Celleney Peny.
O lugar é gigantesco, não deu para passearmos por todos os lugares, mas deu para conhecer, e admirá-lo, e sinceramente falando, andar um pouquinho, num lugar que não seja aquele palácio onde eu fui parar de paraquedas, fez-me bem.
Neste momento eu estou sentada na arquibancada, a competição está prestes a começar, e eu vim para o lado onde não tem tanto sol assim, já que ele está a abrir, mas para a minha bendita sorte, eu estou de frente para a família real.
Eu nem sequer sei se devia estar sentada ao lado deles, mas relevemos, eu não sou a sombra deles.
Além deles, está a Helena, que é quem está sentada próxima do Henrik, com o maior sorriso no rosto…
Eu gostaria de entender porque isso está me incomodando tanto?
Eu estou perdidamente atraída por ele?
A esse ponto por mais que eu tente mentir, é mais do que óbvio, o meu corpo responde de maneira agressiva a mínima interação que tenho com ele.
Mas não é algo relevante, não devia ser…
Eu nunca fui possessiva com nada ou com quem me sinto atraída, isso graças aos meus primos que faziam questão de espantar qualquer um antes que os mesmos aproximassem-se de mim.
O Charles, o i****a do Virgil e até o Leopoldo, também são a personificação de beleza pecaminosa na terra, mas nem por isso, o meu corpo responde de forma abrupta ou a minha respiração corta, pelas mais rasas interações que eu tenho com o Henrik.
Enfim, não importa.
Lindos ou não, talvez com um pouco de ciúmes ou não, nada que eles fazem, com quem eles flertam, nada disso é da minha conta, afinal, eu não o pertenço a aqui, e preciso que esse relógio funcione o quanto antes.
Se ele me trouxe aqui, ele irá me levar de volta, não?
À qualquer momento, portanto, se comporte Celleney.
Ele é só um homem enriquecido de beleza, charme, esbelteza e virilidade.
Só isso...
- Importa-se que eu me sente aqui, senhorita Mille. - a voz do Leopoldo desperta-me dos meus pensamentos e eu não posso dizer que não, não é mesmo?
- Claro. - eu respondo-o e ele sorri sentando-se ao meu lado.
Ele estende a sua mão na direção da minha, e como a pessoa educada que sou, eu estendo a minha e o mesmo pega e beija a palma da minha mão.
Por Deus!
- É um prazer revê-la. - ele diz e eu dou um sorrisinho observando os seus olhos azuis.
- Fico feliz que a minha presença seja tão desejada. - eu o respondo e ele sorri mais amplamente.
O locutor começa a falar, e realmente o hipódromo é tão grande, que devem ter umas centenas de pessoas aqui, para não exagerar.
Metade das bancadas inclusive, não estão ocupadas pelas pessoas e sim pelas quantidades absurdas de tecido nesses benditos vestidos.
Depois de um tempo, a competição iniciou e eu não podia estar mais animadas.
Competições desse tipo sempre me deixam um tanto eufórica e por aqui, vejo que não sou a única.
- O Appaloosa, ganhará com certeza. - eu ouço o Leopoldo dizer certo disso.
- Eu apostei no mesmo, é um excelente cavalo. - o outro homem do seu lado diz, falando do cavalo de pelugem baia.
- Com certeza não. - eu afirmo olhando a corrida e depois olhando para eles. - Não é um palpite e sim uma certeza. - eu afirmo, e o outro ri.
- Tem algum palpite, senhorita Mille? - ele questiona, me encarando sorrindo e visivelmente curioso com a minha opinião.
- O puro-sangue inglês. - eu falo quase gritando de tanto barulho que tem aqui, apontando para o majestoso animal, de pelugem preta.
- Como pode ter tanta certeza, senhorita Mille, por algum acaso conhece cavalos? - ele questiona todo sarcástico, e os senhores ao longo da bancada que estavam ao seu lado começam a rir como se fosse engraçado.
- Sim. - eu respondo chamando a atenção desses idiotas de volta. - Eu sou praticante equestre desde os meus cinco anos e inclusive, eu possuo algumas dessas raças de cavalo. - eu falo e eles olham-me meio estranho, eu diria que intrigados.
- Mas boa sorte com aposta, senhor. - eu concluo orgulhosa com o meu pequeno fecho, voltando a prestar atenção na competição do que nesses idiotas.
“Por algum acaso conhece cavalos?”
Que abestalhado.
Agora, sim, eu estou mais engajada nessa competição só para o meu ego descansar em paz.
- Gostaria de comer alguma coisa, senhorita? - a Karen que está do meu lado questiona.
- Canapés seriam ótimos. - eu respondo-lhe, e a mesma assente positivamente indo buscá-los.
- Vai! - eu grito animada, e talvez não seja assim como as mulheres devem se comportar aqui, porque recebi uns olhares, que com certeza ignorei e continuei a prestar atenção.
