Capítulo L

1678 Palavras
Celleney Peny. Eu saí, caminhando como um zombie pelos corredores agora desertos, procurando algum relógio que seja, ou um ser vivente com um relógio de bolso ao menos com esperança de que essa geringonça funcione. Nem sei onde estou direito, estou tentando achar o quarto da Cora faz um tempo, mas acho que me perdi isso sim. - Que merda... - eu balbucio comigo mesma, já nervosa, passando para o outro corredor, olhando para o relógio, ainda com a esperança de que ele faça o que fez anteriormente, sem que eu precise atualizar o horário como fiz. - Ah... - eu balbucio de susto, após ter simplesmente colidido com uma muralha de músculos, e como foi uma colisão abrupta, as mãos enormes dessa muralha tomaram a minha cintura, antes que caísse de b***a no chão. O meu rosto esquentou antes mesmo de eu levantar o meu rosto para ver quem é, porque eu reconheci o cheiro dele imediatamente. E o meu corpo não reagiu de maneira nada decente ao seu toque em mim. Nada decente. - Celleney? - a sua voz questiona, e o seu tom mostra curiosidade ao descer o seu olhar esmeralda em mim. - O que faz aqui? - ele me questiona, enquanto subtilmente eu me desenvencilho do seu aperto, as suas mãos soltam a minha cintura e o tecido volta a deslizar pela minha pele, voltando a sua altura normal. Os meus olhos observam ele com um traje mais descolado, uma camisa branca, desabotoada nos primeiros botões, exibindo minimamente o seu peitoral definido, os seus cabelos estão ligeiramente bagunçados, as mangas estão ligeiramente dobradas. O cheiro do seu perfume, está ligeiramente misturado com um perfume feminino, e mesmo se eu não o sentisse, não seria difícil adivinhar que ele não estava aqui, e onde estava. - Desculpa, eu não estava atenta. - eu balbucio para ele que continua me queimando com o seu olhar. - Para onde estava indo? - ele questiona-me e eu suspiro fundo. - Eu estava procurando um relógio, eu quero acertar o meu. - eu falo de uma vez e ele encara-me franzindo o cenho. - A essa hora? - ele questiona-me confuso, e eu estou exausta, estou cansada, estou com medo, estou ansiosa. - Você também devia estar a dormir a essa hora, Henrik, mas eu não questionei nada. - eu falo, na defensiva. Nem sei que horas são. - Tinha dito que o relógio em seu pulso, não passava de um acessório. - ele comenta o que eu já sabia e engulo a vontade de chorar. Eu estou sobrecarregada. - E é, mas eu não consigo dormir se não o acertar. - eu falo e ele me observa atentamente. - Você tem um relógio aí com você, apenas me dita que horas são e eu saio daqui, o relógio no quarto não está bom. - eu falo para ele, que com certeza está me achando uma completa estranha. Mas a esse ponto, nem que ele me ache esquizofrenia, eu me importo. Ele leva a sua mão até o seu bolso, e retira um relógio definitivamente personalizado. Os artesãos por aqui são bons. O seu relógio de bolso é de ouro maciço, adornada com intrincados entalhes de cavalo, ele deve gostar de cavalos. O mostrador é uma tapeçaria de números romanos em esmalte, cercados por um aro de diamantes lapidados perfeitamente. Isso é realmente uma obra-prima num relógio como esse. Os ponteiros finamente trabalhados movem-se com precisão. Uma corrente dourada, delicadamente gravada o acompanha, esse é um relógio de requinte e opulência. - São quatro e quarenta e dois. - ele diz e eu me apresso a girar a coroa, com o meu coração extremamente acelerado. Eu acerto a hora e volto a fechar, esperando que aquela luz ofuscante apareça, mas não, nada. - Celleney? Está tudo bem? - ele me questiono e a questão dele faz-me querer chorar. - Não, eu não estou, Henrik. - eu falo com os meus olhos marejados. - Que d***a! - eu exclamo nervosa. Eu não sei mais o que fazer. Eu não sei... - Eu... - eu balbucio olhando para essa p***a no meu pulso. Você vai ter que funcionar, não tem mais o que fazer, você tem que funcionar. - Eu preciso dos segundos. - eu falo já pegando no relógio dele. - Celleney. - ele me chama, mas eu ignoro, me sentando no chão, observando os ponteiros, e procurando acertar aqui. Eu fiz uma, duas, três, quatro... lágrimas tomaram o meu rosto e o soluçar veio junto. - Não está funcionando... - eu choramingando entrando em conformidade, tal como eu entrei depois de simplesmente ter tentado acordar o meu avô, quando o vi estatelado no chão. O meu coração está literalmente estilhaçando, é como se toda a minha esperança pela vida tivesse voltado a estaca zero. Nesse momento não era só o Henrik que estava me olhando completamente confuso, mas também os guardas