- Namorando de verdade? - May perguntou sem conter a alegria.
- É, meu amor. - Tia Cath respondeu timidamente.
- Então, você vai ser nossa nova mamãe e vamos poder morar com vocês? - Perguntei ao sonhar com essa possibilidade.
- Calma, baixinha, vamos devagar, Cath e eu recém começamos a namorar.
- Tudo bem, pelo menos o primeiro passo já foi dado.
May, London e eu ficamos muito felizes com a notícia, pois sempre torcemos muito para os dois ficarem juntos.
E com o namoro dos dois, a tia Cath e o London passaram a frequentar mais a nossa casa e a gente, a casa deles, também saíamos e viajávamos juntos, como uma família de verdade. Eu estava torcendo para meu pai e tia Cath se casarem para May e eu passarmos a viver com eles.
Era um sábado, London havia ido dormir na casa de um amiguinho e tia Cath passou a noite conosco, papai pediu pizza e ficamos vendo desenho.
May acabou pegando no sono enquanto víamos o desenho.
- Acho que está na hora de dormir, né? - Papai disse.
- Posso ficar mais um pouquinho? - Pedi.
- Deixa, amor. - Tia Cath me abraçou.
- Ok, só mais um pouquinho. Vou arrumar a cama para sua irmã.
Papai saiu e tia Cath foi ao banheiro, e eu segui vendo desenho.
- Chloe, me alcança o meu absorvente? - Tia Cath gritou do banheiro. - Está na minha bolsa.
Eu abri a bolsa dela e tinha batom, perfume, uma carteira, celular, desodorante e umas coisas brancas quadradinhas.
“Deve ser isso.” - Pensei.
Peguei um, fui até o banheiro e bati à porta, ela logo abriu.
- Isso? - Perguntei.
- Isso. Obrigada.
Entreguei para ela e voltei para sala. Tia Cath logo saiu do banheiro e papai entrou no banheiro.
- O que é “absorvete”? - Ela riu.
- É absorvente, meu amor. Deixa eu te mostrar.
Ela abriu a bolsa, pegou um absorvente, abriu e me mostrou.
- Para que serve? - Perguntei.
- Chloe, você sabe o que é menstruação? - Neguei com a cabeça. - Bom, toda mulher quando cresce um pouco fica menstruada, que é quando um pouquinho de sangue sai do corpo da mulher uma vez por mês, porque o corpo não precisa mais desse sangue, então ele sai pela parte íntima.
- Pela v***a? - Perguntei.
- Isso mesmo. E dai, para não sujarmos a calcinha, usamos o absorvente. E esse é um processo super normal e saudável, que ocorre com todas as mulheres em algum momento da vida, e também é o corpo da mulher dizendo que está tudo bem para ter neném, se a mulher quiser. Entendeu?
- Entendi.
- Mais alguma pergunta?
- Não, isso eu entendi, mas você vai ter neném?
- Não, meu amor, quer dizer, agora não, mas quem sabe um dia.
A mulher sorriu e me deu um beijo no rosto. Nisso, papai saiu do banheiro.
- Posso saber do que as duas tanto conversam?
- Papo de mulher, papai. - Falei fazendo os dois rirem.
Papai e tia Cath me colocaram para dormir, e depois saíram do meu quarto.
Pouco depois acabei dormindo, e tive um sonho lindo. Sonhei que papai e tia Cath se casavam e May e eu passamos a morar com eles e com London, tomara que um dia esse meu sonho vire realidade.
(...)
Os dias iam se passando e tudo seguia normal, mamãe continuava nos batendo e levando aqueles amigos maus para me machucarem, as vezes ela participava junto e nem ligava se eu sentia dor e chorava, até parecia gostar de ver eu sofrendo, na verdade, acho que ela gostava disso, que eu sofra. Ah, como queria ficar com papai e tia Cath, onde eu era feliz.
