A minha cabeça doía muito e eu também estava com um pouco de dor de barriga, papai chamou um médico para me examinar e ele disse que aparentemente eu não tinha nada demais e que deveria ser alguma virose, e me receitou um remédio. Ai, eu estava sentindo muito sono e frio.
- Querida, eu vou à farmácia comprar o remédio que o doutor receitou, e na volta, você toma o remédio, depois vai tomar um banho pra ver se a febre baixa e dai pode ficar o resto do dia abafadinha vendo desenho, ok?
Acenei positivamente com a cabeça.
- Vamos ficar sozinhas até você voltar, papai? - May perguntou.
- Claro que não, meu amor. Vou pedir pra Cath ficar com vocês.
Papai foi até a casa da tia Cath, que ficava em nosso prédio, e poucos segundos depois, retornou com ela, que entrou apressadamente em nossa casa, vindo até mim.
- Oi, meu amor. Como você está?
- Com dor de cabeça. - Respondi quase sem força.
- Ela está doente, mas já, já fica boa. - Disse May ao se aproximar de Cath.
- Claro que sim, pequena. E você? Está bem? - May acenou positivamente com a cabeça.
- Posso ir lá? - Papai perguntou.
- Claro, pode ir, eu fico com elas.
Papai saiu e segundos depois eu apaguei.
(...)
Assim que acordei, vi tia Cath montando um quebra-cabeça com May na mesinha de centro, próximas a mim. Acho que não devo ter dormido muito, pois papai não havia voltado ainda, no entanto, em seguida ele chegou.
- Tudo certo? - Ele perguntou.
- Aham. Ah, acordou? - Falou ao notar que eu já tinha despertado. - Ela dormiu desde a hora que você saiu até agora.
- Obrigado, Cath. - Largou umas sacolas em cima da mesa e se aproximou da mulher. - Você está sendo incrível, não é à toa que as meninas te adoram.
- E você também, né papai? - May perguntou, deixando nosso pai meio envergonhado.
- É…. Hã… Se você quiser ir…
- Não, fica Cath. - Peguei na mão da mulher, que me olhou meio sem saber o que fazer.
- Bom, se você quiser ficar… Por mim… - Papai disse dando de ombros.
- Ok, eu fico mais um pouco. - Falou, arrancando um sorriso meio tímido do meu pai.
- Bom, mocinha, eu comprei um remedinho pra senhorita tomar. - Se dirigiu até as sacolas.
- Papai, eu odeio remédio, tem gosto r**m.
- Eu sei, meu amor! Mas é pro teu bem, pra você melhorar logo.
‘’Mas eu não quero melhorar.’’ - Pensei.
Eu queria ficar doente pra sempre, ou pelo menos até ter uns 12 ou 13 anos e poder escolher ficar com papai, porque se eu melhorasse, teríamos que voltar pra mamãe, e eu não queria isso.
Papai foi até as sacolas, pegou um remédio e veio até mim, ele insistiu para que eu tomasse, mesmo eu dizendo que não queria. Papai falou que não costuma nos obrigar a fazer aquilo que não queremos, porque isso é errado, mas que no caso do remédio era para o meu bem, para eu poder melhorar, pois ele não gostava de me ver doente, então, para não deixar o papai triste ou chateado, eu acabei tomando.
- Obrigada, meu bem. - Me deu um beijo no rosto. - Agora vamos tomar banho?
- Papai, estou sem forças. - Falei, fazendo um certo drama para tentar escapar do banho.
- Eu te ajudo! Vem!
- Não! - Olhei para Cath. - Me ajuda a tomar banho?
Tia Cath olhou para o papai meio sem saber o que dizer, e ele apenas consentiu com a cabeça. Logo, ela se virou para mim, e disse:
- Claro, meu bem. Vem cá!
Tia Cath me pegou no colo, pois eu m*l tinha forças para caminhar e então, ela me ajudou a tomar banho. Ah, me lembrei tanto da Sammy, pois as duas eram tão boazinhas, bem que a tia Cath podia se casar com o meu pai para ser minha nova mamãe, eu adoraria se isso acontecesse.
- Cath, você tem namorado? - Perguntei enquanto ela lavava meu cabelo.
- Não, por que, querida?
- E não pensa em ter? Eu conheço um solteiro lindo e legal, que tem duas filhas super bacanas e mora nesse prédio, sabia?
- É mesmo? - Passou o condicionador em meu cabelo. - E por acaso, esse solteiro se chama Carter?
- Talvez. - Dei de ombros, e me virei para ela. - Você não tem namorado, ele também não tem namorada, eu acho que vocês fariam um lindo casal.
- Oh, pequena… Quem sabe um dia…
Após terminar de me dar banho, ela me ajudou a me vestir, e depois me colocou na cama para eu descansar. Papai havia feito uma sopa deliciosa, e levou até o meu quarto e me ajudou a comer, acho que ficar doente têm mais vantagens do que eu imaginava.
Depois de terminar a sopa, pedi para que Cath ficasse comigo e ela concordou rapidamente, já papai ficou na sala brincando com a May.
- Querida, por que você não quis que o teu pai te desse banho e ficasse aqui com você?
- Eu amo o meu pai mais que tudo, mas… Eu pedi para que você fizesse essas coisas porque gosto de sentir mesmo que por um pouquinho, que eu tenho uma mãe que cuida de mim.
- Oh, meu amor. - Me abraçou. - E a sua mamãe? Ela não faz essas coisas?
- Não! - Falei tristemente.
- É, tem gente que não merecia ter filhos… Se eu fosse mãe de vocês, eu seria a mulher mais feliz do mundo, e daria todo o meu amor para vocês.
- Então se casa com o meu pai, eu ia adorar que você fosse minha mãe, e sei que a May também.
- Oh, querida, não é tão simples, não é assim que as coisas funcionam, para duas pessoas se casarem…
E nisso, eu apaguei.