na frente dessas enormes portas que estavam fingindo que ninguém estava aqui. - Não está funcionando... - a minha voz sai num fio e lágrimas inundam o meu rosto, enquanto eu me sinto destruir por dentro. Eu sinto como se a minha alma estivesse sendo literalmente sugada. Eu não tenho como sair daqui, eu não sei mais o que fazer, não sei como voltar. Eu estou perdida... Eu estou longe de casa... Eu não pertenço aqui. - Ei... - o Henrik diz e eu estou nem aí para ele. Eu só quero sair daqui, eu quero ir para a minha casa! - Venha. - ele diz, mas é literalmente como se a voz dele entrasse por um ouvido e saísse pelo outro. - Argh... - eu ouço o suspiro pesado dele, que eu não liguei até sentir ele me carregando, literalmente. - Abram à porta. - ele ordena para os guardas, que simplesmente o obedecem e eu estou com a garganta tão inflamada por conta do choro, que nem forças e moral para o questionar o que ele está fazendo eu tive, eu só consegui me aninhar mais nele e chorar. Eu nunca fui tão chorona, quanto estou sendo essas semanas, eu nunca chorei tanto na minha vida. Mas o medo, está me consumindo de forma abrupta. Eu não sei a quem recorrer e chorar nos braços de um príncipe, que é a personificação dos pecados mais lascivos existentes, de mil e oitocentos e quarenta e cinco foi a única opção que me restou e eu simplesmente desabei, e ele não me impediu e não fez nada para que eu parasse de chorar. Ele ficou sentado do meu lado na cama em que ele me deixou, me observando chorar, até literalmente só estar soluçando porque as lágrimas escassearam e eu recobrar a consciência e relembrar do quão vulnerável eu estou me mostrando. Você está se tornando uma bela de uma Maria chorona, Neyney. Eu o observo se levantar, e eu limito-me em limpar o meu rosto encharcado. - Tome. - ele fala, me fazendo levantar o meu rosto para observar ele me oferecer um copo de água, que eu aceito. Minha garganta, está a clamar por socorro. Eu bebo a água com ele ainda me observando atentamente com os seus olhos esmeralda. - Vai contar-me o que está acontecendo, Celleney? - ele questiona-me e eu fecho os olhos já tendo conhecimento que essa questão chegaria a qualquer momento. Eu suspiro fundo. - Eu só quero voltar para a minha casa, Henrik. - eu respondo-o me levantando, e ele continua me observando ainda sentado na sua cama. - Você estaria de volta, se me contasse como chegou aqui. - ele diz e eu encaro-o, franzindo o cenho numa tentativa enorme de não voltar a chorar. Ele todo perfeito na minha frente e eu chorando igual a uma condenada. - Eu não posso, Henrik. - eu o respondo caminhando a mesa, onde está o jarro de água. - E por que não pode, Celleney? - ele questiona visivelmente exaustivo e impaciente, me encarando. - Porque eu não sei, Henrik! - eu exclamo atordoada, e eu vejo ele suspirar fundo. - Eu não sei... - a minha voz sai arrastada. - Eu não sei como voltar para casa, eu não sei! - eu falo completamente perdida. - Eu não devia estar aqui, eu não quero estar aqui, eu quero voltar para a minha casa, mas eu não sei... não sei como voltar, não sei o que aconteceu para eu chegar aqui, e eu não quero estar aqui. - eu falo e vejo realização tomar os seus olhos. É como se a desconfiança que restava nele sobre a minha palavra, sumisse dos seus olhos e ele finalmente acreditasse em mim completamente. - Tudo bem. - ele diz com o seu tom de voz mais calmo, mais reconfortante. - Nada está bem. - eu o respondo, porque agora não é hora para ele ficar calmo, se eu não estou calma. - Não estará enquanto você estiver desse jeito. - ele responde e eu reviro os olhos, e olho para o seu relógio de bolso na cama, com os ponteiros girando. Tic-Tac... Tic-Tac... Ai, minha cabeça! Os nossos olhares são atraídos para a janela, com a escuridão sendo dispersada com o aparecimento preguiçoso do sol, e canto de passarinhos. Legal, amanheceu e eu nem sequer dormi! E para nada. No mesmo instante, batidas na porta soam, e ele levanta os olhos para o teto, suspirando frustrado, como se dissesse: "Era só o que me faltava." - Eu saio... - eu já falo indo à porta e antes mesmo que eu me aproxime, ele me puxa para longe. - Ah... - o meu grito de susto é abafado com a sua mão tapando à minha boca, o que me faz olhar para ele, inconformada, e ele com um olhar de cala a boca. - O que foi? - eu questiono-o sussurrando assim que ele me mete num outro cómodo qualquer do seu enorme quarto. - Fique em silêncio e não saia daqui. - ele manda, e ainda fecha a porta na minha cara. Oh!
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR