Eu estava no recreio brincando com o Mike e Jenny quando parei ao vê-lo, e abri um imenso sorriso.
- O que houve? - Perguntou minha amiga.
Sem dizer nada, corri até o portão do pátio, que dava para a rua.
- E ai, pequena. - Disse Edu. - Como foi na audiência?
- h******l! A mamãe nos obrigou a dizer que queríamos ficar com ela. Ela nos ameaçou e ficamos com medo. Resumindo: seguimos morando com ela.
- Oh, pequena… - Acariciou minha mão, que estava na grade. - Sinto muito. Mesmo.
Nisso o sinal do fim do recreio tocou.
- Preciso ir. - Falei.
- Ok, vai lá. Quer que eu busque vocês hoje?
- Quero, sim.
Me despedi de Edu e fui correndo até os meus amigos, que me aguardavam.
- Quem era? - Jenny perguntou.
- Um amigo!
- Mas ele é bem mais velho, é adulto. - Disse Mike. - Minha mãe diz que criança não pode ser amiga de adulto.
- Hã… Ele é pai de uma amiga do meu condomínio.
Por sorte, eles acreditaram. Eu acho. Logo a professora apareceu e nos levou até a sala.
Na hora da saída, Edu buscou a May e eu como havia nos prometido. Fiquei muito feliz ao vê-lo, pois gosto de quem cumpre promessa. Porém, notei que a diretora estava perto do portão da escola conversando com uma mãe. Esperei ela se afastar do portão, puxei May pelo braço e fomos de mansinho até a saída.
- Chloe? Maytê? - d***a, acho que havíamos sido pegas no flagra. Sem escapatória nos viramos.
- Oi, dire. Como você está linda hoje! - Falei. - Adorei a blusa!
- Obrigada! Mas posso saber onde as mocinhas vão? Cadê seus responsáveis?
- O nosso pai veio nos buscar. - Disse minha irmã. - Ele está naquele carro. - Apontou para o carro de Edu, que estava estacionado.
- Ah… Ok. Se cuidem.
Nos despedimos da mulher e corremos até o carro de Edu.
O homem nos levou em um restaurante, onde almoçamos comida de verdade, e estava delicioso. Depois fomos tomar sorvete, e com certeza, sorvete está na minha lista de comida preferida.
- Edu, você tem filhos? - May perguntou.
- Tenho, sim. Tenho dois, uma menina mais ou menos da idade de vocês e um menino, que é um pouco mais velho. Na verdade, ele é meu enteado, quando comecei a namorar com a mãe dele, ela já estava grávida, mas para mim, ele é meu filho.
- Nos leva para brincar com eles? - Pedi.
- Eu adoraria, meu anjo, mas os dois moram longe, com a mãe deles.
- Ah, que pena!
(...)
Carter
Eu estava muito triste por não ter conseguido a guarda das meninas. Eu não fiquei triste ou chateado com elas, mas sim, por mais uma vez não ter conseguido tirá-las daquela casa, se ao menos aquela louca da mãe delas as tratasse bem, mas eu sabia que não era o caso.
Eu estava sentado à mesa, escrevendo o meu livro, quando a campainha tocou.
- Oi. - Cath sorriu assim que eu abri a porta.
- Oi. - Falei, bastante exausto.
- Você está bem?
- Aham, só estou um pouco cansado.
- Já jantou?
- Que horas são?
Olhei as horas em meu relógio e vi que já haviam passado 7 horas desde que me sentei naquela cadeira, acho que parei só para ir ao banheiro e para tomar uma xícara de café.
- Ainda não. - Respondi.
- Eu fiz suflê de frango, se quiser jantar conosco…
- Cath, você é um anjo! Aceito, sim. Obrigado. - Falei ao arrancar um sorriso tímido da mulher.
Fechei a porta e fui até a casa de Cath. London já estava sentado à mesa.
Cath colocou mais um lugar na mesa e me serviu.
- Hum… Isso está uma delícia! - Falei.
Assim que eu terminei de comer, London começou a rir e Cath e eu olhamos para o menino sem entender.
- O que foi? - A mulher perguntou.
- Estamos parecendo uma família de verdade. Ou quase, faltam minhas irmãzinhas.
Cath e eu nos olhamos em silêncio. Confesso que eu não achava r**m essa ideia. Ela… Ela… É linda, meiga, delicada, divertida, e é ótima com crianças, daria uma ótima mãe e uma ótima madrasta, com certeza.
E enquanto Cath e eu nos olhávamos, senti um líquido gelado cair em mim, o que cortou o clima.
- Ai, meu Deus! Desculpa! Eu virei coca cola em você, e você ainda está todo de branco pra ajudar…
- Desculpa, se eu soubesse tinha vindo de preto. - Brinquei.
- Vai manchar. - Disse London.
- Você não está ajudando. - Disse a mulher. - Já sei! Tira a roupa, vou colocar pra lavar agora mesmo, talvez não manche se for rápido.
- O tio Carter vai ficar pelado? Eca! Melhor você sair, titia, não pode ver homem pelado.
- Querido, vai ver desenho no seu quarto.
- Mas eu ainda não terminei de comer. - Deu de ombros.
- Pode comer no seu quarto.
- Ok, você que manda! - Pegou seu prato e seu copo e se retirou.
- Vamos, tira logo a roupa.
- Ok! Você que manda! - Brinquei, tendo o olhar sério de Cath sobre mim.
Tirei minha camisa e minha calça, ficando apenas de cueca.
- Minha nossa! - Disse a mulher, com o olhar em minha região íntima. - Digo, a mancha... - Olhou para a roupa. - Vou colocar para lavar.
Ela se retirou, indo à lavanderia e eu me sentei no sofá para esperá-la. Minutos depois, a mulher retornou.
- Acho que vou pra casa, colocar uma roupa, sabe?
- Não! - Lhe lancei um olhar curioso. - Espera a roupa ficar pronta.
- Ok, mas vou ficar assim?
- Hã… Se quiser, posso te emprestar um roupão…
- Não precisa, valeu. Mas acho injusto só eu ficar de roupa íntima, por que não me acompanha?
- Carter! - Me repreendeu, ficando toda vermelha.
- Estou brincando! Relaxa… - Sorri.
Cath e eu ficamos nos olhando alguns segundos. Ela era tão… linda. Cada traço do seu rosto é perfeito, e aquela covinha quando sorri… O jeito que coloca o cabelo atrás da orelha quando fica sem graça… Eu… Eu acho que pela primeira vez em 4 anos, estou gostando de alguém.
- Cath… - Me aproximei vagarosamente dela.
- Carter… - Se aproximou vagarosamente de mim.
E a tendo tão perto, nossas bocas a centímetros de distância, eu só pensava… Eu só queria beijá-la.