Celleney Peny.
Cheguei a sala de desjejum e foi aí que a realização do que aconteceu essa madrugada me faz lembrar que eu simplesmente, chorei igual uma condenada para o Henrik.
Eu estava cansada e ainda estou, mas é como se a minha memória voltasse depois de um tempo de ressaca e agora eu tomasse a consciência dos meus atos.
O que normalmente acontecia comigo.
"O que é isso Saul? - questiono ao mordomo daqui da mansão, após sair grogue do quarto, e ver ele com um jornal e um IPad na mão, próximo ao escritório do meu avô.”
O seu olhar nessas horas era de quem dizia:
“Aja paciência.”
Mas ele me ama.
“Senhorita Celleney, teve ideia do quanto a procurei? - ele questiona, e as memórias de eu pulando o murro, e correndo até ao final da estrada para subir na moto do Alex, irmão da Alice minha amiga, para ir para uma… festinha.”
“Por isso os meus braços estão doendo… - eu comento, me lembrando que foi um trabalho t****r a árvore, para alcançar a parte do murro sem p******o elétrica.”
Outra longa história.
“Escutou a minha questão? - ele questiona-me inconformado e eu dou umas batidas no ombro dele.”
“Sim, eu não contei nada para você porque você é um boca solta, e ia me dedurar para o meu avô. - ele parece o informante do senhor Peny agora, antes ele era bem mais legal.”
“Ah… - ele fala sarcástico e eu o observo ainda meio sonolenta. - Dessa vez eu não fui boca solta, a senhorita meteu-se no que não devia e sem mesmo eu precisar falar o seu avô, vai saber o que fez.”
“Do que está falando Saul? Eu não fiz nada. - eu falo confusa, mas com o coração acelerando cada vez mais.”
“Então foi parar nas notícias justamente por não fazer nada, ainda por cima ilegal, pois não? - ele questiona todo irónico virando o IPad para mim, e a lembrança vem tão forte quanto um raio batendo na cabeça de alguém.”
“Eu não sabia que tinha gente dedo duro filmando, Saul. - eu falo vendo vídeos meus, simplesmente… fazendo… rali.”
“Por que você está entrando no escritório dele com tudo isso? Qual é a necessidade de você também ser um fofoqueiro, Saul? - eu o questiono indignada.”
“Se eu não mostrar, uma hora ou outra, o senhor Peny ficará sabendo das avarias inconsequentes que a sua neta anda fazendo. - ele diz e eu suspiro fundo, eu preciso de um remédio para dores de cabeça.”
“Por favor não mostre nada, Saul! - eu choramingo para ele que me encara suspirando fundo. - O vovô não usa redes sociais, se você não contar, ele não ficará sabendo. - eu peço e ele revira os olhos.”
“Eu preciso entregá-lo o jornal, e a notícia está aqui também. - ele conta e eu suspiro, pegando no jornal e retirando a página onde esses fofoqueiros me colocaram. - Problema resolvido, dê-me isso também. - eu falo pegando o IPad de volta também e ele apenas me encara repensando toda a sua vida.”
Enfatizo, ele me ama mesmo assim.
“Você está me fazendo ter mais cabelos brancos do que devia. - ele reclama e eu sorrio saindo dali, precisando urgente de um analgésico.
“Você está envelhecendo certinho, não seja dramático, Saul. - eu falo saindo de lá para a cozinha, enquanto ele abanou a cabeça e pediu licença para entrar no escritório do meu avô, que com certeza pensa que eu estava dormindo.”
Eu tinha chegado há uma hora atrás.
Fui para a cozinha.
“Oh, bom dia, Celleney, descansou bem, querida? - a governanta daqui da mansão que é a única que está na cozinha inclusive questiona bem humorada como sempre enquanto eu amasso a folha do jornal e jogo no lixo.”
“Bom dia e não! - eu a respondo e a mesma sorri. - Pode me dar um analgésico, por favor? - eu a peço, enquanto vou me servindo um copo de água.”
“Ah… nunca mais. - eu balbucio pegando na minha cabeça que está explodindo.”
“Não estava na mansão, não é? - ela questiona já sabendo da resposta e eu simplesmente faço-me de desentendida tomando o analgésico, pronta para ir dormir agora, quando o rugir do meu avô, espantou a minha alma”
“Celleney Peny Mille! - eu estou ferrada.”
“d***a! - eu falo sentindo até a minha melanina sumir com a minha alma e até a governanta ficou paralisada.”
Acabou que os meus primos chegaram já abrindo a boca de trombone deles para o meu avô, íamos tomar pequeno-almoço todos juntos, e obviamente não só recuperei a memória perdida da ressaca como levei a baeta de uma bronca palestrante, com eles metendo mais lenha na fogueira, para variar.
Mas todos estavam habituados a mim, todos!
Aqui ninguém é habituado a mim, eu não conheço ninguém e eles não me conhecem.
E eu simplesmente desabei na frente do Henrik, o que ele vai fazer comigo agora?
Ele não me deixará ficar aqui, por nada, não é?
Ele irá se casar, a Lyra irá se casar, aparentemente, pelo que entendi a duquesa não mora aqui, e veio apenas por causa de tudo isso, não terá por que eu cá ficar.
Nem sentido fará se eu cá ficar, eu vou ser escorraçada daqui, e para onde eu irei?
Com o que sobreviverei?
Eu praticamente não dormi a noite inteira procurando arranjar o que eu achava que estava errado no relógio, mas nada!
Absolutamente nada funcionou.
Eu estou completamente ferrada e frustrada.
