- Se divertiram hoje? - Papai perguntou ao nos colocar para dormir.
- Muito! - Respondi.
- Demais! - Falou minha irmã.
- Que bom, meus amores. - Nos deu um beijo na cabeça.
- Papai, eu adoro a tia Cath. - Falei. - Vocês bem que podiam namorar, né? E daí ela podia vir morar aqui e podia ser nossa nova mamãe, e poderíamos vir morar com vocês. O juiz não diz que as filhas devem ficar com as mães? Então… Ficaríamos, mas com a nossa nova mãe e com você.
- Oh, meu amor… - Acariciou meu rosto. - Não é tão simples assim. E a Cath e eu somos apenas amigos.
- Claro, ninguém nasce namorando, né papai? Primeiro tem que ser amigos pra depois namorar. Hoje eu sou amiga do Mike, mas um dia, vou ser namorada dele, se ele quiser, é claro, tipo quando eu tiver uns… - Pensei um pouco. - 13 anos.
- Como é, mocinha? 13? Mas nem pensar, talvez quando você tiver uns 43 anos, isso se eu deixar. - Falou, fazendo a gente rir. - Mas você está certa, é de uma boa amizade que nasce um grande amor, mas… posso saber de onde você tirou essas coisas?
- Ué, observando… Todo mundo que namora é porque antes eram amigos, e acabaram virando namorados.
- Você está muito espertinha, mocinha. - Me deu um beijo na testa. - Mas chega desse assunto. Que livro querem hoje?
- Escolhe você, papai. - Disse May.
Papai foi até a nossa estante de livros e olhou todos, um por um, até que disse:
- Já sei, esse eu acho que ainda não li. - Se sentou no meio de nossas camas. - O nome do livro é ‘’Não me toca, seu boboca’’. ‘’O meu nome de verdade é Rita, mas só me chamam de Ritoca, eu tenho uma história para contar, foi algo que me aconteceu. Meio difícil de entender, muito difícil de falar…’’
Eu não queria continuar ouvindo a história, pois quando papai começou a ler, meu coração bateu forte e eu já imaginei do que se tratava o livro. Então, fingi que estava dormindo para ver se papai parava de ler. Segundos depois, ele parou. Senti ele me dar um beijo na testa e ouvi seus passos se afastarem. Abri os olhos e vi que papai não estava mais no quarto. Olhei para o lado e notei que May já estava dormindo. Fiquei um pouco pensativa sobre a história, papai era tão diferente da mamãe, ele me ensinava que certas coisas eram erradas, mas mamãe fazia tudo aquilo que ele dizia que não podia, o que me deixava confusa, eu acreditava no meu pai, sabia que ele que estava certo, mas não entendia o porquê de mamãe fazer essas coisas.
(...)
No dia seguinte, assim que acordei, vi que May não estava mais na cama. Em seguida, ouvi risos, fui vagarosamente até a sala, e vi papai fazendo cócegas na minha irmã, que ria sem parar, sorri ao vê-los.
- Oi, meu amor. - Disse papai ao notar a minha presença. - Te acordamos?
Neguei com a cabeça.
- Está com fome? Estávamos te esperando para comer.
Acenei positivamente com a cabeça. Papai nos preparou um delicioso café da manhã e comemos os três juntos.
Na parte da manhã, como o dia estava chuvoso, ficamos em casa, May e eu brincamos bastante com papai. Ele dizia que trabalhava muito, era escritor de livros, trabalhava em casa, mas papai falava que quando estava com a gente, gostava de nos dar atenção total, e eu adorava ficar cada minuto com ele.
Pela tarde, a chuva já havia parado, então papai resolveu sair com a gente.
- Papai, podemos chamar a tia Cath e o London para ir com a gente? - Perguntei.
- Vamos ver se eles podem.
Fomos até a casa da tia Cath, e ela logo abriu a porta.
- Oi, minhas princesas. - Ela disse com um enorme sorriso. Em seguida, se dirigiu para o papai. - Oi Carter.
- Oi. - Ele falou meio tímido.
- Você e o London querem sair com a gente? - May perguntou. - Vamos ao cinema e depois vamos tomar sorvete.
- Eu ouvi ‘’sorvete’’? - London apareceu sei lá de onde. - Podemos ir, tia? Por favor. - Juntou as mãos em um ato de súplica.
A mulher olhou para o papai, que lhe sorriu meio acanhado e depois voltou a olhar para o menino.
- Vamos, sim. - Se virou para nós. - Esperam a gente trocar de roupa?
- Claro, ainda temos uma hora até o horário do filme. - Disse papai.
Tia Cath nos convidou para entrar para que aguardássemos em sua casa. Entramos e ficamos na sala esperando. A casa dela era muito linda, eu não entendia muito de decoração, mas havia gostado bastante da decoração da casa.
London ficou pronto primeiro, e foi para a sala, onde estávamos.
- E a sua tia? - May perguntou.
- Está terminando de se arrumar.
Ficamos brincando até a tia Cath aparecer, o que aconteceu minutos depois, e…
- Você está linda! - Disse papai parecendo hipnotizado.
- Obrigada! - Ela respondeu timidamente.
- Mas não vamos a uma festa, é só um cinema.
- Eu sei, mas quis me arrumar um pouco mais hoje. - Ela disse meio sem graça.
- Fez um bom trabalho. - Papai falou esquecendo da nossa presença.
Os dois ficaram se olhando por alguns segundos, esquecendo completamente que estávamos alí. De repente, acho que Cath lembrou desse detalhe e disse:
- Vamos?
- Hã, claro, vamos. - Disse papai sem tirar os olhos da mulher.
Fomos ao shopping, que tinha perto da casa do papai. Primeiro fomos ao cinema e vimos um filme super fofo de cachorrinhos e gatinhos, era super legal, demos altas risadas. Depois fomos à praça de alimentação que tinha no shopping e tomamos sorvete, que estava delicioso, por sinal. Os dias com papai eram os melhores.