Uma Família De Verdade

1326 Palavras
- Namorando de verdade? - May perguntou sem conter a alegria. - É, meu amor. - Tia Cath respondeu timidamente. - Então, você vai ser nossa nova mamãe e vamos poder morar com vocês? - Perguntei ao sonhar com essa possibilidade. - Calma, baixinha, vamos devagar, Cath e eu recém começamos a namorar. - Tudo bem, pelo menos o primeiro passo já foi dado. May, London e eu ficamos muito felizes com a notícia, pois sempre torcemos muito para os dois ficarem juntos. E com o namoro dos dois, a tia Cath e o London passaram a frequentar mais a nossa casa e a gente, a casa deles, também saíamos e viajávamos juntos, como uma família de verdade. Eu estava torcendo para meu pai e tia Cath se casarem para May e eu passarmos a viver com eles. Era um sábado, London havia ido dormir na casa de um amiguinho e tia Cath passou a noite conosco, papai pediu pizza e ficamos vendo desenho. May acabou pegando no sono enquanto víamos o desenho. - Acho que está na hora de dormir, né? - Papai disse. - Posso ficar mais um pouquinho? - Pedi. - Deixa, amor. - Tia Cath me abraçou. - Ok, só mais um pouquinho. Vou arrumar a cama para sua irmã. Papai saiu e tia Cath foi ao banheiro, e eu segui vendo desenho. - Chloe, me alcança o meu absorvente? - Tia Cath gritou do banheiro. - Está na minha bolsa. Eu abri a bolsa dela e tinha batom, perfume, uma carteira, celular, desodorante e umas coisas brancas quadradinhas. “Deve ser isso.” - Pensei. Peguei um, fui até o banheiro e bati à porta, ela logo abriu. - Isso? - Perguntei. - Isso. Obrigada. Entreguei para ela e voltei para sala. Tia Cath logo saiu do banheiro e papai entrou no banheiro. - O que é “absorvete”? - Ela riu. - É absorvente, meu amor. Deixa eu te mostrar. Ela abriu a bolsa, pegou um absorvente, abriu e me mostrou. - Para que serve? - Perguntei. - Chloe, você sabe o que é menstruação? - Neguei com a cabeça. - Bom, toda mulher quando cresce um pouco fica menstruada, que é quando um pouquinho de sangue sai do corpo da mulher uma vez por mês, porque o corpo não precisa mais desse sangue, então ele sai pela parte íntima. - Pela v***a? - Perguntei. - Isso mesmo. E dai, para não sujarmos a calcinha, usamos o absorvente. E esse é um processo super normal e saudável, que ocorre com todas as mulheres em algum momento da vida, e também é o corpo da mulher dizendo que está tudo bem para ter neném, se a mulher quiser. Entendeu? - Entendi. - Mais alguma pergunta? - Não, isso eu entendi, mas você vai ter neném? - Não, meu amor, quer dizer, agora não, mas quem sabe um dia. A mulher sorriu e me deu um beijo no rosto. Nisso, papai saiu do banheiro. - Posso saber do que as duas tanto conversam? - Papo de mulher, papai. - Falei fazendo os dois rirem. Papai e tia Cath me colocaram para dormir, e depois saíram do meu quarto. Pouco depois acabei dormindo, e tive um sonho lindo. Sonhei que papai e tia Cath se casavam e May e eu passamos a morar com eles e com London, tomara que um dia esse meu sonho vire realidade. (...) Os dias iam se passando e tudo seguia normal, mamãe continuava nos batendo e levando aqueles amigos maus para me machucarem, as vezes ela participava junto e nem ligava se eu sentia dor e chorava, até parecia gostar de ver eu sofrendo, na verdade, acho que ela gostava disso, que eu sofra. Ah, como queria ficar com papai e tia Cath, onde eu era feliz. Era uma terça - feira, no dia seguinte seria feriado. A mãe de Mike resolveu fazer uma festa do pijama e convidou a Jenny, a May e eu. Minha irmã e eu pedimos para