Me Desculpa!

931 Palavras
- A gente quer morar com… Nisso, lembrei da ameaça de mamãe, eu não queria e nem podia deixar que ela machucasse o papai. - Com a nossa mãe. - Falei cabisbaixa, e deixei algumas lágrimas rolarem. Nisso vi mamãe dar um sorriso vitorioso e papai entrar em desespero, certeza que ele não estava entendendo nada. Papai começou a gritar que aquilo era mentira e que certamente, mamãe devia ter nos ameaçado, mas tivemos que mentir que ela não havia nos ameaçado. Papai se aproximou de nós, e disse: - Meus amores, não precisam ter medo, podem falar a verdade, diz pro juiz o que vocês me disseram mais cedo, que queriam ficar comigo. Digam! - Desculpa papai. - Disse May. - Não fica bravo com a gente. Nisso, o juiz pediu que papai voltasse para seu lugar, e ele obedeceu. Em seguida, o juiz se retirou, e tivemos que aguardá-lo para dar a decisão final, e eu não queria ouvir, pois já imaginava qual seria a resposta dele. Quando o homem voltou, se sentou novamente em sua cadeira e com palavras bonitas e que eu não entendi muito bem, ele nos deu a pior notícia de todas: continuaríamos morando com mamãe. A mulher sorriu e nos deu os parabéns por termos feito o que ela pediu. Olhei para o papai e ele estava chorando abraçado em Cath, tadinho, ele estava triste por minha culpa, não é justo! Após o término da audiência, saimos da sala, e fomos imediatamente falar com papai, estava com medo dele estar bravo com a gente. - Papai… - May falou assim que nos aproximamos dele. - Oi, meus amores. O que houve? - Desculpa, papai. - O abracei, e May fez o mesmo. - Está tudo bem. Eu só queria entender… - Já volto! - Falei. Fui correndo até mamãe, que estava se achando por ter ganhado mais essa, mas como papai diz ‘’ela ganhou a batalha, mas não a guerra’’. Mamãe se virou em minha direção, e eu falei: - Fizemos o que você mandou. - Eu vi. Muito bem, assim que eu gosto. - Mas agora eu quero algo. - Ela me olhou curiosa. - Quero passar essa noite na casa do papai. - Mas não é sexta. - Eu menti por sua causa, não gosto de mentiras e você me obrigou a fazer isso, então, quero ir pra casa do papai, ou vou lá e digo pro juiz, que você nos obrigou a dizer que queríamos ficar com você. - Pirralha insolente! - Está tentando me ofender? Eu nem sei o que é isso. - Dei de ombros. - Ah, se estivéssemos em casa... - Falou com fúria. - Podemos ou não ir pra casa do papai? - Se amanhã vocês não forem pro colégio… - Nós vamos. Eu prometo! - Sorri. Sai correndo e contei para May, tia Cath e papai, que iríamos pra casa dele, e todos ficaram muito felizes. Durante o trajeto até a casa do papai, ele foi em silêncio, acho que estava triste ou chateado com a gente. Eu também estava triste e chateada comigo. Não queria ter mentido e agora por minha culpa, continuaríamos vivendo com a mamãe. O clima era de velório, ninguém dizia nada, acho que papai só ficava assim quando o Corinthians perdia. Assim que chegamos no apartamento do papai, a tia Cath disse que buscaria o sobrinho na casa de um amigo e se despediu da gente. Papai se sentou no sofá, e May e eu nos sentamos ao lado dele. - Está bravo com a gente? - Perguntei. - Não, meu amor. - Me abraçou. - Mas… Eu pensei que hoje eu ganharia a guarda de vocês. Eu não entendo, vocês sempre disseram que queriam morar comigo, mudaram de ideia? - Não, papai. - Disse May. - Ainda queremos morar com o senhor. - Então, por que não falaram isso pro juiz? May e eu nos olhamos em silêncio. - Hey, querem me contar algo? O que houve? Sabem que podem me contar qualquer coisa, não sabem? Nós duas acenamos a cabeça positivamente. - É que… A gente acha que a mamãe pode piorar sem a gente. - Falei. - E não queremos isso, né May? - É, sim. - Oh, meus amores… - Nos abraçou. - Vocês são as crianças mais incríveis do mundo. (...) Eu estava me sentindo péssima, havia mentido pro juiz e por minha culpa, a gente seguiria morando com a mamãe, e ela continuaria levando aqueles homens maus para me machucarem. Papai não havia dito nada, mas eu sabia que ele estava triste, dava para perceber, ele estava triste por minha causa. As vezes eu acho que mamãe só vai nos deixar em paz quando morrer. Eu queria que ela morresse. Tomamos banho, jantamos e depois fomos dormir. Papai não leu história pra gente nessa noite, ele disse que estava muito cansado, mas a verdade é que ele estava triste. No dia seguinte, assim que acordamos, fomos até a sala, papai já havia acordado. - Bom dia, minhas princesas. - Bom dia! - Falamos em uníssono. Tomamos café da manhã, depois nos arrumamos e papai nos levou para a escola. - Papai, desculpa. - Falei assim que ele estacionou o carro na frente do meu colégio. - Hey, está tudo bem, não precisa se desculpar, você fez o que teve vontade. - Me deu um beijo no rosto. - Boa aula, meus amores. - Deu um beijo no rosto da minha irmã. Nós duas entramos na escola, e mais um dia de aula se iniciava.
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