Na quarta - feira, eu ainda estava muito machucada, sentia todo o meu corpo doer. Fui para a escola com calça, apesar de estar calor, pois mamãe me obrigou, já que não queria que ninguém visse as marcas dos cortes, pois iriam me encher de perguntas e ela não queria que ninguém soubesse, por sorte não haviam marcas pelo meu rosto, pois não teria como eu ir de máscara para o colégio.
Assim que chegamos na escola, May foi brincar com as suas coleguinhas e eu me sentei em um banco, os machucados estavam doendo muito, o que me deu vontade de chorar. Mike e Jenny chegaram em seguida, e me convidaram para brincar, eu queria, mas estava com tanta dor, que não conseguiria nem brincar.
- Não, obrigada. Estou com um pouco de dor de barriga. - Menti.
- Ah, que pena! - Disse Mike. - Eu posso ficar aqui com você?
Acenei positivamente com a cabeça e o garoto sentou ao meu lado. Já Jenny preferiu ir brincar com Laura, uma das nossas colegas.
- Quer uma bala? - Me ofereceu uma bala, que ele tinha nas mãos.
- Não, obrigada. - Falei cabisbaixa.
- Chloe, o que houve? - Tocou levemente em meu ombro.
- Ai! - Gritei de dor.
- O que houve? Te machuquei? Desculpa, eu juro que não queria. - Falou assustado.
- Não, não foi você.
- Não? Então quem foi?
- Hã… Ninguém. - Menti.
- Deixa eu ver? - Baixou a manga da minha camisa, vendo um hematoma em meu ombro. - Chloe, o que aconteceu? - Se assustou ao ver o machucado.
- Hã… Eu me bati, acho que foi enquanto eu dormia. - Menti novamente.
- Isso não parece uma leve batida, não. Eu conheço bem esse machucado. Uma vez minha antiga madrasta me bateu e também fiquei com um machucado desses, mas daí eu contei para meu pai e eles brigaram, e meu pai terminou com ela e agora ele namora a Júlia, que é super boazinha e gosta de mim. - Fez uma curta pausa. - Quem te bateu?
Fiquei um pouco em silêncio enquanto pensava se falava ou não que minha própria mãe havia me batido.
- Pode confiar em mim. - Falou.
- Posso mesmo? - O encarei, lembrando de quando ele falou para a professora sobre o que eu havia contado para ele.
- Ah, prometo que não falo nada dessa vez.
- Hã… Foi a… A minha mãe.
- Tua mãe? - Perguntou espantado.
- Aham.
- Mas… Por quê? Minha mãe nunca me bateu, ela diz que não é certo adulto bater em criança. - Fez uma breve pausa. - Eu não entendo.
- Eu também não. - Falei cabisbaixa.
- E teu pai? Ele sabe?
- Não, e nem pode. - O encarei. - Entendeu?
- Entendi, sim. Acho que você está errada, você devia contar para o teu pai, mas se você não quer, eu vou respeitar sua decisão e prometo que não contarei para ninguém, mas… Ela te bate sempre?
- Não, essa foi a segunda vez, é que eu me comportei m*l, quebrei algo e ela ficou brava, mas não é sempre que ela me bate, não. - Menti.
Nisso, o sinal para o início da aula tocou e fomos para nossa fila, para aguardar a professora, que chegou segundos depois.
(...)
Fiquei alguns dias com marcas pelo meu corpo e com muita dor, mas aos poucos as marcas foram desaparecendo e as dores foram passando.
Na sexta - feira, dia de ir para a casa do meu pai, eu já estava bem melhor, por sorte, porque se papai visse, eu estaria lascada, mamãe ia achar que eu contei e ela ia me bater duas vezes mais.
Assim que chegamos na casa do nosso pai, ele já foi logo dizendo:
- As duas pro banho, que nós vamos sair.
- Onde vamos? - Perguntei curiosa.
- Depois vocês vão saber. Agora banho. Vamos, 1, 2, 1, 2, 1, 2… - Falou em tom de brincadeira.
May e eu corremos para o banheiro e para ser mais rápido, papai nos deu banho no chuveiro, eu preferia tomar banho de banheira, mas ele dizia que quando estávamos com pressa, era melhor tomarmos banho de chuveiro, porque na banheira ficamos brincando e demoramos mais.
Ai, eu estava ansiosa para saber onde iríamos, assim como May, que estava tão ansiosa e empolgada quanto eu.
Logo que terminamos de nos arrumar, a campainha tocou.
- Querida, atende a porta, por favor? - Papai pediu enquanto amarrava os tênis da minha irmã. - Mas antes pergunta quem é.
- Quem é? - Perguntei ao correr até a porta.
- É a Cath. - Ouvi do outro lado.
Rapidamente abri a porta, e sorri ao vê-la. Dessa vez ela estava com o London. Abracei a mais velha e cumprimentei o menino.
- Veio brincar com a gente? - Perguntei para o garoto. - Nós vamos sair daqui a pouquinho.
- Eu sei. - Ele respondeu. - Nós vamos com vocês. - Sorriu.
- Sério? - Olhei para papai, que consentiu com a cabeça, e logo voltei a olhar para os dois. - Que demais! Vamos brincar muito.
- E aprontar também. - Cochichou para mim, me fazendo rir.
- Sabe onde vamos? - Perguntei.
- Não faço ideia. - O menino deu de ombros.
Assim que o papai terminou de arrumar a May, nós saímos. Papai e tia Cath não quiseram nos dizer onde iríamos, eu gostava de surpresas, mas ficava ansiosa para saber do que se tratava.
E de repente chegamos. Papai e tia Cath haviam nos levado a um parque de diversões. A gente adorou, e eu amava os parques. Nós três brincamos bastante, fomos em todos os brinquedos que davam para a nossa idade, papai e tia Cath foram em alguns com a gente, acho que eles também se divertiram bastante.
- Tô com vontade de ir ao banheiro. - Falei depois de andarmos em alguns brinquedos.
- Vamos, eu te levo. - Disse papai.
- Não, papai, é banheiro feminino, você não pode ir.
- Eu vou com você, meu amor. - Disse tia Cath.
Ela me acompanhou até o banheiro e com muito carinho, levantou as minhas mangas para eu não molhar quando fui lavar as mãos.
- Obrigada. - Sorri pra ela, que me devolveu o sorriso.
Andamos em mais alguns brinquedos e depois fomos embora do parque, mas antes de irmos pra casa, fomos a uma lancheria, que tinha um espaço kids, eu adoro essas lancherias!
Eu pedi hambúrguer com batatas fritas, que estava uma delícia. Papai pediu pra gente esperar um pouco o lanche baixar, e quando isso aconteceu, May, London e eu fomos correndo até o espaço kids.
- Não corram, crianças. - Gritou tia Cath.
Brincamos bastante e depois fomos pra casa. Foi um dia e tanto, eu me diverti bastante, acho que foi o melhor dia da minha vida.