nossa mãe, que a principio não quis deixar eu ir, autorizando apenas a May para ir, mas eu pedi muito e disse que estava obedecendo e fazendo tudo o que ela queria, por fim, acabou autorizando para minha alegria. May brincou bastante com Yohan, o irmãozinho do Mike, e eu brinquei muito com meu amigo e Jenny. Nós vimos desenho, comemos um monte de besteiras e brincamos muito, depois à noite, May dormiu no quarto de Yohan e Jenny e eu dormimos no quarto de Mike. - A próxima vez quero que vocês durmam na minha casa. - Disse Jenny. - Minha mãe faz umas panquecas de chocolate, que são uma delícia, vocês vão amar! - Oba! Eu vou! - Disse Mike. - E quando vamos dormir na sua casa, Chloe? - Minha amiga perguntou. ‘’Hã… ‘’- Pensei em mamãe. - Podemos dormir na casa do meu pai, ele é um ótimo cozinheiro, faz de tudo! - Legal! - Disse a garota. Nós três ficamos conversando e brincando, até a mãe do Mike pedir pra irmos dormir, e resolvemos obedecer. No dia seguinte, tomamos um delicioso café da manhã, brincamos mais um pouco, almoçamos e depois como estava muito calor, a mãe do Mike deixou a gente tomar banho de mangueira, já que a piscina ainda não estava pronta. - Mamãe, posso tirar a roupa? Não gosto de ficar com a roupa molhada colada no corpo. - Claro, querido. Mike tirou toda a roupa, ficando totalmente nu, como eu o conhecia desde que éramos muito pequenos, já havíamos tomado banho de chuveiro, de piscina e de mangueira sem roupa, não víamos problema nisso. - Tirem também. - Ele disse. Olhei para seu Fabiano, o padrasto de Mike, que estava saindo de casa, indo até o quintal, onde estávamos e neguei com a cabeça. O homem deu um selinho na esposa, beijou o rosto de Mike e saiu de carro, esperei ele sumir por completo do meu campo de visão, e então tirei minha roupa, May, Jenny e Yohan fizeram o mesmo. Como o quintal dava para uma área de matas, onde não tinha casas e não passava ninguém, não tinha perigo de alguém passar e nos ver. A mãe do Mike ficava molhando a gente, enquanto nos divertíamos muito, ah, estava tão quente, só assim pra gente se refrescar. Quando terminamos com o banho de mangueira, eu entrei para ir ao banheiro e quando sai avistei Mike. - Peguei pra você! - Ele disse ao se referir à flor, que estava segurando. O garoto colocou a flor atrás da minha orelha e sorriu. - Ficou mais linda ainda. - Obrigada! - Falei meio envergonhada. - Vem, vamos nos arrumar. - Pegou em minha mão e fomos até o seu quarto. Jenny, Mike e eu colocamos nossas roupas e May e Yohan fizeram o mesmo no quarto do garoto. Nossa, eu havia me divertido tanto! Mais tarde, May e eu tivemos que ir pra casa, infelizmente. (...) À noite, mamãe me chamou, e eu já imaginava do que se tratava. - Mamãe, estou com dor de cabeça. - Menti, achando que ela teria compaixão. - E eu sou o coelhinho da páscoa. Acha o quê? Que dinheiro nasce em árvore? Ontem te dei folga, mas hoje é dia de trabalhar. Trabalhar? Como assim? Se fosse pra trabalhar em mercado, farmácia, loja, o que fosse, eu queria, mas papai disse que criança não pode trabalhar. Mamãe me pegou à força pelo braço e me levou até o quarto dela. Ela não participou dessa vez. Eu chorei muito e pedi para o homem não me machucar, mas não adiantou. Eu gritei de dor e ele continuou. De repente, enquanto ele me machucava e eu chorava, eu notei que a porta estava entreaberta, e então, eu a vi, era Maytê, que ficou horrorizada com a cena. Meu Deus! Minha irmãzinha não podia ter visto. E agora?
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