Era uma terça - feira, no dia seguinte seria feriado. A mãe de Mike resolveu fazer uma festa do pijama e convidou a Jenny, a May e eu. Minha irmã e eu pedimos para nossa mãe, que a principio não quis deixar eu ir, autorizando apenas a May para ir, mas eu pedi muito e disse que estava obedecendo e fazendo tudo o que ela queria, por fim, acabou autorizando para minha alegria.
May brincou bastante com Yohan, o irmãozinho do Mike, e eu brinquei muito com meu amigo e Jenny. Nós vimos desenho, comemos um monte de besteiras e brincamos muito, depois à noite, May dormiu no quarto de Yohan e Jenny e eu dormimos no quarto de Mike.
- A próxima vez quero que vocês durmam na minha casa. - Disse Jenny. - Minha mãe faz umas panquecas de chocolate, que são uma delícia, vocês vão amar!
- Oba! Eu vou! - Disse Mike.
- E quando vamos dormir na sua casa, Chloe? - Minha amiga perguntou.
‘’Hã… ‘’- Pensei em mamãe. - Podemos dormir na casa do meu pai, ele é um ótimo cozinheiro, faz de tudo!
- Legal! - Disse a garota.
Nós três ficamos conversando e brincando, até a mãe do Mike pedir pra irmos dormir, e resolvemos obedecer.
No dia seguinte, tomamos um delicioso café da manhã, brincamos mais um pouco, almoçamos e depois como estava muito calor, a mãe do Mike deixou a gente tomar banho de mangueira, já que a piscina ainda não estava pronta.
- Mamãe, posso tirar a roupa? Não gosto de ficar com a roupa molhada colada no corpo.
- Claro, querido.
Mike tirou toda a roupa, ficando totalmente nu, como eu o conhecia desde que éramos muito pequenos, já havíamos tomado banho de chuveiro, de piscina e de mangueira sem roupa, não víamos problema nisso.
- Tirem também. - Ele disse.
Olhei para seu Fabiano, o padrasto de Mike, que estava saindo de casa, indo até o quintal, onde estávamos e neguei com a cabeça. O homem deu um selinho na esposa, beijou o rosto de Mike e saiu de carro, esperei ele sumir por completo do meu campo de visão, e então tirei minha roupa, May, Jenny e Yohan fizeram o mesmo. Como o quintal dava para uma área de matas, onde não tinha casas e não passava ninguém, não tinha perigo de alguém passar e nos ver. A mãe do Mike ficava molhando a gente, enquanto nos divertíamos muito, ah, estava tão quente, só assim pra gente se refrescar. Quando terminamos com o banho de mangueira, eu entrei para ir ao banheiro e quando sai avistei Mike.
- Peguei pra você! - Ele disse ao se referir à flor, que estava segurando.
O garoto colocou a flor atrás da minha orelha e sorriu.
- Ficou mais linda ainda.
- Obrigada! - Falei meio envergonhada.
- Vem, vamos nos arrumar. - Pegou em minha mão e fomos até o seu quarto.
Jenny, Mike e eu colocamos nossas roupas e May e Yohan fizeram o mesmo no quarto do garoto.
Nossa, eu havia me divertido tanto!
Mais tarde, May e eu tivemos que ir pra casa, infelizmente.
(...)
À noite, mamãe me chamou, e eu já imaginava do que se tratava.
- Mamãe, estou com dor de cabeça. - Menti, achando que ela teria compaixão.
- E eu sou o coelhinho da páscoa. Acha o quê? Que dinheiro nasce em árvore? Ontem te dei folga, mas hoje é dia de trabalhar.
Trabalhar? Como assim? Se fosse pra trabalhar em mercado, farmácia, loja, o que fosse, eu queria, mas papai disse que criança não pode trabalhar.
Mamãe me pegou à força pelo braço e me levou até o quarto dela. Ela não participou dessa vez.
Eu chorei muito e pedi para o homem não me machucar, mas não adiantou. Eu gritei de dor e ele continuou.
De repente, enquanto ele me machucava e eu chorava, eu notei que a porta estava entreaberta, e então, eu a vi, era Maytê, que ficou horrorizada com a cena. Meu Deus! Minha irmãzinha não podia ter visto. E agora?