Quando papai nos buscou na casa de Mike, ele não estava mais com a Cath, pois ela havia ficado no hospital com o London.
- Como ele está, papai? - May perguntou assim que entramos no carro.
- Ele vai ficar bem, meu amor. Não se machucou muito, apenas teve um corte na cabeça e machucou um pouco o braço, mas nada grave, talvez amanhã ele já receba alta.
- Queria vê-lo. - Falei tristemente ao lembrar que no dia seguinte eu voltaria para a casa de mamãe.
- Quando vocês vierem no final de semana, vocês falam com ele, ok?
May e eu acenamos a cabeça positivamente.
Voltamos para a casa de papai, e assim que chegamos, ele ligou para a Cath para saber como eles estavam e se precisavam de algo.
Quando papai desligou a ligação, já foi logo nos mandando tomar banho, saimos correndo em direção ao banheiro e tomamos banho com o auxílio de papai, depois colocamos os nossos pijamas e ficamos um pouco brincando, às vezes ele até parecia criança, porque era tão divertido, brincava com a gente e sempre nos fazia rir.
(...)
Catherine
Eu estava destruída, dilacerada… Há três anos e meio eu perdi minha mãe, e há dois anos eu perdi o meu pai e agora a minha irmã… Por que, meu Deus, por quê? A Carlinha e o London eram minha única família, agora só restou meu sobrinho, e ele era tão pequeno e já conheceria a dor de perder os pais, nenhuma criança deveria passar por isso, e agora ele não tinha mais ninguém no mundo, só eu. Eu teria que ser pai e mãe dele. London ainda não sabia da morte dos pais, desde que eu havia chegado no hospital, ele estava dormindo, e eu estava tentando reunir coragem para contar para ele, ah, como dizer para uma criança que ela jamais voltará a ver os pais? Como se diz isso? Pra um adulto já é algo terrível, agora pra uma criança… E eu ainda tinha que preparar todas as coisas do velório, ah, era tanta coisa para pensar…
Eu entrei no quarto em que meu sobrinho estava e pela primeira vez desde o acidente, eu o vi acordado.
- Tia?
- Oi, meu amor. - Forcei um sorriso e me aproximei dele.
- Onde estou? - Olhou assustado para os lados.
- Em um hospital.
- O que aconteceu?
- Você sofreu um acidente de carro.
- Ah, sim… Verdade… - Pensou um pouco. - E cadê os meus pais? Estão aqui também?
- Não, meu amor. - Peguei em sua pequena mão e a acariciei enquanto ele me olhava preocupado.
- O que aconteceu, tia? Cadê eles?
- Então, meu amor… - Suspirei fundo. - Como digo isso, meu Deus? - Logo voltei a olhar para o menino, que aguardava que eu dissesse algo. - Sabe, seus pais sempre foram pessoas incríveis, e Papai do Céu resolveu que queria ter eles pertinho Dele.
- Meus pais morreram? - Ficou com a voz embargada e lágrimas começaram a rolar por seu rosto.
Comecei a chorar novamente e acenei positivamente com a cabeça.
- Eu nunca mais vou vê-los?
- Claro que vai! Nas suas lembranças, e… E sempre que você quiser podemos ver aqueles vídeos dos seus aniversários. E… Eles sempre estarão vivos aqui. - Coloquei a mão no peito (do lado do coração) do menino.
London começou a chorar e me abraçou, fazendo eu chorar mais e mais. Ah, agora eu era tudo o que ele tinha e ele era tudo o que eu tinha, seríamos a família um do outro. Eu não pensava em ter filhos no momento, mas eu faria o que fosse preciso para ser uma figura materna para ele.
(...)
No dia seguinte, London recebeu alta. Carter nos buscou no hospital, mesmo eu dizendo que não era necessário.
London foi o caminho todo em silêncio, não disse uma palavra sequer, e isso estava me partindo o coração, detestava ver uma criança triste.
Quando chegamos em casa, eu perguntei para o meu sobrinho o que ele gostaria de comer, mas ele disse estar sem fome, ah, eu não sabia o que fazer.
Carter não saiu do meu lado um minuto sequer e me ofereceu apoio no que eu precisasse, ele estava sendo um grande amigo.
- Tio, cadê a Chloe e a May? - Perguntou o menino após inúmeros minutos de silêncio.
- Estão na casa delas, mas no final de semana elas virão e dai vocês brincam, ok? - Disse Carter com toda a suavidade do mundo.
O menino em silêncio, apenas acenou positivamente com a cabeça. Enquanto ele assistia desenho (assistia é modo de dizer, pois a TV estava ligada e ele não estava prestando atenção em nada), eu resolvi ir com Carter até a cozinha, para que London não nos escutasse.
- Carter, eu não queria abusar de você, mas eu preciso resolver as coisas do enterro… - Comecei.
- Claro… Quer que eu fique com ele até você voltar?
- Se importa?
- Hey, é claro que não. Pode ir, eu fico com ele, não se preocupa.
- Obrigada. Mesmo.
- Magina, pode sempre contar comigo. - Falou meio tímido.
- Valeu!
Avisei London que eu precisaria sair para resolver uns assuntos e que Carter ficaria com ele, e o menino não se importou, gostava bastante do homem e também ele estava tão triste, que nem conseguiria reclamar de algo. Ah, nenhuma criança deveria conhecer essa dor.
(...)
Eu resolvi todos os trâmites necessários. Eu resolvi não fazer velório, já que os poucos parentes vivos do meu cunhado eram de outro estado e não conseguiram vir, e minha irmã não tinha mais ninguém além de mim e de London, então achei melhor nos poupar desse sofrimento. Faríamos só enterro, e algo extremamente simples.
Quando eu voltei pra casa, notei um imenso silêncio e notei que os dois não estavam na sala, onde os deixei quando sai. Fui até a cozinha e nada. Em seguida, fui até o quarto e vi os dois dormindo em minha cama. Sorri ao vê-los. London dormia abraçado em Carter e com a cabeça em seu peito. Tossi levemente e acordei Carter, que dormia profundamente.
Com cuidado e muita delicadeza, ele tirou a cabeça de London de seu peito, e ele nem fez menção em acordar.
- Como foi? - Perguntei ao me dirigir até a sala, e sendo seguida pelo homem.
- Tudo tranquilo. Ele chorou um pouco, o que me partiu o coração, mas tentei distraí-lo, brincamos um pouco, li um livro para ele, como faço com as meninas, e ele acabou dormindo, acho que estava cansado.
- Tadinho!
- E conseguiu resolver tudo?
- Sim! Farei só o enterro, que será amanhã, e… Eu não sei se o London vai querer ir junto.
- Se ele não quiser, eu fico com ele, não se preocupa.
- Obrigada. Mas… Caso ele queira ir se despedir dos pais, eu… Hã… Gostaria muito que você estivesse comigo.
- Hey, é claro que sim. - Me abraçou delicadamente. - Conta comigo para o que você precisar, viu?
- Obrigada, Carter. Obrigada mesmo.