Foi uma competição de tirar o fôlego, mas chegou ao final e adivinhei…
A minha certeza é mais do que certa!
Eu soltei um grito de animação tão grande, que a tristeza deles só aumentou.
- Teve um ótimo acerto. - o Leopoldo que aparentemente foi o menos magoado com a perda elogia sorrindo na minha direção.
- Eu sei. - eu respondo sorrindo e desviando o meu olhar para o restante da bancada que riu da suposição sem graça desse senhor aqui. - Lamento pela vossa perda. - eu falo só para inflar o meu ego vendo a decepção e o ego ferido nos seus rostos.
- Se algum dia precisarem de aconselhamento quanto a cavalos, poderão sempre pedir opinião de quem tem conhecimento sobre. - eu não sei se deu para notar, mas eu adoro, inflar o meu ego as custas de homens idiotas como eles.
É de uma satisfação enorme.
Até a Karen sorriu.
- Eu com certeza gostaria de um aconselhamento. - o Leopoldo fala percebendo a minha ironia e eu sorrio.
Ele tem senso de humor, gostei.
- Claro. - eu o respondo.
- Podemos ir ao Paddock, me ajudará a escolher a minha nova compra. - ele sugere e eu gostei da ideia.
- Podemos sim. - eu o respondo e ele dá passagem para que eu e a Karen saíssemos na sua frente.
- Eu não tinha conhecimento que sabia tanto sobre cavalos. - o Leopoldo comenta, enquanto entramos no Paddock, estão aqui outras pessoas e a Karen está dois passos atrás de mim por alguma razão.
- Não tinha como saber. - eu respondo-o e ele assente positivamente, concordando.
- É verdade. - ele afirma, enquanto eu aprecio esses animais majestosos. - Pouco sabemos da sua família, apenas que é sobrinha distante da duquesa de Aldercrest. - ele afirma numa entonação de quem está curioso para saber mais.
Mas eu não estou em posição de me esticar sobre essa história.
- Pois, nós somos de uma cidade distante, tal como o meu parentesco com a duquesa. - eu o respondo e ele sorri.
- Tem um excelente sentido de humor. - ele diz e sim eu concordo.
- Diga-me o que procura na sua próxima compra? - eu o questiono.
- Um cavalo que seja extremamente veloz e possua ótima resistência. - ele diz. - Eu tinha uma raça em mente, mas estou curiosa para saber o que me sugeriria. - ele diz e eu sorrio.
- E tinha em mente o Appaloosa? - eu lhe questiono.
- Sim, mas parece-me que não gosta dessa raça. - ele diz, e eu aceno que não com a cabeça.
- Claro que não, é uma ótima raça. - eu falo, me aproximando e pegando uma cenoura para alimentá-lo.
Se fosse um final de semana menos agitado e sem assuntos do império dos relógios do meu avô, a minha família estaria nesse momento curtindo a fazenda.
Claro, talvez os meus pais apareceriam, mas estar lá conseguia ser melhor que estar na cidade ou até na balada.
Ou as vezes passar a ressaca por lá, era mais legal.
Nada será o mesmo novamente.
Argh…
Por enquanto pare de se torturar, Neyney.
Ao menos por enquanto.
- Mas quando se pensam em raças com qualidades específicas, principalmente para uma negociação, é preciso analisá-los minuciosamente. - eu falo.
- Por exemplo. - eu falo, me aproximando ainda mais dos cavalos, eles são tão lindos. - O Appaloosa, tende a ser uma raça versátil e inteligente, adequada para várias disciplinas, incluindo corridas, salto, equestrianismo, entre outras coisas, é ótimo, mas são normalmente usados para práticas equestres por essas características. - eu falo e ele escuta-me atentamente.
- Já o Puro-Sangue Inglês, é conhecido pela sua energia, velocidade e disposição para corridas extremamente longas, principalmente pela sua resistência e velocidade, é uma das raças mais velozes existentes senão a mais veloz. - eu pontuo. - São cavalos ágeis e vigorosos, especialmente adaptados para situações exigentes, são conhecidos como cavalos de guerra, também. - eu falo voltando o meu olhar para ele, que sorri assentindo, aparentemente impressionado.
- Isso é impressionante. - o Leopoldo diz ainda me encarando e eu sorrio, quando a Karen pigarrea, nos fazendo encara-lá.
Ela se engasgou, está vermelha.
- Realmente impressionante. - eu ergo o meu olhar para trás dela, e os meus olhos encontram o par de esmeraldas me encarando, e os meus batimentos cardíacos literalmente falharam.
Eu baixo o meu olhar e ao seu lado está a Lyra que definitivamente está com um misto de sentimentos no olhar.
Eh…
A Lyra gosta de cavalos?
Ou eu irei sofrer com a sua fúria novamente?