O Que Está Havendo?

1283 Palavras
Papai desligou a música e depois veio até mim. - Eu não estou ouvindo, eu não estou ouvindo… - Falei ainda com as mãos nos ouvidos. - Filha, já deu! Parei a música. - Papai disse ao tirar minhas mãos dos meus ouvidos. Nisso notei que já não tinha música e me sentei aliviada no sofá, e notei os olhos assustados do meu pai e da minha irmã, acho que eles não haviam entendido nada. - Meu amor, o que houve? Você sempre gostou dessa música… - Não gosto mais. -Tudo bem, não tem problema, mas por que essa reação? Não precisava disso, filha, era só pedir que o papai tirava a música. - Desculpa, pai. - O abracei. - Tudo bem, meu amor. (...) Mais tarde, quando eu já estava mais calma, fomos até a casa de tia Cath, que já havia chegado com London. May e eu ficamos brincando com o nosso amigo, enquanto papai conversava com a tia Cath na sala. - Bem que o nosso pai podia se casar com a sua tia. - Falei enquanto brincávamos de jogo da memória. - Assim seríamos tipo irmãos. - Nossa, seria demais! - Disse o menino. - Eu ia adorar que vocês fossem minhas irmãs. - E a gente gostaria de ter um irmão. - Disse May. - Né, Chloe? - Aham, seria genial. Ah, eu adoraria que isso acontecesse, pois eu gostava muito da tia Cath, ela é super carinhosa e boazinha, e ainda brinca com a gente, é a mãe que eu deveria ter, como eu queria que papai se casasse com ela, para May e eu podermos morar com os dois, por que os adultos têm que dificultar as coisas? Era só papai pedir ela em casamento, ela aceitar e pronto. Eu resolvi ir até a sala para falar com o papai, porém, ao me aproximar, escutei meu pai falando de mim com a tia Cath, e resolvi me esconder para que não me vissem. - Ela anda tão estranha ultimamente, volta e meia tem pesadelos e quando isso ocorre, acaba fazendo xixi na cama. - Ah, é normal, ela ainda é pequena. - Disse tia Cath. - Eu sei, e não fico bravo ou chateado com a situação, mas fico preocupado, ela não fazia isso antes. E não é só isso, hoje eu coloquei um pouco de música pra gente ouvir, e de repente ela começou a gritar que não queria ouvir, cobriu os ouvidos com as mãos, confesso que fiquei assustado, e a May também. E sem falar naquele dia lá em casa, você viu como ela ficou, quando quebrou um copo… Eu só queria saber o que está havendo, queria poder entendê-la. Confesso que fiquei triste de ouvir meu pai dizer essas coisas, não fiquei triste com ele, mas sim, comigo, por deixar o meu pai se sentir assim, eu o amo mais do que tudo nesse mundo todinho, e não queria que ele ficasse chateado comigo ou se sentisse m*l por minha causa. - Hey… - De relance, vi tia Cath colocar a mão no braço do meu pai, acariciando-o. - Ela te ama, dá pra ver que essas duas são louquinhas por você, e sei que se elas pudessem escolher, escolheriam morar com você. - Eu sei… - Falou meio tristonho, fazendo eu me sentir pior ainda. Sai de onde eu estava, e eles nem notaram minha presença. Fui até o meu pai e o abracei. - Hum… Que abraço gostoso! O que houve, meu amor? - Nada, eu só queria dizer que eu te amo muito, do tamanho do céu. - Do céu? Mas o céu é infinito. - Sim, que nem o meu amor por você. - Falei. - Oh, minha pequena… - Me colocou sentada em seu colo. - Eu também te amo muito, do tamanho do céu, do universo, da galáxia. - Eu ri, e ele me deu um beijo no rosto. - Ah papai, quase que eu me esqueço. - Falei. - Podemos sair? - Sair? Hum… Acho que sim. Onde você quer ir? - Bom… Podíamos fazer um piquenique, né? - Ah, acho uma boa ideia. - Me abraçou. Logo se dirigiu para Cath. - Vocês vêm com a gente? - Não sei… - Por favorzinho. - Juntei as mãos em um ato de súplica. - Ai, meu Deus! Como eu posso resistir a essa fofura? - Me deu um beijo no rosto. - Vou preparar umas coisas pra gente levar. - Também vou. - Disse papai. - Elas podem ficar aqui enquanto eu ajeito tudo? - Claro que sim. - Tia Cath disse docemente. - Pode ir. Papai se retirou, e logo tia Cath se virou para mim, e perguntou: - Quer me ajudar a arrumar tudo? - Quero! - Respondi empolgada. Tia Cath foi me dando algumas instruções do que pegar e onde colocar, e eu fui ajudando-a, adorava me sentir útil. Após colocarmos algumas coisas em uma cesta, tia Cath pensou um pouco e logo perguntou: - O que acha de fazermos um bolo de chocolate para levarmos? - Sim! Sim! Sim! - Pulei entusiasmada. Eu já havia feito alguns bolos com papai, mas dessa vez seria diferente, dessa vez seria como se eu estivesse fazendo com mamãe. Tia Cath pediu para eu perguntar para London e May se eles queriam nos ajudar a fazer o bolo, mas os dois preferiam ficar brincando, e confesso, que por mais que eu ame a minha irmã, e goste muito do London, eu fiquei feliz por eles não quererem nos ajudar, assim eu poderia ficar sozinha com a tia Cath. Nós duas preparamos o bolo e acabamos fazendo a maior bagunça, eu me sujei inteirinha de farinha e tia Cath nem ficou brava comigo. Quando papai voltou com a cesta que ele havia preparado, ele riu ao ver o meu estado. - Olha papai, estou parecendo o Olaf. - Falei ao me referir ao boneco de neve do filme Frozen. - Está mesmo. - Riu. - Vem, vamos trocar essa roupa, não dá pra sair nesse estado. - Tia Cath, vem comigo? - Perguntei. Ela olhou para o papai como se pedisse permissão, e ele disse para não demorarmos muito. Fomos até a minha casa, eu me lavei e troquei de roupa, coloquei uma outra bermuda e tia Cath me ajudou a colocar uma camisa limpa. - Posso fazer um penteado em você? - Perguntou. - Claro! Peguei a minha escova de cabelo, algumas borrachinhas e entreguei para ela. Logo me sentei na minha cama e tia Cath começou a arrumar o meu cabelo, ah, ela tinha a mão tão suave… - Cath… Você gosta do meu pai, né? - Como assim? - Terminou de amarrar a trança que ela havia feito. - Gosta dele ou não gosta? - Claro que gosto. - Meus olhos brilharam ao ouvir isso. - Somos bons amigos. - Meu brilho sumiu. - Gosta pra namorar? Ah, ele é bonitão, é legal, gentil, ótimo pai pra gente, e sei que seria pro London também, e aposto que daria um ótimo marido. - Hey, mocinha, de onde você tirou tudo isso? - Daqui, ó. - Apontei para minha cabeça. - Eu ia gostar que você fosse namorada do meu pai. - Oh, meu amorzinho… Eu adoro você e a May, sabia? Mas quem sabe um dia… Isso não depende só de mim… - Ah, vocês adultos… - Revirei os olhos e ela riu. - Vem, vamos, já estamos demorando. Voltamos para o apartamento de tia Cath e todos já estavam prontos, só nos esperando. E sem perder mais nenhum minuto, fomos rapidamente para o nosso piquenique, e algo me dizia que seria demais.
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