Ah, Se Fosse Verdade...

1111 Palavras
Mike e eu fomos até onde estava a minha família, e ao me aproximar deles, apenas abaixei a cabeça, estava com muita vergonha, não queria que eles soubessem, mas se eu não falasse iriam ver, e eu não tinha outra roupa para trocar. - O que foi, querida? - Papai perguntou ao pegar delicadamente em minha mão. Silêncio. - Está tudo bem, meu amor? - Ela está com vergonha, porque fez xixi na roupa. - Disse Mike, e eu continuei imóvel. - Mas não tem problema, não, quem nunca fez xixi na roupa? Essas coisas acontecem e está tudo bem. - Meu amor, vem cá… - Me aproximei de papai. - Me conta, o que aconteceu? Você estava bem, feliz, brincando… O que houve? - Hã… Eu… Eu estava procurando o banheiro, mas não achei. - E por que não me chamou? Eu te levava ao banheiro. - Desculpa. - Falei cabisbaixa. - Papai, preciso trocar de roupa. Vamos ter que ir embora? Ele pensou um pouco, e logo, disse: - Já sei! Você deixou uma mochila com umas roupas no meu carro, vamos ver se tem uma bermuda e uma calcinha? - Acenei positivamente com a cabeça. Fomos até o carro, papai pegou a mochila que eu havia deixado em seu veículo, abriu e tirou algumas roupas da mochila, até que achamos um shorts e uma calcinha. Oba! Acho que daria para brincar mais um pouco, mas dessa vez eu não sairia de perto do meu pai, pois estava com medo de ver o homem mau de novo. - Vem, vamos ao banheiro para trocar essa roupinha. - Papai, quando o senhor vai aprender que não pode entrar no banheiro feminino e nem eu no masculino? - Ele riu. - Você tem toda razão, meu bem. - Tia Cath, vem comigo? - Claro, pequena! Fui com a mais velha até o banheiro feminino, e ela me ajudou a me trocar. E enquanto ela ia me ajudando, fiquei olhando-a, e me pus a imaginar May e eu morando com ela, o papai e o London, que nem uma família de verdade, tenho certeza que tia Cath daria uma ótima mãe. - Prontinho. - Ela disse com um singelo sorriso. - Obrigada, mamãe. - Cobri rapidamente a boca com as mãos, e ela me olhou meio surpresa. Em seguida, as tirei da boca. - Desculpa. Obrigada, tia Cath. - Tudo bem, meu amor. Vamos? - Acenei a cabeça positivamente. Tia Cath colocou minha roupa suja em uma sacola, e voltamos para onde os outros estavam. Tia Cath se sentou novamente no gramado, ao lado de papai, e eu voltei a brincar com minha irmã e meus amigos. Ficamos mais algum tempo no local, e graças a Deus, eu não vi mais o homem mau, acho que havia ido embora. Depois fomos jantar em um restaurante. Nos sentamos à mesa, e logo um garçom se aproximou para anotar os nossos pedidos. - O que os senhores gostariam? - Ele perguntou. Papai havia escolhido um prato, que não parecia ser muito bom, não, tinha um monte de coisas que eu nunca comi. - E a sua esposa, o que gostaria? - O moço perguntou. Papai e tia Cath se olharam em silêncio, já May, London e eu apenas rimos. Ah, quem dera, se eles fossem casados mesmo. Os dois não disseram nada, tia Cath apenas pediu seu prato, e depois a gente também pediu o que gostaríamos de comer, e assim que o moço saiu, eu falei: - Você viu isso, papai? Ele pensou que vocês fossem casados. - Vi, sim. - Papai respondeu com o olhar fixo em tia Cath, que deu um sorriso tímido. - E bem que poderiam ser. - Falou May. Os dois não responderam nada, acho que não haviam escutado, ficaram só se olhando em silêncio. As vezes dava vontade de pedir tia Cath em namoro em nome do meu pai, porque está difícil… Assim que terminamos de comer, resolvemos ir no espaço kids, porém, quando me levantei da mesa, acabei batendo em alguém. Olhei para cima e sorri ao vê-lo. Acho que hoje era o dia dos encontros. - Edu! - O abracei. - Oi, princesa. - Me pegou no colo e coloquei minhas mãos em volta do pescoço dele. Logo se dirigiu para May. - Oi, May. Nisso, papai se levantou rapidamente e se pôs a encarar o Edu. - Quem é você? E de onde conhece as minhas filhas? Vem cá, meu amor. - Meu pai me pegou no colo, me tirando do colo de Edu. - Eu… Hã… - Ele é nosso vizinho do condomínio, papai, e é super legal. - Falei. Olhei rapidamente para minha irmã, que não estava entendendo nada, afinal, ela sabia que isso era mentira, e para ela, eu havia dito que ele era pai de uma colega, e eu pensei em dizer o mesmo, mas papai era esperto, podia querer saber quem é a amiga, e talvez a visse com o pai de verdade dela, e assim ele saberia que eu menti, achei que dizer que ele é nosso vizinho seria mais difícil de descobrir que é mentira. - Sei… - Papai falou olhando desconfiado para Edu. - Vocês estão bem? - Perguntou Edu. May e eu acenamos positivamente com a cabeça. - Que bom, pequenas! E a maluca da mãe de vocês? - Na mesma… - Disse May. - Como assim? - Papai perguntou. - O que houve? - Hã… Nada. O de sempre, mamãe fumando, bebendo e gritando com a gente, essas coisas… - Respondi. - Suas filhas são adoráveis, gosto muito delas. De uma forma genuína. Também sou pai e jamais machucaria suas filhas ou qualquer outra criança. Não mesmo, se Edu quisesse me machucar, ele já teria feito, porque oportunidade ele teve, mas não fez porque é bonzinho e tem um bom coração. - Olha, elas falam muito bem de você, diferente da mãe. Tira elas daquela casa, não é um ambiente adequado para criança. - Há anos que eu tento, recorri de novo a guarda delas, vamos ver no que vai dar. - Eu vou torcer para você conseguir e se quiser posso depor ao teu favor. - Obrigado. - Disse papai. - Mas eu nem te conheço. - Mas eu conheço tuas filhas e aquela mulher que não merecia ser mãe, ela não merece ficar com esses dois anjos. - Disse Edu, deixando o papai sem reação. Nisso, Edu se despediu da gente e foi embora. Sorri ao vê-lo se afastar, ele havia tentado ajudar a minha irmã e eu, e ele queria nos ajudar a ficar com papai. Ah, tomara que dê certo!
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