Celleney Peny.
Durante o dia, eu não consegui fazer absolutamente nada, por conta da minha exaustão acumulada.
Felizmente a Christine tinha visitantes, e eu pude vir para o quarto, tirar esse enorme vestido e adormeci.
Literalmente desmaiei de exaustão.
- Ela parece estar exausta, podemos acordá-la mais tarde. - eu ouço a voz da Cora, mas a esse ponto o meu sono, já acabou, e eu só estava forçando mais um pouco.
Que horas devem ser agora?
- Eu estou acordada. - eu balbucio com a face embutida no travesseiro ainda com os olhos fechados.
- Oh, ótimo! - a Cora exclama feliz enquanto eu me espreguiço na cama.
- Ótimo por quê, já está na hora do chá do almoço? - eu questiono-a, abrindo os meus olhos gradativamente, por conta da luz no quarto.
- Bem, o horário do almoço já passou, senhorita. - a Karen diz, fazendo-me encara-lá séria e tentando entender o porquê de eu ainda estar dormindo.
- Eu assumi que estivesse exausta, portanto, deixei que descansasse por mais tempo com a permissão da princesa Cora. - a Karen justifica-se e eu levo o meu olhar para a Cora que sorri.
- A tia Christine foi a residência da baronesa Vivian Abernathy, para uma tarde com as outras nobres mais velhas e influentes do reino, e os meus irmãos e os meus primos ainda não regressaram da reunião do conselho. - ela diz e eu sorrio, sentindo um peso a menos por saber que os donos do palácio, não estão no palácio onde estou hospedada por caridade.
Que hóspede m*l agradecida eu sou.
- Está com fome? - a Cora me questiona.
- Não. - eu a respondo. - Mas por que queriam me acordar agora? - eu questiono.
- Eu achei que gostaria de dar uma volta pelo palácio, acho que não fez isso desde que cá chegou. - ela fala e sim.
SIM!
Conhecendo o palácio, mais fácil será para eu conseguir sair daqui, e ir para a floresta.
Porque eu não posso falar que eu quero voltar para a floresta para o Henrik, ou ninguém aqui, que eles automaticamente acharão estranho.
Acharam já, pelo facto de eu ter sido lá encontrada e não posso me crucificar a esse ponto, ainda por cima depois deles enfatizarem que absolutamente ninguém passa por lá.
Eu terei que fazer isso sozinha.
E no desespero em que estou, eu realmente já não estou me importando muito com as consequências das coisas.
Aliás, é muito raro eu me importar.
- Claro. - eu respondo-a e ela sorri.
- Eu irei retirar as suas roupas. - a Karen se oferece e eu suspiro.
- Eu posso usar a roupa que eu usava para os ensaios aqui. - eu falo, pouco afim de sofrer novamente.
- Senhorita, eu não penso… - a Cora a interrompe.
- Não faz m*l nenhum, com certeza eles não chegarão até o horário do jantar. - a Cora afirma e eu sorrio.
- Como desejar. - a Karen diz e vai para o closet.
- E onde está a Lyra? - eu questiono curiosa, enquanto ela se senta na poltrona, com uma facilidade abrupta estando a usar um vestido como o dela.
Por Deus!
- Ela foi a residência onde a princesa de Lysandria está hospedada. - ela diz e eu franzo o cenho.
- Quem? - eu a questiono e ela sorri.
- A princesa Helena. - ela diz e eu recordo-me.
- Oh! - eu exclamo, me levantando. - Bom para mim, ela e eu não nos demos muito bem. - eu comento e ela sorri amistosamente.
- A Lyra tem uma personalidade forte. - ela fala. - Ela está a tentar ocupar o lugar da mamãe, diferente de mim, ela sempre foi mais participativa nas suas tarefas monárquicas, ela procura velar por todos nós de alguma forma, mesmo ela não sendo responsável por isso. - a Cora justifica o comportamento da irmã.
- E ela acaba sendo um bocado difícil de lidar, mas ela é um amor de pessoa, eu acho que ela está apenas com ciúmes. - ela comenta e eu ajeito o meu cabelo.
- De mim? - eu questiono retoricamente e ela assente. - Por quê? - eu a questiono.
- Bem, tal como todos nessa família, eu diria que o meu irmão Henrik e ela são os que são mais ciumentos. - se ela não dissesse eu não adivinharia.
- Com certeza ela achou que tentava galantear com ele, e por isso ao invés de tenta-lá conhecer ela resguardou-se ainda mais. - ela diz e eu suspiro.