Encontro todos, exceto a duquesa na mesa, os três pedaços de m*l caminho que estavam em pé, viraram os seus olhares para mim assim que me viram entrar, e imediatamente o meu rosto aqueceu, enquanto a Cora e a Lyra estavam já sentadas.
Já estava embaraçoso, até eu simplesmente ter retrospetos do que aconteceu essa madrugada, a forma que as mãos atraentes e os braços fortes e veiados do Henrik circundaram e pegaram seguraram a minha cintura, como ele me carregou e ainda me deixou aninhada nele.
Rapidamente as minhas pernas foram perdendo gradativamente forças nas pernas e eu vejo-me obrigada a retirar o meu olhar deles, para a Cora, que sorri, me observando.
- Bom dia! - eu saúdo, entrando na sala.
- Bom dia! - eles respondem, com exceção da Lyra.
Ela realmente está me detestando, mas tudo bem, eu também já não estou tentando ser apreciada por ela.
- O seu cabelo está lindo! - a Cora elogia, enquanto vou me sentar ao seu lado e sorrio.
- Muito obrigada, o seu também. - eu falo e ela sorri, enquanto eu procuro sentar-me sem que nenhum ferro me espete.
- Está melhor, Celleney? - o Charles questiona-me fazendo com que eu levante o meu olhar para ele, e encontro ele com um sorriso empático me fazendo sorrir.
Não, Charles, eu estou m*l.
- Eu estou. - eu o respondo e ele observa-me cautelosamente assentindo, como se não acreditasse completamente em mim. - Obrigada. - eu falo.
- O que aconteceu priminha, sentiu-se m*l? - o Virgil questiona-me e eu reviro os olhos com o seu sarcasmo.
- Para de chama-lá assim. - a Lyra diz, e o Virgil sorri, pegando um bolinho que estava aqui.
- Está com ciúmes, priminha? - ela questiona e eu simplesmente suspiro fundo tentando acalmar a tempestade dentro de mim. - Eu tenho espaço para todos vocês. - ele diz, e eu só o ignoro.
No mesmo instante a duquesa entra, com um semblante alegre.
A conversa hoje aqui fluiu de forma surreal, que hoje eu literalmente fiquei sobrando, até instantes.
Um moço, com a voz de quem estava falando com o Henrik mais cedo.
O chanceler ou isso.
Ele está com outras pessoas atrás deles, com inúmeros, inúmeros e imensos buquês de flores, e uma pequena caixa.
O sorriso da duquesa se estendeu e o da Lyra também.
Já a face dos três aqui, ficou séria no mesmo instante, juro que essa é a cara que os meus primos ficavam, e isso me faz sorrir.
- Olha o que o príncipe Leopoldo mandou para você, Lyra! - a Cora exclama se levantando curiosa, e a Lyra ruboriza animada e eu continuo comendo observando.
- Sente-se, Cora. - a Christine diz para a Cora que a contragosto se senta.
- O que tem na caixa? Traga-a para mim. - a Lyra diz curiosa e inquieta, e o olhar do chanceler sai do dela para mim, e o seu rosto ruboriza.
- O que foi? - eu o questiono.
- Lamento princesa, o remetente desses presentes foi o arquiduque Sebastian Augustus von Castellanos, para a jovem nobre, Celleney Peny Mille. - ele m*l terminou de falar e eu me engasguei com a comida, que comecei a tossir literalmente.
- Quê?! - a Lyra questiona fula da vida, enquanto eu alcanço o copo de água engasgada.
- Oh! - o i****a do Virgil exclama rindo. - Tão rápido priminha? - ele questiona e eu me limito em lançar o meu olhar de cala a boca, para ele.
- Agora não é horário para abrir prendas de pretendentes. - a duquesa fala, com certeza por conta da Lyra que ficou a personificação da cor vermelha.
- Claro que é, entregue a caixa para senhorita Celleney. - o Henrik fala, e eu levo o meu olhar para ele, querendo entender o que ele está fazendo.
A irmã dele está com os olhos quase saindo raios lazer e ele está insistindo.
- Não é necessário. - eu falo com lágrimas nos meus olhos por conta do engasgo.
- Por favor abra, estamos todos curiosos para saber o que o arquiduque mandou. - a Cora diz curiosa e eu sorrio sem graça olhando para a Lyra.
- Vá que dê uma ideia para o Henrik. - o Virgil diz e o meu coração falha um batimento.
- Por favor, o que o arquiduque saberia de presentes? - a Lyra comenta amargurada.
- Obrigada. - eu agradeço ao chanceler que deixa a caixa na minha frente e eu suspiro fundo, abrindo a caixa, e me surpreendo com a peça, dentro dela.
- Estupendo! - a Cora exclama se levantando.
É simplesmente um colar de safiras azuis, lindérrimo e pungente, os quilates das pedras não foram poupados.
- Nem sequer de diamantes é. - a Lyra comenta, mas pelo olhar da Christine, ela também gostou.
- Eu adoro safiras e são da minha cor favorita. - eu comento, e vejo ela ficando ainda mais vermelha.
- Oh, então ele acertou. - o Virgil comenta. - Eu acho que depois da reunião devíamos fazer uma visitinha ao arquiduque no clube. - ele comenta, enquanto o chanceler retira a caixa.
- Leve os presentes para os aposentos da senhorita Celleney. - a duquesa diz e o mesmo assente, fazendo a reverência e se retirando com os outros em seguida.
E toda uma tensão tomou à mesa, que eu fingi nem notar e continuei comendo.