Eu estava dormindo quando tive um pesadelo muito f**o. Sonhei que papai me machucava que nem aqueles amigos da mamãe, eu chorava muito e dizia que eu achei que ele me amasse, que nunca fosse me machucar, ele ria e seguia me machucando. Eu comecei a chorar e gritar desesperada, nisso eu acabei acordando.
Papai entrou assustado em meu quarto.
- Filha, filha, o que houve? - Se aproximou de mim. - Foi só um pesadelo, querida. - Fez menção em me abraçar.
- Me solta, me solta, não encosta em mim. - Comecei a bater nele, que se assustou com a minha reação.
- Ok, não encosto. - Se afastou. - Mas calma, me conta o que houve? Qual o pesadelo da vez? Foi comigo?
Em silêncio, acenei a cabeça positivamente.
- Quer me contar?
Neguei com a cabeça.
- Tudo bem, então. Mas se depois, você quiser me falar, eu vou adorar saber. - Acariciou meu rosto, e eu recuei, evitando seu toque.
Nisso, vi que a cama estava molhada. d***a! De novo! Sempre que eu tinha esses pesadelos, acordava com a cama molhada, não aguentava mais isso, eu já tinha 7 anos, não era bebezinho pra ficar fazendo xixi na cama, e a última vez que eu havia feito (antes de ter esses pesadelos) foi com uns 3 anos, e eu já estava grande pra isso, mas… Eu não sei o que acontecia, eu ia ao banheiro antes de dormir, mas não conseguia controlar a minha bexiga, sempre que eu tinha esses sonhos feios, acabava fazendo xixi na cama.
Olhei para o papai meio envergonhada, e ele também notou a cama molhada.
- Filha, eu não fico bravo ou chateado de você fazer xixi na cama, e não importa quantas vezes você faça, eu sempre vou limpar, mas eu fico preocupado com isso, sempre que você tem pesadelo, isso acontece. Quer me contar o que está havendo?
- Nada. - Falei meio ríspida, pois ainda estava assustada por conta do pesadelo.
- Ok… - Falou meio chateado. - Quer ajuda para se trocar?
- Não, eu consigo sozinha.
- Tudo bem. Mas então, se arruma no banheiro, enquanto eu troco a roupa de cama.
Peguei uma roupa limpa e fui até o banheiro. Troquei de roupa e coloquei a suja no cesto de roupa suja. Tentei conter as lágrimas, mas foi inevitável, de repente elas começaram a cair, me abaixei, me pondo a sentar no chão e desabei a chorar, porém, tentei não fazer barulho para papai não escutar.
- Eu te odeio, eu te odeio. - Falei ao pensar na mamãe.
Eu estava tão assustada e sem saber o que fazer. Eu odiava a minha mãe, e agora tive esse sonho f**o com papai, e se eu ficasse com ele e ele também me machucasse? Papai nunca encostou um dedo na gente, pelo contrário, sempre dizia que essas coisas estão erradas, e que ninguém pode nos tocar dessa forma, mas o sonho… Parecia tão real, e… E se todos os homens (incluindo papai) fossem capazes de algo assim? Não, eu não queria pensar nisso, meu pai é meu herói, eu o amo mais que tudo, acho que eu morreria se ele me machucasse também. Ouvi papai perguntando se estava tudo bem, limpei as lágrimas, respondi que ‘’sim’’, lavei o rosto e sai do banheiro.
Papai estava sentado no sofá da sala e May ainda dormia. Parei na porta do banheiro e fiquei encarando-o enquanto me perguntava se ele seria capaz de algo assim, meu coração dizia que não, mas minha cabeça… Ah, ela estava tão confusa…
- Está tudo bem, meu amor?
Ele era tão carinhoso, diferente da mamãe, e ele brincava com a gente, ria das nossas palhaçadas, nos levava para passear, nos dava amor e carinho, contava histórias pra gente dormir, e se preocupava conosco, apesar de estar muito confusa, resolvi escutar o meu coração, papai diz que ele nunca nos engana.
- Está sim. - Respondi.
- Que bom, querida!
- Papai, eu não quero voltar pra casa. Deixa a gente ficar aqui, pode dizer que nós fugimos, prometo que ficamos quietinhas aqui e não incomodamos.
- Oh, meu amor… Vocês nunca me incomodam. Mas se eu fizer isso, mais cedo ou mais tarde, vão descobrir, e se isso acontecer, posso perder o direito de ver vocês. Entende?
Acenei a cabeça positivamente.
Eu entendia, mas mesmo assim, não queria voltar pra casa, porque eu sabia que quando eu voltasse, o pesadelo recomeçaria, e eu não queria isso.
Fiquei vendo desenho com papai enquanto May dormia. Deitei no sofá e coloquei minha cabeça no colo do meu pai, que ficou me fazendo cafuné, seu carinho estava tão bom, que acabei dormindo.
(...)
Não sei por quanto tempo eu dormi, mas quando acordei vi que papai não estava mais no sofá, ouvi a voz dele e de May, e notei que May estava tomando café, enquanto papai preparava um suco para minha irmã.
- Ah, acordou? Eu já ia te chamar, vem tomar café pra eu levar vocês pra escola.
- Papai, estou com muita dor de cabeça. - Falei.
- Ah, é, meu amor? - Se aproximou de mim. - Você está suando! - Colocou a mão em minha testa. - Você está ardendo em febre.
- A Chloe está doente? - May perguntou soando preocupada.
- Está sim, meu bem, mas ela vai ficar boa, não se preocupa. - Pensou por um instante. - Não posso te levar pra escola assim.
- Posso ficar aqui até eu melhorar? - Perguntei.
- Vou ligar e falar com sua mãe, ok? - Acenei positivamente com a cabeça.
Papai ligou para mamãe e disse que eu estava com febre e que não teria como me levar para a escola, mamãe pediu para que ele nos levasse para casa, então, mas papai praticamente implorou para que a nossa mãe deixasse a gente ficar com ele, pelo menos até eu melhorar, no começo ela foi super contra, mas papai acabou convencendo ela, para nossa alegria, acho que eu não queria melhorar nunca.