinho e olha para as pequenas mãos.
- Não se desculpe. Volte a comer, está tudo bem. - Ele ainda parece estar um pouco triste pela bronca de Igor.
- João, olhe para mim. -Igor fala. E mesmo que timidamente, o menino o faz. - Desculpa o Tio, não quis ser grosso com você, mas algumas pessoas não gostam quando se metem na vida delas assim.
- Entendi, vou me comportar. Prometo. - Fala mais animado agora.
- E você pode me perguntar o que quiser, ok? Não vou brigar. -Falo e pisco para ele, que retribui, piscando seus pequenos olhinhos. Acabo rindo e todos acompanham. - Certo, voltem a comer crianças.
- Desculpa se ele se intrometeu demais. - Igor fala baixinho ao meu lado e todos os meu pelos se arrepiam. Olho para ele e nossos rostos ficam bastante próximos um do outro.
- Não tem problema. - Ele fica me encarando por alguns segundos, até que somos interrompidos.
- Vocês vão namorar? - Nos afastamos rápido e olhamos em direção da voz, vendo João com os olhos arregalados e com as mãos tapando a boca. - Desculpa, eu...não disse nada. Igor suspira.
-Você não tem jeito pequeno João. O que faço com você?
- Me dar colo? Porque eu gosto do carinho do senhor Tio Igor. -Ele faz uma carinha inocente e super fofa.
- A Deus, essa criança, como posso brigar com você? -Igor fala divertido. Todos riem.
- Não tem como Tio, ele consegue amolecer o coração de qualquer um com essa carinha de inocente. - Duda fala, passando a mão nos cabelos de João que está sentado ao seu lado.
-Tem razão Duda.
Voltamos a comer, sem mais comentários por parte de João, desde o primeiro dia que vim aqui, eu sabia que ele era o que mais dava trabalho, sempre brincalhão e bagunceiro, mas é impossível não amar esse pequeno.
Depois que todos terminam de jantar, vamos em direção a sala de cinema, onde eles sempre assistem algum desenho antes da hora de dormi, antes que possamos sair da sala, Igor já se despede de todos, dando beijos e abraços em alguns, e assim todos partem para a sala.
- Até amanhã Alec. - Já estava na porta que dava para o longo corredor. Olho para trás e vejo ele vindo em minha direção, ficando de frente comigo. - Amanhã quero conversar sobre uma nova proposta de emprego para você.
- Está pensando em me tirar daqui? -Pergunto um pouco preocupado. Não quero ter que trabalhar em outro lugar e nunca ter tempo para vir aqui.
- Amanhã conversamos melhor, você precisa descansar. E não se preocupe, terá tempo para as crianças também. - Mordo meus lábios, tentando não ficar nervoso.
- Ok, nos falamos amanhã. Boa noite, Igor.
- Boa noite Alec. - Então ele passa por mim, saindo no longo corredor indo em direção a porta, mas seu cheiro gostoso ficou para trás, um cheiro doce e único. Vejo ele sumir pela porta e me viro, subindo as escadas, Marina vai cuidar das crianças e colocá-la na cama depois do filme, então subo direito para o meu quarto, me jogando na cama.
É loucura demais. Não posso pensar em Igor assim. Ele é meu chefe, o homem que me salvou, me proporcionou uma chance de vida melhor, e o que estou fazendo? Fantasiando um romance com o homem, sinto meu corpo doer, ele nunca olharia para mim com outros olhos, como ele mesmo disse, ele só gosta de ajudar, não sou importante, sou só um homem a qual ele ajudou.
Uma semana, uma maldita semana foi o suficiente para eu não conseguir tirar ela da minha cabeça. Apenas uma fodida semana.
O sorriso não sai da minha mente, a voz grave e baixa quando está concentrado e me pede algo, aquela voz ainda vai me colocar aos pés dele. Basta um olhar e quero que ele me beije, nunca me senti assim, nunca quis tanto um homem assim na minha vida, ainda mais depois do que Arthur fez a minha vida.
Arthur foi o único homem que eu desejei, mas parece que com Igor é algo totalmente diferente do que apenas desejo, eu só não sei o que é.
E ao mesmo tempo que quero descobrir, eu tenho medo, medo de que tudo isso não passe de uma ilusão b***a da minha cabeça, que eu me decepcione de novo, é difícil acreditar no amor quando seu coração foi quebrado e esmagado de uma maneira tão horrível, e ainda teve sua i********e mostrada para centenas de pessoas.
Mas porque merda eu estou falando de amor? O que sinto não é só uma atração?