Eles Estão Mortos!

1063 Palavras
No dia seguinte, eu já acordei um pouco melhor, infelizmente, e para meu azar, papai percebeu assim que tirou a minha temperatura. - Agora que você está melhor, infelizmente terão que voltar pra casa. - Não, papai. - Comecei a chorar. - Eu ainda estou doente. - Forcei uma tosse. - Não nos leva, por favor. - O abracei aos prantos. - Eu estou doente, eu ainda não melhorei, ainda estou doente, sei que estou, deixa a gente ficar aqui, por favor? - Solucei de tanto chorar. - Oh, meu amor, não faça isso comigo. - Me abraçou apertado, mas não o suficiente para machucar. - Eu prometo que vou entrar de novo na justiça pedindo a guarda de vocês, mas isso demora um pouco, então vou precisar que você seja paciente, ok? - Ok! - Tentei conter o choro. - Mas por favor, deixa a gente ficar aqui só mais hoje, por favor. - Vou ver com a mãe de vocês, ok? May e eu sorrimos e acenamos a cabeça positivamente. Papai ligou para a nossa mãe, e pediu para ficarmos mais um dia em sua casa, ela não queria deixar, queria que a gente voltasse para aquele inferno que ela chama de casa, mas papai prometeu que no dia seguinte nos levaria para a escola, mamãe acabou autorizando. - Meus amores… - Pegou na minha mão e na de May. - Hoje vocês ficarão aqui, mas amanhã aconteça o que acontecer, terei que levar vocês pra escola, combinado? May acenou a cabeça tristemente. - Combinado! - Falei meio contrariada. Eu não queria ter que voltar pra casa, mas pelo menos havia ganhado mais um dia com papai e queria aproveitar ao máximo, ainda mais agora que eu já estava melhor. Pela manhã ficamos em casa brincando com papai, e à tarde ficamos na pracinha do condomínio. Pouco depois que voltamos pra casa, a campainha tocou. Papai abriu a porta e Cath o abraçou aos prantos, estava tremendo muito e não parava de chorar, May e eu nos olhamos sem entender o que estava havendo. - Cath? O que houve? - Papai perguntou preocupado. - Hã… A… O… - Ela não conseguia nem falar direito. - Entra, senta aqui. - Papai a ajudou a sentar no sofá. - Querida, pega um copo de água, por favor? Corri até a geladeira, peguei a jarra de água, que era de plástico e peguei um copo que estava no secador de louças, porém o copo que estava um pouco molhado, acabou caindo da minha mão e quebrou, lembrei de quando mamãe me bateu por ter quebrado um pote de vidro e comecei a chorar. Todos me olharam sem entender. - Desculpa, desculpa. - Falei aos prantos, e papai veio em minha direção. - Não me bate, não me bate. - Me escondi atrás da mesa. - Hey filha, que história é essa? Eu já te bati alguma vez? Muito assustada, eu neguei com a cabeça. De fato papai nunca havia encostado um dedo na gente, e ele dizia o quanto é errado bater nas pessoas, e sempre nos falava que se algum colega nos incomodasse era para conversarmos com a professora, mas bater jamais, porque não é legal e dói, e que ninguém tem direito de ferir o corpo de ninguém. - Vem cá… - Estendeu a mão para mim, e eu fui vagarosamente até ele. - Está tudo bem, viu? Eu vou limpar isso aqui, não foi nada. - Limpou as minhas lágrimas. - Vai lavar esse rostinho. Sai correndo para o banheiro para lavar o rosto, enquanto papai juntava os cacos de vidro, e ele pediu para que May servisse água para Cath, porém, em um copo de plástico, e assim minha irmã fez. May deu o copo com água para Cath, que bebeu um pouco, colocando em seguida o copo em cima da mesinha de centro. - Está mais calma? - Papai perguntou. - Quer me contar o que aconteceu? - A minha irmã… Ela… Ela e o marido… Os pais do London… Eles… - O que aconteceu? - Papai questionou bastante preocupado. - Eles sofreram um acidente de carro. Eles… Eles estão mortos. - Abraçou o meu pai aos prantos. Quê? Como assim? Os pais do London haviam morrido? Ai, tadinho! Ele deve estar arrasado. Pena que não foi a mamãe que morreu. Eu queria que tivesse sido. Ah, tadinho do meu amigo… - Mas como assim? - Papai perguntou surpreso. - O que houve? - Acidente de carro. O London estava com eles, foi o único que sobreviveu. - E cadê ele, tia Cath? - Perguntei. - Está no hospital, meu amor. - Me olhou com os olhos úmidos. Logo se voltou para papai. - Eu preciso ir vê-lo, gostaria muito que você fosse comigo - Claro, vou sim… Só preciso pensar onde deixar as meninas. - Podemos ficar na casa do Mike? - Perguntei. - Claro, boa ideia. Vou ligar para a mãe dele. Papai ligou na mesma hora para a mãe do meu amigo, que não demorou muito para atender, e sem pensar, permitiu que ficássemos em sua casa. Papai levou May e eu até a casa do Mike e depois seguiu com a tia Cath para o hospital. Eu estava muito preocupada com o meu amiguinho, diferente de mim, ele amava os pais, não merecia isso. Eu comentei com Mike o que havia acontecido, e ele ficou muito triste pelo meu amigo mesmo sem conhecê-lo. - Vai ficar tudo bem, você vai ver. - Ele disse. - Tomara que sim! - Dei um sorriso de canto de boca. - Vamos brincar? Assim você se distrai, não gosto de te ver triste, você tem um sorriso tão bonito. - Obrigada. - Dei um leve sorriso com as palavras do garoto. - Assim fica bem melhor. - Sorriu também. Mike e eu ficamos brincando de jogo da memória em meu quarto, enquanto May brincava com o irmãozinho do meu amigo. - Chloe, porque você não foi à aula hoje e nem ontem? - Perguntou enquanto jogávamos. - Hã… Eu estava doente. - O que você tinha? - Febre. - Ah… E agora já melhorou? - Aham. - Respondi ao acenar positivamente com a cabeça. - Que bom! - Sorriu, me fazendo sorrir também. Mike e eu ficamos brincando até papai nos buscar, o que demorou algumas horas para acontecer.
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