Era mais de 22h, eu estava brincando com a May em nosso quarto quando mamãe me chamou. Eu sabia bem do que se tratava, e também sabia que não adiantava chorar ou implorar para ela não fazer isso, nada adiantava, ela me levava mesmo contra a minha vontade, então, sem ter o que fazer para evitar, tentei engolir o choro, abracei a minha irmã, que ficou nos olhando sem entender para onde eu estava indo e fui com minha mãe. Ela me levou até o quarto dela, onde havia um homem sentado em sua cama, ele era alto, magro, tinha cabelo e barba rasa e me olhou dos pés à cabeça, não gostei da forma que ele me olhou.
Mamãe saiu e fechou a porta, comecei a chorar e a bater na porta, eu queria fugir dali.
- Hey, calminha. - O homem se aproximou de mim e encostou em meus braços.
- Me solta, não me toca, não me toca. - Me debati, batendo nele.
- Sua mãe não me disse que você era tão brava, mas não tem problema, assim vai ser mais divertido.
Ele sorriu, e acariciou o meu rosto, e eu virei o rosto, recusando o seu toque. O homem apagou a luz do quarto e tudo ficou escuro, eu não estava enxergando nada, o que me causou uma sensação muito r**m.
- Acende a luz, acende a luz. - Pedi.
- Por que, gatinha? Assim é mais legal, aposto que você também vai gostar.
Ele me jogou na cama e eu me debati sem parar, mas foi inevitável.
(...)
Quando tudo acabou, eu voltei para meu quarto aos prantos, e me joguei em minha cama sem parar de chorar.
- Por que tá chorando? - May perguntou ao sentar do meu lado. - Onde você foi? Por que a mamãe sempre chama só você?
- Eu vou tomar banho. - Falei ignorando as perguntas da minha irmã.
- De novo? Nós tomamos mais cedo.
- Mas eu estou suja, muito suja… - Falei com repulsa.
- Onde? Não estou vendo.
Sem responder a May, peguei meu pijama, uma calcinha e uma toalha e fui para o banheiro. Tomei um banho demorado enquanto tentava me limpar, mas eu continuava me sentindo suja, acho que eu estava imunda por dentro. Sentei no chão do box e chorei enquanto a água caia em minha cabeça.
- Por que, papai do céu? Por quê? Me ajude, por favor. Eu não quero mais isso. Me ajuda, por favor. - Falei enquanto soluçava de tanto chorar.
Após terminar o meu banho, me arrumei e voltei para meu quarto. May estava colocando o seu pijama, e eu deitei em minha cama. Assim que a minha irmã terminou de se arrumar para dormir, ela apagou a luz.
- Não, não, acende, acende… - Pedi, bastante assustada.
- Mas sempre dormimos de luz apagada.
- Acende, por favor, acende…
May estranhou a minha reação, mas acendeu a luz, e deitou em sua cama. Ela me perguntou o porquê de eu não querer dormir no escuro como sempre, e eu inventei uma desculpa para ela, que acreditou.
Alguns minutos depois, mamãe entrou em nosso quarto.
- Por que essa luz está acesa ainda? - Perguntou, se pondo a apagar a luz.
- Não… Acende, por favor, escuro não, escuro não.
- Como é? Eu quero essa luz apagada, e se alguém se atrever a acender, vai apanhar durante uma semana inteira. - Bateu a porta e saiu.
Eu olhei para todos os lados com muito medo e comecei a chorar, acho que passei a odiar o escuro.
Eu custei para dormir, acho que peguei no sono quando o dia estava quase amanhecendo, e tive pesadelo com aquele homem malvado da noite anterior.
Quando acordei, a cama estava molhada como era de costume cada vez que eu tinha sonhos feios.
- Você fez xixi na cama? - May perguntou assim que acordou.
E antes que eu pudesse responder algo, mamãe entrou no quarto e viu o lençol molhado.
- Mas que m***a é essa?
- Não é m***a, é xixi. - Disse May em uma tentativa inútil de ajudar.
- Não acha que está bem grandinha pra isso? - Me pegou pelos cabelos.
- Desculpa, tive pesadelo. - Comecei a chorar.
- Limpa!
- Ok, vou pegar o balde.
- Balde? - Me levou até a cama pelos cabelos e esfregou o meu rosto na cama molhada. - Você vai limpar com a língua.
- Solta ela, mamãe. - May pediu, mas foi inútil.
- Limpa! - Mamãe falou ao apertar minha nuca.
Sem conter o choro, eu comecei a lamber, e acreditem, não tinha um gosto nada bom, eu não sei nem explicar como era, mas era h******l. Mamãe me obrigou a lamber toda a parte molhada do lençol, enquanto May chorava ao ver a cena e pedia para mamãe parar, mas ela só parou quando quis, e quando isso aconteceu ela me jogou em um canto e eu sentei no chão e fiquei chorando.
- Vou sair, não sei que horas eu volto. Se virem aí.
Ela saiu e May correu para me abraçar.
- Não chora. - Limpou as minhas lágrimas.
(...)
May e eu comemos um pacote de bolacha e depois fomos para a escola. Quando voltamos, mamãe ainda não havia chegado em casa, para nossa alegria, pois preferimos ficar sozinhas em casa do que com ela.
May e eu fizemos os nossos deveres de casa, depois comemos umas bolachas de água e sal e colocamos os nossos pijamas. Já era por volta de 22h30 quando mamãe chegou em casa. Escutamos o abrir da porta e os passos dela, mas nem quisemos ir vê-la, e continuamos no nosso quarto. Pouco depois, mamãe entrou no nosso dormitório.
- Trouxe algo para você. - Ela me disse, e eu já sabia que não podia ser algo bom. - Olha isso!
- O que é isso? - Perguntei sem entender.
- Ué, você usou isso até os teus 2 anos, não lembra mais? - Falou ao se referir ao pacote de fraldas, e se pondo a abri-lo.
- Pra que isso?
- Ué, não voltou a ser bebê? Não fez xixi na cama? Bebês usam fralda.
- Eu não sou bebê. - Falei.
- Claro que é. Vem cá. - Me puxou pelo braço e me jogou na cama, enquanto May começou a chorar ao ver a cena.
- Eu não vou mais fazer, eu não vou mais fazer. - Falei sem parar de chorar.
Mamãe tentou tirar a minha bermuda à força e eu comecei a me debater, para tentar impedi-la.
- Para quieta! - Me deu um t**a forte no rosto, o que fez eu chorar ainda mais. - Quietinha!
Sem conseguir conter o choro, eu fiquei imóvel e deixei que ela tirasse a minha roupa e colocasse aquela fralda ridícula.
- Prontinho! Veste a roupa! - Ordenou, e eu a obedeci. - Eu quero você de fralda até amanhã, e pode ter certeza que amanhã de manhã vou vir aqui conferir isso. - Falou se pondo a sair do meu quarto.
- Eu te odeio! - Gritei ao jogar uma boneca minha na porta.
- Por que ela nos odeia tanto? - May perguntou ao nos abraçar.
Ah, como eu queria saber isso, nunca fizemos nada de r**m para ela.