Um Pequeno Acidente

1167 Palavras
Chloe Havíamos voltado para a casa da mamãe, infelizmente. Eu não conseguia parar de pensar no que papai havia dito, sobre tentar a nossa guarda novamente, tomara que ele consiga e se eu pudesse falar com o juiz, pedirei para que deixe eu ficar com meu pai, vou dizer o quanto o amo e que não quero mais morar com a mamãe. No dia seguinte, fomos para o colégio. O dia das mães estava se aproximando e eu seguia sem ensaiar a música, não ia me apresentar para uma mãe que eu não conhecia, e sem falar, que ela nem iria mesmo. Fiquei vendo os meus colegas ensaiarem enquanto eu desenhava. Com a permissão da professora, Jenny parou um pouco de ensaiar para tomar água. - Não vai mesmo se apresentar? - Minha amiga perguntou, se pondo a dar um gole em sua bebida. - Não. - Neguei com a cabeça. - Que pena! Vou sentir tua falta no dia da apresentação. - Falou, me fazendo sorrir. - Também vou. Minha amiga retornou para seu lugar no ensaio, fiquei vendo-os e acabei pegando no sono. Na noite anterior eu quase não dormi, mamãe levou um daqueles seus amigos para me machucar. Acabei tendo pesadelo, na verdade, não era bem um pesadelo, era mais como uma lembrança da noite passada. Acordei com a professora me chamando, acordei no susto e a vi ao meu lado, enquanto todos meus colegas me olhavam em silêncio. - Ela fez xixi na roupa. - Disse Jolie, minha colega mais chata. Olhei rapidamente para baixo e notei que estava com a bermuda molhada, assim como minha cadeira e havia uma poça de xixi no chão. - Mijona! - Disse Carlo, o pestinha da turma. E todos começaram a rir. - Cala boca, não tem graça. - Disse Mike. - Parem de rir. E quase toda a turma começou a rir de mim, só quem não riu foram Mike, Jenny, mais duas colegas e a professora, é claro. E vendo todos rirem e me chamando de ‘’mijona’’, eu comecei a chorar de nervosismo. - Hey, está tudo bem. - Disse a professora, tentando me acalmar. - Turma, já deu! - É, parem de rir. - Disse Mike bastante aborrecido. - Queria ver se fosse algum de vocês. - Falou Jenny. Carlo me chamou de novo de ‘’mijona’’ e Mike deu um empurrão no garoto, que caiu e começou a chorar. - Já chega, crianças! - Disse a professora, fazendo os dois se encararem e se afastarem. A prof chamou a Vanessa, a moça da recepção, para ficar com a turma, e foi comigo até o banheiro. Fui o caminho todo sem parar de chorar. - Hey, pronto, não precisa chorar. - Disse ao entrarmos no local. - Essas coisas acontecem, está tudo bem. - Tentei conter o choro. - Eu só preciso ver uma roupa para você, vou ver se tem algo do teu tamanho nos ‘’achados e perdidos’’, ok? - Acenei positivamente com a cabeça. A professora saiu e eu fiquei no banheiro esperando por ela, eu estava um pouco mais calma, mas ainda estava chorando. E enquanto eu aguardava-a, escutei uma voz bem familiar me chamando na porta do banheiro. - Mike? - Eu não posso entrar no banheiro feminino, você pode vir aqui na porta? Fui vagarosamente até o menino, que abriu um imenso sorriso ao me ver. - Não liga pra eles, essas coisas acontecem. Não conta pra ninguém, mas semana passada eu sonhei que estava no banheiro fazendo xixi, e quando acordei, adivinha… Cama todinha molhada. - Eu ri, não ri com maldade, mas sim porque achei engraçada a forma que ele contou. - Obrigada por me defender. - Falei. - E como eu não faria? Você é a minha melhor amiga. - Sorriu timidamente. - Mike? O que faz aqui? - A professora perguntou ao retornar. - Volta pra sua sala, meu bem. - Tá bem, prof. - Logo se dirigiu para mim. - Não chora mais, não. - Secou meu rosto e me beijou na bochecha, fazendo eu ficar corada de vergonha. O garoto saiu e a professora e eu entramos no banheiro, ela havia conseguido uma bermuda para mim no ‘’achados e perdidos’’ da escola, só a calcinha que não tinha, tive que ficar sem, mas isso não importava. Me limpei e a professora me ajudou a colocar a bermuda, depois colocou minha roupa suja em uma sacola, que posteriormente ela amarraria na minha mochila, e pediu para eu lavar o rosto antes de voltarmos para a sala, e assim eu fiz. Quando voltamos para a nossa sala, vi a maioria dos meus colegas me olhando torto. - Trocou a fralda, bebezinho? - Jolie perguntou com ar de deboche. - Jolie, chega! - Repreendeu a professora, fazendo a garota ficar quieta. A professora agradeceu à Vanessa por ela ter ficado com a turma, e depois a mulher se retirou. Olhei para Jolie de cara f**a e fui para o meu lugar, haviam trocado a minha cadeira e limpado o chão. Morrendo de vergonha, me sentei em minha cadeira e a aula seguiu normal. Quando o sinal para o fim da aula tocou, eu sai da sala acompanhada por Mike e Jenny, e Jolie veio atrás da gente para me encher mais um pouco. - E aí mijona, já molhou essa roupa também? - Ah, se não fosse errado bater em menina… - Disse Mike tentando se controlar. - Jenny, eu não posso bater nela porque sou menino, mas você pode. E sem pensar, Jenny partiu pra cima de Jolie e as duas iniciaram uma briga, o que chamou a atenção de outras crianças. Em seguida, duas professoras de outras turmas que avistaram a confusão, correram até a gente e separaram as duas. - Mas o que está havendo aqui? - Uma das professoras perguntou. - Duas meninas tão lindas brigando feito dois selvagens… - Ela implicou com a minha amiga. - Disse Jenny. - Não quero saber! Eu não quero ver mais um ‘’piu’’ senão vou falar com os pais das duas, agora vão… A chata da Jolie foi para um lado e eu fui com os meus amigos para outro lado. - Gente, obrigada por me defenderem, mas não gosto que batam nos outros. Meu pai diz que não devemos bater em ninguém porque não é legal e que não temos direito de machucar o corpo do outro. Eu entendia eles, achava legal eu ter amigos que me defendam, mas eu não gostava de violência, até porque eu tinha a mamãe que sempre me batia por qualquer coisa, e doía tanto, já papai sempre dizia que é errado e que não devemos bater em ninguém. Fui até a May, que brincava com as suas amigas e então fomos para casa, se bem que acho que não dá pra chamar aquilo de casa, porque casa de verdade é onde tem amor, carinho e respeito, a nossa casa era a do papai.
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