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1024 Palavras

Eva estava deitada na cama, imóvel, encarando o teto como se as respostas para sua dor estivessem escondidas entre as imperfeições da pintura. Seus olhos estavam inchados, vermelhos, queimando de tanto chorar. Doía até piscar. Mas fechar os olhos era ainda pior. Cada vez que o fazia, as imagens surgiam em sua mente como facas afiadas rasgando sua paz: as paredes da escola forradas com aquelas fotos nojentas, os olhares de desprezo, as palavras sujas que ecoavam como martelos dentro de sua cabeça. "Vagabunda." "Fácil." "Profissional do sexo." Ela ouvia tudo, como se ainda estivesse ali, como se o próprio quarto tivesse se transformado numa cela de tortura onde os ecos do dia jamais se calariam. E o pior de tudo era a prisão da própria situação. Eva pensou em mil vezes simplesmente sumir

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