- E outra, vós também sois muito bonita, e chegando no início da temporada, deve ter feito com que ela a visse como uma competição. - ela explica e eu reviro os olhos.
- Eu garanto para você que a última coisa que vim fazer aqui, é competir com alguém ou flertar, a única coisa que eu quero é voltar para a minha casa. - eu digo-lhe entrando no banheiro, para lavar o meu rosto e fazer a minha higiene o**l.
- Não está a gostar de cá ficar? - a Cora questiona vindo logo atrás.
- Não é questão de gostar, Cora. - eu falo. - A questão é que eu não sou daqui, não estou familiarizada com os vossos costumes e mesmo se estivesse, não são os meus, e eu gostaria de estar aonde eu pertenço, na minha casa, com a minha família, com os meus amigos, com as minhas roupas, os meus produtos, a minha vida. - eu explico-lhe sentindo o meu peito apertar, vendo a carinha angelical dela através do espelho, enquanto início a minha higiene o**l.
- Eu não pertenço a aqui. - eu lhe digo e ela assente meio desanimada.
- Eu percebo. - ela diz. - Deve ser realmente muito complicado ficar distante das suas coisas e da sua família. - ela fala e eu assinto positivamente. - Mas eu fico muito feliz em tê-lá aqui. - ela diz e eu sorrio.
Ela é tão docinha, meu Deus do céu.
- E eu também, você é parecida com uma amiga minha, o nome dela é Alice. - eu falo e ela sorri.
- Como ela é? - ela questiona curiosa.
- Ela tem uma personalidade tão empática e dócil quanto a sua. - eu digo e ela sorri ruborizando, e eu prossigo com a minha higiene o**l.
Eu terminei, e apenas molhei um bocado o meu cabelo para organizá-lo direito, não tomei cuidado algum quando vim dormir e regressamos para o quarto.
- Eu ajudo-a. - a Karen se oferece para me vestir.
- Com esse vestido não é necessário, Karen, muito obrigada. - eu lhe agradeço e ela assente.
- Pode ir fazer qualquer outra coisa, não precisa ficar sempre comigo. - eu falo no intuito de não ter ela presa a mim, com certeza depois da nossa conversa antes do jantar, ela deve estar exausta de ficar como uma cauda atrás de mim, e eu também, por mais prestativa e legal que ela seja.
- Como desejar, senhorita. - ela diz. - Com a vossa licença. - ela diz e eu assinto, vendo ela fazer uma vénia para a Cora e sair do quarto logo em seguida.
- O relógio, não conseguiu arranjá-lo? - ela questiona olhando para ele pendurado ali na parede.
- Eh, consegui, mas eu não tinha nenhum relógio para acertar o horário. - eu respondo-a me vestindo.
- Oh, eu peço para os artesãos fazerem um. - isso seria ótimo.
- Obrigada. - eu agradeço-a, e ela sorri assentindo.
Se ela fizesse ideia do quão ela está me ajudando.
Eu vesti-me e nós saímos do quarto, e ela começou a tour dela, finalmente sei onde são os quartos de todos aqui nesse palácio imenso, o do Henrik eu já conhecia por acidente, mas obviamente não a disse.
Infelizmente, foram apenas esse de milhares de cómodos nesse imenso palácio que ela me apresentou, mas foi o suficiente para eu ficar exausta e ela também, sinceramente, eu duvido que alguém aqui, conheça todos os cómodos daqui.
Esse lugar é infinito.
Descemos, e é incrível como um lugar que fica praticamente deserto de noite tenha tanta gente a trabalhar de dia.
Não preciso mencionar os olhares, mas são menos julgadores do que no princípio, e bem, tal como o palácio é literalmente impossível conhecer a extensão toda desse palácio.
Ela basicamente mostrou-me uma estufa, onde tem inúmeras e belas plantas, o jardim que é belo, está explicado o porquê ela é obcecada por plantas.
Nada que explique ela ir vê-las em plena madrugada, mas elas são de facto muito bonitas.
Ela mostrou-me o imenso estábulo, igual à fazenda, eu praticava equitação por lá.
E tem belos e majestosos cavalos.
Mas quando eu digo, imenso estábulo, não é suposto vocês colocarem um limite, porque é no sentido literal que eu falo.
O lugar é realmente imenso, como eu irei me virar por aqui sem ser pega antes de conseguir sair?
Não tenho a mínima ideia.
Mas ao menos eu sei onde os cavalos estão e tenho certeza que alguma saída por aqui, pouco vigiada deve ter.
A única coisa que me resta é controlar os horários de troca por aqui.
Eu não tenho outra opção senão, conseguir.