Henrik Cartier.
- O que aconteceu? - eu questiono para o Charles sobre a Celleney, depois da reunião, estamos no clube.
Ele questionou se ela estava melhor à mesa.
- Eu encontrei-a no jardim, ontem à noite. - ele conta e eu observo-o apreciando o vinho. - Estava sentada no balouço onde a mamãe brincava connosco. - ele conta. - Ela estava pensativa, chorando. - ela chora bastante.
Eu achava que a Cora era sensível demais, mas ela conseguiu mudar-me de ideias.
- O que foi fazer lá? - o Virgil o questiona curioso, e eu também estou.
- Eu estava por lá e a vi. - ele diz. - Ela estava claramente exausta da festa, e com saudades do avô, aparentemente estava tendo uma pequena crise existencial. - ele diz e eu não duvido disso, depois dessa madrugada.
- Então foi por isso que ela mandou com que eu fosse me errar. - o Virgil fala e tanto eu quanto o Charles olhamos sem entender.
- Errar? - eu questiono-o desentendido, e ele sorri.
- Foi o que ela disse, ela tem um vocabulário distinto, mas basicamente, queria que eu a deixasse em paz. - humn.
- Com razão, não acha que pega muito no pé dela? - o Charles a questiona enquanto eu observo as moças aqui.
- Alguém tem que o fazer, não? - ele questiona irónico. - Até quando pretende deixa-lá cá ficar? - ele questiona e eu suspiro.
- Não me diga que vai manda-lá embora, Henrik? - o Charles questiona já em tom de repreensão.
- Ela não sabe como chegou aqui, ela não sabe como voltar, acha que eu sou tão inescrupuloso ao ponto de deixa-lá desamparada? - eu o questiono e ele sorri.
- Você é. - ele afirma e eu tomo o meu vinho. - Não está sendo apenas com ela. - ele diz, como se eu fosse c***l.
- Digamos que ela esteja a falar a verdade. - o Virgil diz. - Ela não poderá ficar no palácio para sempre. - ele diz.
- Ela esconde alguma coisa, certamente. - eu falo. - E com o tempo descobriremos. - eu afirmo.
- Eu realmente acho que ela falou a verdade. - o Charles diz.
- Eu não disse que ela está a mentir, mas que com certeza está omitindo alguma coisa. - eu digo observando a moça que tanto olhava para cá se aproximar do Virgil.
Esse clube é extremamente frequentado, nem por acidente embora tentador, devo levá-las daqui.
- Ela acabará casando- se aqui. - o Virgil afirma e automaticamente o meu humor sumiu.
- Ela não se casará. - eu pontuo, acabando com o conteúdo na minha taça.
- Ela não é uma das suas concubinas para controlar as decisões dela, ela com certeza é uma das moças mais disputadas da temporada. - o Charles comenta e a vontade imediata de fazê-lo calar foi imediata.
- Ela não veio para cá, para se casar e não se casará. - eu afirmo.
- É impressão minha ou está com ciúmes, meu irmão? - o Charles questiona, enquanto eu vejo o servo voltar a encher a minha taça.
- Olha só quem chegou, o arquiduque Castellanos. - o Virgil diz e era só o que me faltava. - Junte-se a nós! - o Virgil consegue tirar-me do sério.
- Vossa alteza real! - ele diz fazendo a reverência ao saudar-me e eu tento reparar no que possivelmente uma moça como a Celleney podia reparar nele.
Não vejo nada de mais.
- Junte-se a nós! - o Charles diz e eu limito-me em tomar o vinho.
- A minha prima recebeu os seus presentes. - o Virgil comenta e eu encaro o semblante do Castellanos que se tornou radiante no mesmo instante.
- Não acha que foi demasiado rápido? - eu questiono-o e o seu semblante se torna preocupado.
- Ela achou-me apressado, as minhas escolhas não foram do seu agrado? - ele questiona preocupado, e era só o que me faltava.
- Muito pelo contrário, ela adorou os presentes, inclusive, acertou a sua cor favorita, ela contou-lhe? - o Virgil diz e o mesmo sorri.
