Papai leu uma história pra gente, e em seguida nos colocou para dormir. Nos deu um beijo de “boa noite” e apagou a luz do nosso quarto.
- Acende. Acende. - Comecei a gritar e a chorar.
- Hey, está tudo bem. - Acendeu a luz. - O que houve?
- Não gosto de escuro.
- Desde quando?
- Hã… Desde agora. Podemos dormir de luz acesa?
- Claro, meu amor, sem problema.
Papai se retirou e pouco depois acabei pegando no sono.
(...)
No dia seguinte, assim que acordamos, fomos tomar um delicioso café da manhã, que papai havia preparado pra gente.
- E o London, papai? - Perguntei.
- Agora ele está morando com a Cath.
- Podemos vê-lo? - May perguntou.
- Claro, meu amor, ele vai adorar ver vocês.
Assim que terminamos de comer, fomos até a casa da tia Cath. Papai tocou a campainha e ela logo abriu a porta.
- Oi Carter. - Falou timidamente. Logo se dirigiu para nós. - Oi, meus amores.
- Oi. Viemos ver o London. - Disse minha irmã.
- Ele vai ficar muito feliz em ver vocês. Entrem. - Entramos na casa, e ficamos na sala. - Vou chamá-lo.
A mulher saiu por alguns segundos e logo retornou com o sobrinho. May e eu o abraçamos, tentando passar conforto. Deixamos tia Cath e papai conversando na sala e fomos até o quarto do menino.
- Sinto muito pela sua mãe. - Falei. - Se desse, eu trocaria a minha mãe pela sua.
- Por quê? - Perguntou confuso.
- Porque as mamães boas não deviam morrer.
- E a sua não é boa?
- Não! Ela nos odeia. Acho que ela odeia até ela mesma. - Falei.
- A minha mãe não me odiava, pelo contrário, ela vivia dizendo o quanto me amava. Saudade dela… - Falou tristemente.
Ah, fiquei tão triste por ver o meu amigo m*l. Se a minha mãe morresse eu não ficaria triste, pelo contrário, mas minha mãe era má, diferente da mãe dele, que era super boazinha. Por que as mães más não morrem, mas as boas sim?
Ficamos um pouco com ele e tentamos brincar, para assim distraí-lo, acho que deu certo.
Pouco depois voltamos para a casa do papai, e logo que entramos, a campainha tocou diversas vezes, pela forma de tocar, eu até já imaginei quem era.
Papai abriu a porta e ela entrou feito fera em casa.
- Ah, mas eu sabia que vocês estavam aqui… - Disse com fúria. - Enlouqueceram? Hoje não é dia de ficar com o Carter. - Se virou para papai. - E você? Por que foi buscá-las?
- Ele não foi. Nós viemos sozinhas. - Falei.
- Sozinhas? Não tentem acobertá-lo.
- É verdade, mamãe. - Disse May. - Queremos ficar com o papai.
- Pois não vão. O juiz mandou vocês ficarem comigo, agora vamos embora.
- Eu não quero ir. - Comecei a chorar. - Papai, não deixa ela me levar, por favor. - Abracei o meu pai.
- Vocês não têm querer, temos que obedecer a justiça. - Disse mamãe.
- EU ODEIO ESSA JUSTIÇA! - Gritei.
- Eu não vou falar de novo, acho bom vocês duas virem comigo agora.
- Filhas… Meus amores, é melhor vocês irem, mas logo, logo chega o final de semana e vamos ficar juntinhos.
- Mas papai… - May tentou argumentar.
- Por favor, meu bem. Mas qualquer coisa, me liguem, ok?
- Ok. - Falamos May e eu em uníssono.
Sem saída, nos despedimos de papai com um forte abraço e fomos com mamãe, que nos ameaçou dizendo ‘’vocês vão ver quando chegarem em casa’’.
May e eu fomos o caminho todo chorando, enquanto mamãe berrava que era para pararmos de chorar.
Quando chegamos em casa, mamãe nos bateu muito e disse que estava fazendo isso para aprendermos a não fugirmos mais para a casa do papai. Choramos, e gritamos muito de dor.
(...)
No dia seguinte, eu fui até a lixeira do condomínio para levar uns sacos de lixo, e vi alguns moradores me olharem de uma forma estranha, parecia que queriam dizer algo, e uns cochichavam entre si, será que estavam falando de mim? Me senti estranha.
Voltei pra casa mancando, pois estava com muita dor nas pernas, por conta das agressões, uma senhora ficou me olhando, não gostei muito da maneira que ela me olhava.
Mais tarde, eu estava sozinha em meu quarto. May havia ido ao aniversário de uma coleguinha. De repente, mamãe entrou em meu quarto.
- Vem!
- Pra onde? - Perguntei.
- Eu mandei você vir. Tem alguém te esperando.
- Mamãe, isso está errado. - Comecei a chorar de desespero. - Eles não podem fazer isso.
- Cala boca, sua desgraça! - Pegou em meu braço com força.
Dessa vez, não tinha a May para ela me ameaçar, dizendo que levaria minha irmã em meu lugar.
- Eu não vou. Não quero ir. - Falei aos prantos.
- Como é? Quer apanhar de novo? Os tapas de ontem não foram suficientes?
- Prefiro apanhar do que ir com esses caras, pois o que eles fazem doem muito mais.
- Ah, é?
Mamãe começou a me bater, ela me bateu muito e eu chorei e gritei de dor, e com isso, eu achei que ela não me levaria com aquele homem mau, mas ela me levou mesmo assim. Tentei me agarrar em tudo o que vi pela frente, mas foi inevitável e fui obrigada a passar por minutos de horror. Gritei tanto, que achei que fosse ficar sem voz. O homem era n***o, careca, tinha cavanhaque e devia ter uns 20 metros de altura, era gigante, e a parte intíma dele era gigantesca, nunca tinha visto tão grande, me machucou tanto…
Assim que ele foi embora, eu fui para meu quarto com muita dificuldade, pois m*l conseguia caminhar. Deitei na minha cama, abracei o meu travesseiro e chorei muito. Em seguida a campainha tocou, fiquei com muito medo de ser outro homem mau. Fui vagarosamente até a sala, e me escondi para ver de quem se tratava. Mamãe abriu a porta e um homem adentrou a casa, mas eu não tive medo dele, ele estava com uma roupa que eu conhecia muito bem.
- Boa tarde! Eu sou o sargento Fernandes, do 11° batalhão, fui chamado por moradores da região, que escutaram choros e gritos de uma criança, vim averiguar o que está havendo.
Eu não acredito! Ele foi chamado para me ajudar. Sorri ao escutá-lo, e desejei que ele pudesse me ajudar e tirasse May e eu da casa da mamãe.