Um Grito De Dor

1177 Palavras
No dia seguinte, papai nos encontrou na mesma praça das outras vezes e nos levou até a nova casa, que não era muito longe da nossa antiga casa e também fica perto da escola. A casa era muito bonita, ficava em um condomínio de casas, que tinha um pátio bem grande para brincarmos, tomara que tivesse mais crianças. A nossa nova casa era bem grande, tinha uma sala enorme, uma bela cozinha, um banheiro com banheira, como a gente tanto gostava e tinha dois quartos, um seria da mamãe e outro meu e da May. - Podemos ver o nosso quarto? - Perguntei ansiosa. - Claro, meu amor. - Papai disse. Papai nos levou até o nosso quarto, e mamãe foi atrás da gente, ela olhava cada canto da casa como se não tivesse gostado, não falava nada e olhava com cara de nojo. May e eu ficamos encantada com o nosso novo quarto, ele era lindo, bem maior que o anterior, e papai já tinha até decorado todo ele. A casa era mobiliada, porém, como o quarto tinha duas camas de adulto, papai comprou camas novas pra gente, a minha era das princesas e a da May era da Minnie, eram lindas, papai também comprou diversos brinquedos e roupas novas pra gente, já que perdemos tudo no incêndio. E para mamãe, ele conseguiu doações com amigas e vizinhas. O meu pai é o melhor do mundo! - Eu amei! Obrigada, papai! - Falei ao abraçá-lo. - Eu também amei. - May também o abraçou. - Fico muito feliz que vocês tenham gostado, minhas princesas. - Legal, legal, valeu, agora você já pode ir. - Mamãe disse. May e eu não queríamos que papai fosse embora, ou melhor, queríamos poder ir com ele, mas infelizmente não era o dia dele ficar com a gente. - Ah, e tenho uma ótima notícia para vocês. - Papai falou. - Eu fiz questão de alugar essa casa, porque é bem pertinho da minha casa, venham aqui. - Levou May e eu até a frente da casa. - Estão vendo aquele prédio bem grande? - Apontou para um prédio. May e eu acenamos a cabeça positivamente. - O meu apartamento fica atrás daquele prédio. Agora estou mais pertinho de vocês. - Nos abraçou. - Oba! - Falei. Adorei saber que a gente moraria pertinho do papai, mamãe que não havia gostado nada disso, o que não era novidade, já que ela não gostava de nada que era legal. Em seguida, papai foi embora, infelizmente. E May e eu fomos para o nosso novo quarto, olhamos para tudo fascinadas, havíamos amado os nossos novos brinquedos, papai é demais mesmo! Minha irmã e eu brincamos bastante com os nossos novos brinquedos, havíamos ficado muito felizes com tudo que havíamos ganhado. Mais tarde, mamãe saiu. May e eu ficamos sozinhas em casa de novo, para variar. Já era noite quando começou a chover, era uma chuva muito forte, com muitos raios e trovões, morríamos de medo de temporal. - Tomara que não falte luz de novo. - Disse Maytê. - Se faltar, dessa vez eu não vou ligar vela. - Falei. Nisso caiu um trovão. Gritamos de medo e May correu pra minha cama e me abraçou. - Tô com medo, será que posso dormir aqui com você? - Perguntou. - Claro. - Falei. May deitou do meu lado e pouco depois acabamos dormindo. (...) Alguns dias haviam se passado, e pouca coisa havia mudado, a não ser pela casa nova mesmo. E a convivência com mamãe estava cada dia pior, ela seguia sendo pior que as bruxas más dos contos de fadas, e ainda seguia trazendo aqueles caras malvados para me machucarem, eu só queria saber o porquê dela fazer isso. Era uma segunda - feira, véspera de feriado, infelizmente a minha escola resolveu fazer feriadão, só voltaríamos a ter aula na quarta - feira. Eu detestava isso, pois assim tínhamos que ficar mais tempo com mamãe e era h******l ficar do lado dela. Mamãe estava na cozinha bebendo alguma cerveja, que tinha um cheiro muito forte. Fui pé a pé até a cozinha, e quando me viu, ela me olhou com fúria. - O que você quer? - Perguntou. - Estamos com fome. Vim pegar algo para comer. - Respondi. - Pega uma bolacha aí. - Falou se pondo a dar um gole no gargalo da garrafa. Fui até o armário, que era alto, diferente do anterior. Peguei uma cadeira, subi nela e abri a porta do armário. Peguei um pote de bolachas, e sem querer, acabei batendo o braço em um pote de vidro que estava dentro do armário com um pouco de arroz. Ele caiu no chão e voou vidro e arroz para tudo que era lado. - OLHA O QUE VOCÊ FEZ! - Gritou mamãe. - Desculpa, desculpa. - Comecei a chorar. Mamãe me pegou pelos cabelos com muita força e começou a me bater. - Mamãe, para, por favor. - Pedi. - Está doendo! Ela me deu diversos tapas no corpo e no rosto, e não sendo suficiente, pegou a vassoura, tirou a parte debaixo e me bateu com a parte de madeira, eu chorava e gritava pedindo pra ela parar, mas não parava. May chegou a aparecer ao ouvir os meus gritos, ela viu mamãe me bater e começou a chorar de nervosismo. E para piorar, mamãe pegou um caco de vidro e me arranhou cinco vezes nas pernas, começou a sair muito sangue, e nem isso fez mamãe parar. Eu gritava e gritava de dor, e ela não parava, parecia que tinha prazer em me machucar. Só parou quando se cansou. - LIMPA TUDO ISSO! - Ordenou. Peguei uma vassoura para varrer, mas mamãe tirou a vassoura da minha mão, e disse: - Com as mãos. Um por um. - Eu te ajudo! - Disse May. - NÃO! Ela bagunçou, ela que limpe. - Se sentou. - E eu vou ficar aqui até você terminar tudinho. Me ajoelhei com muita dificuldade, pois estava muito dolorida e comecei a limpar tudo, cortei os dedos duas vezes com os cacos de vidro, mas segui limpando e ainda tive que juntar os arroz, juntei um por um, o que demorou muito, já que o pote estava cheio. E no fim, depois disso tudo, até esqueci que eu estava louca de fome. Após terminar de juntar tudo, coloquei tudo no lixo e quando May reclamou de fome, eu lembrei de comer e peguei o pote de bolachas. m*l conseguia caminhar, tudo doía, caminhei com muita dificuldade. Minha irmã e eu fomos para o nosso quarto. - Eu odeio ela. - Disse May. - Aposto que deve estar doendo muito. - E está. Mas vai passar. - Forcei um sorriso. Comi algumas bolachas e depois fui tomar banho para limpar o sangue e os machucados, a água quente do chuveiro fazia doer bem mais. Comecei a chorar enquanto tomava banho, as lágrimas se misturavam com a água do chuveiro. Por que mamãe me odiava tanto? O que eu fiz pra ela?
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