- Fantástico. - ele diz. - Eu assumo que foi apenas uma dedução acertada, a forma que o tom azul do seu vestido complementava a sua pele, fez-me pensar que azul fosse a sua cor predileta, e as safiras lembraram-me do seu olhar, fico entusiasmado que tenha sido do seu agrado. - independentemente do motivo que for, a forma com que ele falou dela, deu-me vontade de enrolar a sua língua e expulsá-lo da minha mesa.
Coisa essa que requereu controle suficiente para não o fazer.
- E infelizmente não, a senhorita Mille não me deu a******a suficiente para questionar-lá. - ele conclui, e eu sorrio satisfeito em saber.
- Não deve ter prestado atenção, mas os olhos da senhorita Celleney não são azuis. - eu falo, retirando o meu olhar dele, porque se o encarar por um minuto a mais, é bem capaz que eu o puxe daqui à fora.
- Oh, eu prestei atenção vossa alteza. - ele fala.
E ainda fala como se eu fosse um amigo próximo dele.
Que velho, i****a.
- Eu refiro-me ao quão os seus olhos são tão expressivos e cativantes, eles recordam-me imediatamente de safiras. - ele diz sorrindo e eu olho para o Charles que já estava me encarando segurando o sorriso, controlando levando a sua taça até a boca.
- Ela é realmente uma jovem nobre cativante, ela recebeu presentes apenas de minha parte, pois não? - ele questiona.
- Seria ingenuidade de sua parte achar que sim, não? - eu questiono apenas para cortar o seu ânimo que está me irritando, e o seu rosto fica vermelho.
- Pois seria. - ele diz e o Virgil sorri, se divertindo não só com a conversa, mas com as mãos da mulher libertina em sentada nele.
Não é surpresa alguma que ele esteja completamente fascinado pela Celleney. Ela realmente possui uma beleza e uma energia cativante, porém, não me agrada o seu interesse, o seu esforço para a cortejar, a maneira com que ele fala sobre ela e tão pouco que ele ache que possui a******a o suficiente, para falar assim próximo a mim.
Por que esse i****a do Virgil o chamou?
- Planeia apenas cortejar a senhorita Mille, pelo que vejo. - o Charles comenta e eu encaro-o aguardando a sua resposta que vem com um sorriso confiante.
- Sim, ela possui a minha completa atenção pelo resto da temporada. - ele diz e eu sorrio voltando a minha atenção para a apresentação na frente.
- O que está rindo, Henrik? - o Virgil questiona, e ele já esgotou com a minha paciência por hoje, e ele está se divertindo.
Já está mais do que na hora dele se casar para poupar-me dele.
- Terminem logo isso, eu tenho coisas por fazer. - eu falo e ele sorri, e se levanta para sair com a meretriz que cá estava, ao menos um de nós irá se divertir, o Charles permaneceu entretendo uma conversa com o arquiduque.
Enquanto a apresentação decorria, o que ocorreu durante a madrugada é o que me entretia, e não me refiro a Márcia e as outras concubinas e sim a Celleney.
O que aquele relógio tem a ver com o facto dela não se recordar de como veio e como voltará?
Porque ela literalmente perdeu a cabeça, pelo simples facto de um acessório dito por ela que não funciona, não funcionou?
Eu duvido que ela tenha furtado a peça, caso contrário, não estaria no seu pulso dia e noite com os demais diferentes trajes.
Porém, a sensação que tenho, é que a sua chegada misteriosa e súbita, se deve ao relógio, provavelmente alguém queria furta-lá, isso faria mais sentindo, ela não deve tirá-lo do pulso por medo.
Mas quem?
E por que não o fez, se a deixou inconsciente no meio da floresta?
Ou talvez ela estivesse a fugir, e tivesse perdido a consciência por algum motivo, como medo, cansaço ou queda no meio da floresta.
Ela é tão misteriosa e complexa quando um labirinto, se ela confiasse em mim, e parasse de omitir o que realmente se passa, não estaria no estado em que ficou na madrugada passada.
E eu, não gostaria de vê-lá novamente, como a vi ontem.
Mas para isso ela precisa falar, pois mais ninguém me pode dizer, eu possuo assuntos mais importantes com que me importar e visto que eu tenho todo um reino por dirigir, com participação do Virgil, do Charles, da Lyra, da Cora, da Christine e do conselho para acabar com a minha paciência, eu estou a ponto de usar métodos nada convencionais para esses problemas, inclusive para tirar a verdade dos seus belos lábios o quanto antes.