- Bom, o dia das mães está chegando, e vamos fazer uma apresentação bem linda para as mamães. - Disse a minha professora.
Meus colegas vibraram de alegria, e bateram palmas. Mas eu não queria participar dessa apresentação b***a que falava bem de uma mãe que eu não tinha. Apresentação para o dia das mães? Que mãe? A que me bate? A que não me cuida? A que não me dá amor? A que não faz comida para mim, e nem me conta histórias para dormir? Ou aquela que me obriga a ir com homens maus, que me machucam? Eu não queria me apresentar para essa mãe.
A professora colocou a música que cantaríamos na nossa apresentação para conhecermos, era Minha Mãe, do Balão Mágico. No refrão dizia ‘’Minha mãe. Valeu pelo carinho e atenção. Minha mãe. Valeu do fundo do meu coração. Pra você o seu maior presente fui eu, então, saiba que pra mim nós somos iguais, pois você é o melhor dos presentes que Deus me deu. Mãe, eu te amo demais.’’ Nesse trecho, eu comecei a chorar, porque não sentia nada disso, eu não a amava, e saiba que ela também não me amava, para ela, May e eu fomos o pior presente que a vida lhe deu. Se fosse para papai, eu faria aquela apresentação com o maior amor e entusiasmo, mas para mamãe eu não queria.
- Oh, meu amor, você está chorando. - Disse a professora ao se aproximar de mim. - Ficou emocionada com a letra, é?
‘’Ah, se ela soubesse o verdadeiro motivo por eu estar chorando.’’ - Pensei.
Nisso, a professora pediu pra gente se levantar para fazermos o primeiro ensaio. Ela posicionou todo mundo, inclusive eu, que fiquei do lado do Mike e do Estevão. Quando a música começou, a professora passou a fazer a coreografia, e todos meus colegas a imitaram, porém, eu nem me mexi.
- Vamos Chloe. - A prof disse. - O que houve?
- Eu não quero. - Falei.
- Pessoal, vamos fazer uma pausa. - Desligou a música, e veio em minha direção. - O que houve, meu amor?
- Não quero me apresentar.
- E eu posso saber o porquê disso? - Dei de ombros. - Algum motivo deve ter, e sei que timidez não é.
Olhei para meus colegas, que estavam atentos em nossa conversa, e fiquei meio constrangida. Acho que a professora notou isso.
- Vem comigo. - Me pegou pela mão. - Turma, já voltamos.
Ela passou na recepção, que ficava na frente da nossa sala e pediu pra recepcionista dar uma olhada em minha turma. Em seguida, fomos até o refeitório que estava vazio naquele momento. Me colocou sentada em cima da mesa, e sentou no banco, em minha frente.
- Me conta, o que está havendo?
- Eu… Hã… Eu só não quero me apresentar.
- Tudo bem, mas eu preciso saber o motivo. Não acha que sua mãe ficaria feliz em ver sua apresentação?
- Acho que ela nem viria, como no ano passado e no retrasado, e… Acho que ela nunca foi em nenhuma apresentação minha ou da minha irmã, nem na do dia das mães e nem nas apresentações de fim de ano, só papai que vai. Posso esperar até o dia dos pais?
- Oh, meu amor. - Acariciou meu rosto. - Vou chamar sua mãe e vou conversar com ela, ok? - Falou de forma carinhosa.
- Professora, acho que é perda de tempo, ela não vai vir mesmo, sempre tem alguma desculpa pra não vir. Por favor, eu não quero me apresentar. - Comecei a chorar. - Papai diz que não podemos obrigar ninguém a fazer aquilo que não quer.
‘’Pena que mamãe não pensa da mesma forma.’’ - Pensei.
- Oh, meu bem… - Falou de forma doce. - Teu pai tem toda razão, mas… E o que digo pra sua mãe?
- Nada, ela não pretende vir, nem se importa com isso, não vê nossas agendas pra saber quando vai ser a apresentação e se duvidar nem sabe quando é o dia das mães.
- Talvez seja só a correria do dia a dia, do trabalho… Aposto que não faz por m*l.
- É, talvez… Então, posso não me apresentar?
- Ok, pode.
- Obrigada, professora. - Sorri e abracei.
Voltamos para a sala, e ela voltou a ensaiar a apresentação com os meus colegas, enquanto eu desenhava.
No recreio, Mike e Jenny me perguntaram o porquê de eu não ter ensaiado, e o que eu havia dito para a professora quando saimos da sala, e eu disse que havia falado que no dia da festinha de dia das mães, eu não poderia ir, pois iria viajar com minha mãe. Quem dera se fosse verdade. Por sorte eles acreditaram e não tocaram mais no assunto.
Quando a aula acabou, esperei por May, e assim que ela apareceu, me despedi dos meus amigos e saimos da escola. No caminho pra casa, minha irmã comentou sobre a apresentação de dia das mães e eu falei que tinha conversado com minha professora e que não iria me apresentar.
- E ela deixou? - Perguntou.
- Aham.
- Legal! Também não quero me apresentar, amanhã vou falar com a minha professora.
De repente, um carro parou ao nosso lado, nos assustando. Apressamos o passo, mas o carro começou a vir devagarinho ao nosso lado. Olhei de relance para o carro e vi que havia um homem na direção, parecia estar sozinho no carro, fiquei com medo.
- Psiu. - Nos chamou. - Estão sozinhas? Querem uma carona?
- Não, valeu. - Disse Maytê.
- May, lembra do que o papai disse sobre não falar com estranhos. - A repreendi.
- Tem razão!
- Vocês estão certas, mas eu me chamo Hiago. Viu, não sou mais estranho, e como vocês se chamam? - Ignoramos ele, que seguia nos seguindo. - Entrem aí, eu deixo vocês em casa.
- Corre! - Cochichei para May.
Saimos correndo e o carro continuava nos seguindo, o que bateu um certo desespero, fiquei com muito medo que ele nos sequestrasse ou que nos pegasse pra fazer maldade, como aqueles homens maus fazem comigo, eu não queria que fizesse nada com a minha irmãzinha. Ai, meu anjinho da guarda, nos ajude, por favor!