De Volta Para o Inferno

1083 Palavras
No dia seguinte, papai me chamou para conversar, disse que estava preocupado comigo, que não era a primeira vez que eu tinha pesadelo e que eu fazia xixi na cama, ele disse que não ficava bravo por isso, mas sim, preocupado e perguntou se estava tudo bem em casa, e por medo, eu menti que sim, pois se mamãe soubesse que eu havia contado toda a verdade, ela ia m***r o meu pai também, e eu não queria isso, eu o amava demais, e ele era a única pessoa que nos cuidava e nos protegia, eu me sentia cuidada e segura ao lado dele, e eu já tinha perdida a Sammy, não podia perder o papai também. No sábado, papai nos levou para passear, fomos ao cinema e depois ao circo, May e eu nos divertimos bastante, tudo o que mamãe não fazia com a gente, papai fazia, por isso que a gente amava ele. Papai era super divertido, era o melhor do mundo. (...) Infelizmente havia chegado o dia de voltar pra casa, mas eu não queria, não queria mais viver com a mamãe. - Estão prontas? - Papai perguntou. - Não quero ir. - Falei tentando conter o choro. - Eu também não quero que vocês voltem pra casa, meus amores. - Disse papai. - Mas infelizmente, eu preciso levá-las. Quando papai falou isso, eu comecei a chorar e a gritar. - EU NÃO QUERO, EU NÃO QUERO IR. POR FAVOR, PAPAI ME DEIXE FICAR, EU QUERO FICAR, NÃO QUERO IR PRA CASA. Papai acabou ficando assustado com a minha reação, acabei assustando sem querer até a minha irmãzinha. Eu tremia bastante e não conseguia parar de chorar, pois voltar pra casa era voltar para o pesadelo, para o inferno que era viver ao lado da minha mãe, não queria mais isso pra gente. - Filha… - Se sentou ao meu lado. - Assim você me deixa em uma saia justa, fico sem saber o que fazer. Não quero te levar nesse estado, você sabe que eu sou contra fazer qualquer coisa contra a vontade de vocês, mas… Ao mesmo tempo eu preciso seguir a ordem da justiça, que determina que eu passe apenas os finais de semana com vocês, e poderia ser pior ainda. Quando eu era pequeno, meus pais também se separaram, e eu via o meu pai um fim de semana sim, e um não. Já pensou se fosse assim? - Mas a gente prefere ficar com o senhor, papai. - Falei sem conter as lágrimas. - Me leva pra falar com o juiz, a gente diz que prefere o senhor. - É, deixa a gente tentar. - Pediu May. - Ah, meus amores… Como eu queria que fosse fácil assim… Eu amo vocês mais do que tudo nesse mundo, se eu pudesse vocês jamais voltariam pra casa, mas para a justiça não é bem assim que funciona. - Eu odeio a justiça! - Disse May. - Eu também, gatinha, nem sempre eles fazem a coisa certa. - Disse papai. E sem saída, ele acabou nos levando de volta para mamãe. Fui o caminho todo chorando, não queria voltar, e ainda aquela casa me lembrava tanto a Sammy. Ah, papai falou que estava tentando resolver a nossa questão da casa, ele disse que iria conseguir uma mais bonita pra gente, ficamos felizes com a notícia. Papai nos levou até a mesma praça, que mamãe havia nos levado quando nos entregou para nosso pai, da primeira vez estávamos felizes, mas dessa vez não. Em seguida, mamãe chegou, nem nos cumprimentou. Nos despedimos de papai com um forte abraço e fomos com a nossa mãe. Era uma segunda - feira, mas era feriado, por isso não teríamos aula, e nem nos feriados, mamãe não deixava a gente ficar com nosso pai, era aos finais de semana e ponto. Fomos pra casa, e May e eu fomos direto para ‘’o nosso quarto’’, sentei em meu colchão e desabei a chorar. Algum tempo depois, escutamos vozes. Era de mamãe, ela parecia estar falando com alguém, mas ninguém respondia. May e eu fomos cautelosamente até a sala, de onde vinha a voz de nossa mãe, e ficamos espiando.-a, estava falando sozinha enquanto cheirava sei lá o quê. - Mamãe? - May a chamou. Ela nos olhou imediatamente, estava diferente, sua cara… Não sei explicar, mas senti algo r**m, me deu medo. - Com quem está falando? - Perguntei assustada. - Com a minha mãe, olha como ela está linda. - Olhou para o vazio. - Xi, de novo esse lance da vovó. - Disse May. - O que você disse? - Mamãe a olhou com fúria. - É que… a vovó já morreu. - Disse minha irmã. - CALA BOCA, SUA INFELIZ! - Deu um t**a no rosto da minha irmãzinha, que começou a chorar. - VOCÊ NÃO SABE DE NADA, MINHA MÃE ESTÁ VIVINHA. - Se afastou da gente e foi em direção ao vazio. - Não liga pra ela, mãezinha, é uma ignorante. Eu detestava quando mamãe ficava assim, ela nos assustava bastante, e ainda havia batido na minha irmã, eu preferia que ela batesse em mim do que na May, que era menor. Deixamos a mamãe falando sozinha e voltamos para o quarto. Nos sentamos em meu colchão, e eu abracei a minha irmã enquanto massageava o lado do rosto que mamãe havia batido. - Nunca vou entender o porquê dela não deixar a gente ficar com papai, se nos odeia. - Disse May. - Também não entendo. Ah, que saudade da Sammy… (...) No dia seguinte, May e eu tomamos banho e nos arrumamos sozinhas, também fizemos umas torradas pra gente e fomos pra escola sozinhas como antigamente, agora não tínhamos mais a Sammy para fazer essas coisas pra gente. Eu não gostava de andar sozinha pelas ruas, papai dizia que as ruas podem ser muito perigosas pra criança, porque pode haver atropelamento e também porque há muita gente má no mundo, mas fazer o que se não tínhamos ninguém para nos levar e nos buscar da escola? - Chloe… - Mike veio correndo em minha direção, assim que entrei na escola. - Quer brincar com a gente? - Claro! - Falei. Larguei a minha mochila em um banco e fui brincar com Mike e Jenny. Brincamos bastante até o sinal tocar, e quando isso aconteceu, pegamos nossas mochilas e fomos correndo para a nossa fila, a professora chegou em seguida e mais um dia de aula começava.
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