Celleney Peny.
- Príncipe Leopoldo. - a Lyra o saúda, e é visível o quão as suas pupilas dilataram nos seus olhos claros, as suas bochechas ficaram coradas assim que moveu o seu olhar de mim para ele.
Quem vê o seu rosto angelical, não imagina que ela fica tão raivosa que nem um maltês de mau humor.
- Não sabia que percebia tanto sobre cavalos, senhorita Mille. - de Celleney para Mille?
Tudo bem.
- É um dos meus animais favoritos. - eu o respondo, e o mesmo assente.
- Um animal peculiar para ser o favorito de uma dama, pois não? - a Lyra questiona com um sorriso passivo agressivo no rosto.
- Tirando o facto de eu ser uma dama, eu também sou uma pessoa livre para ter qualquer animal como o meu favorito e não vejo nada de errado com isso. - eu respondo-lhe, e o sorriso permanece no seu rosto mesmo eu vendo ele querer sumir do seu rosto.
- Por favor não se ofenda, foi apenas um apontamento, querida Celleney. - como é falsa.
- Cavalos são animais nobres e de uma elegância equina cativante. - o Henrik fala, fazendo o meu olhar voltar-se para ele. - Também é um dos meus animais favoritos. - eu sei.
Estava literalmente esculturado no seu relógio de bolso.
- Eu sei. - não era suposto eu ter dito isso em voz alta, e visivelmente eles perceberam, fazendo ele esboçar o sorriso mais sem vergonha que eu já vi.
- O puro-sangue, é realmente uma ótima raça. - ele comenta, e tira o seu olhar de mim para o Leopoldo, que assente.
- Pois, essa é a raça do seu cavalo, não? - o Leopoldo questiona-lhe e eu me limito em observar o Henrik, pelo olhar dá para notar a vontade que ele tem de esganar o Leopoldo.
Eu me questiono se é por causa da Lyra.
- Pretende comprá-los? - o Henrik simplesmente ignora a questão do Leopoldo. Eu estou a sentir uma tensão esquisita e não necessariamente sei o motivo.
Eu diria, Lyra.
Mas o que teria a Lyra?
Me parece que o Henrik simplesmente não gosta dele.
Desde ontem isso foi notado por mim.
Ou talvez eu esteja enganada.
- Sim, parece-me que será uma ótima compra. - ele diz voltando o seu olhar azul para mim e eu sorrio.
- Eu não tinha conhecimento que procurava fazer negociações, os meus irmãos podem ajudá-lo. - a Lyra fala, e eu sorrio notando que ela está querendo me eximar da conversa.
E sinceramente, nunca fui fã de drama e não estou afim de ser agora.
- Eu fico feliz por ajudar você, Leo… príncipe Leopoldo. - eu falo, quase deixando o hábito me pegar. - Eu vou deixá-los. - eu falo voltando o meu olhar para a Lyra, e depois para o Henrik. - Com licença. - eu falo, e sem esperar resposta deles eu saio.
- Senhorita, devia ter feito a vénia. - a Karen diz vindo logo atrás de mim, e eu suspiro fundo.
- Eu esqueci, e é preciso fazer isso toda há hora? - eu questiono retoricamente. - Se esperavam que as pessoas façam isso a toda a hora deviam rever essas roupas, esses vestidos aqui não ajudam. - eu reclamo com um calor insuportável e noto ela suspirar fundo.
Fim ao cabo, eu passei o dia aqui com algumas moças daqui, elas acabaram se aproximando de mim e conversando, umas com olhares de desdém e outras, com o intuito de me conhecer, e isso distraiu-me imenso durante o tempo cá passado.
Tiveram inúmeras atividades, tem até badmínton, fim ao cabo eu fui convencida que por mais que está seja na era das cavernas, ao menos eles sabem se divertir.
O Henrik passou a maioria do tempo com a Helena, eu acho que ele precisa se casar logo, e ela com certeza absoluta está ansiosa por isso.
O que não é da minha conta.
Eu não fiquei prestando atenção nisso, apenas em distrair-me e tentar entender mais sobre onde eu estou, e as pessoas com quem eu estou convivendo.
No final da tarde regressamos ao palácio, a Christine regressou antes de nós, por algum motivo que desconheço, mas também, não me importo.
Neste preciso momento eu estou no quarto, de banho tomado, e sentada na cama acertando o relógio que fica na parede que quebrei propositalmente.
Óbvio que após tê-lo arranjado, e com o relógio de bolso em mãos, eu tentei mais umas mil e uma vezes arranjar essa desgraça de relógio que por reza, ou arranjo algum, funciona.
- Que d***a! - eu esbravejo atirando ele na cama, completamente saturada.
- Que m***a. - eu falo com a minha garganta já entalando anunciando vontade de chorar de raiva.
Eu suspiro fundo passando as mãos pelo meu rosto, procurando me acalmar, afinal, a qualquer momento a Karen chega aí e diz que está na hora de me preparar para ir jantar.
- Afff… - eu suspiro, completamente impotente e com a frustração de todos os desalentados do mundo.
Pego o relógio de parede e volto a instalá-lo no seu devido lugar.
Não demorou muito, a Karen chegou, e foi o mesmo sacrifício de sempre, até quando estávamos prestes a sair baterem na porta.
Coisa que sinceramente me assustou, aqui todo o mundo entra sem bater na porta.
- Entre. - eu respondo, fechando o relógio no meu pulso novamente.
As portas são abertas e o chanceler aparece, o que realmente fez o meu coração acelerar de forma ridícula.
Será que ele vai me mandar embora?
Afinal depois dessa madrugada, a boa vontade e caridade do Henrik deve ter ido com Deus, não?
- Sim? - eu questiono-o.
- Senhorita Mille, a vossa alteza real quer que se apresente no seu escritório antes do jantar. - boa.
Ele quer que eu saia daqui, sem nem sequer dar as caras naquela sala.
- Eh… tudo bem. - eu o respondo sentindo a minha alma sair.
O que eu vou fazer e para onde porras eu vou se ele me mandar embora daqui?
Pior!
Se ele não quiser me mandar embora?
Se ele quiser tornar-me numa escrava?
Não, ele não pode agora, eles convenceram a todos que eu sou da família…
Mas eles podem lançar fogo em mim, me colocar nas masmorras, me apedrejar, inventando qualquer desculpa.
Não é isso que acontecia nessa época?
- Eu acompanho-a. - ele diz, me observando aqui paralisada.
- Claro, um minuto. - eu falo indo para o closet, indo pegar os cristais que eu tinha tirado da minha saia, se ele me mandar desaparecer, eu espero que alguém faça uma troca.
Eu também tenho os meus brincos comigo, eles são de diamantes, talvez sirva para alguma coisa…
Eu espero.
Volto para o quarto e tanto ele como a Karen observam-me atentamente, enquanto eu engulo em seco.
- Certo… - se acalme, Celleney. - Podemos ir. - eu lhe digo e ele assente, me dando passagem para sair na frente.
Senhor Peny, se eu ficar sem teto, e ainda nesse lugar de séculos passados que você me mandou, eu juro que eu desisto de vez.
Eu não tentarei mais, nem voltar e nem viver.