Ph narrando
Era como se eu tivesse perdido o meu chão e não tivesse mais nenhuma vontade de viver, por mais que eu seja o sub do morro, eu nunca coloquei o morro como prioridade no meu relacionamento e eu jamais achei que perderia ela por causa do morro.
— PH – Rk me chama. – Ph?
— Oi – eu falo
— Precisamos enterrar – ele fala
Heloise que estava do outro lado do caixão, tinha as lagrimas silenciosas.
— Ok – eu respondo
— Ela é linda – Heloise fala olhando para Jessica – ela é uma princesa, a princesa mais linda do mundo, assim como você era, ela tem seus lábios, seus traços , eu prometo – ela diz chorando – que vou cuidar dela ao lado do Ph, que serei a melhor tia e madrinha e sempre vou fazer ela sentir você pertinho dela.
Eu abaixo a minha cabeça, na verdade eu não tinha forças para sair daqui do lado dela e nem mesmo respirar, eu queria poder parar de respirar nesse exato momento.
Durante o enterro , foi muito emocionante, muita gente junto e me dando os pêsames, eu olhei o caixão descer pelo buraco e depois fechei os olhos e agradeci mentalmente por ela ter existido na minha vida, me dar um cinco segundos e eu saio correndo.
— Pedro – Heloise chama mas eu não volto.
Eu entro dentro do carro e vou em direção ao hospital, quando chego, eu obrigo que me levem até a Uti.
— O senhor precisa ficar calmo – a médica fala.
— Quem a senhora acha que é? – eu pergunto
— Meu nome é Samanta – ela fala – sou a pediatra da uti neonatal, sua filha precisa de cuidados por mais que esteja fora de Perigo.
— Eu sai agora do enterro da minha esposa, eu preciso ver ela – eu olho para ela.
— Sua filha além de ser prematura ela tem um distúrbio genético.
— Como assim?
— Sua filha tem Sindrome de Dow, isso não causa problemas na evolução dela agora, mas eu precisava te contar.
— Doutora Samanta, com todo respeito, eu acabei de perder a minha mulher, sai do velório dela, Jessica era tudo na minha vida e a única coisa que eu tenho, agora é a minah filha, não importa como ela é e nem o que ela seja, eu estarei ao lado dela, cuidando dela e amando ela como tem que ser, por favor me deixe ver.
— Claro – ela fala
Ela libera a minha entrada na Uti Neonatal e eu entro, ela me leva até onde estava a minha filha e mais uma vez, eu desço cair as lagrimas, eu olho para ela e ela era realmente como a Heloise tinha falado, era muito parecida com a Jéssica.
— Eu prometo que vou cuidar de você pequena – eu falo – eu prometo, você é tudo na minha vida.
Eu abro um pequeno sorriso vendo ela tão pequena e frágil.
— Sua mãe ia amar está aqui com você, te conhecer – eu olho para ela – como ela te esperava, sonhava em conhecer o seu rostinho, porque Jessica você me deixou?
As lagrimas desce sobre o meu rosto sem parar.
Capítulo 72
Heloise narrando
Algumas semanas depois...
Tudo está bem dizer escuro e cinza em nossas vidas, o morro não é o mesmo, está silencioso, não tinha crianças brincando na quadra e na verdade nem parecia o mesmo.
Sabe aquele vídeo de uma moça dizendo..
‘’ A gente vai partir e a vida vai continuar’’’
Não foi isso que aconteceu depois da partida de Jessica.
— Eu tomei uma decisão – Ph fala sentando na mesa comigo e com Rk.
— E qual é a decisão? – eu pergunto para ele.
— A policia está investigando a morte da Jessica – PH FALA – eu já comecei a organizar tudo, estou criando toda a estrutura para que a pequena Amanda venha para cá.
— Mas e os cuidaods? – Henrique pergunta
— Contratei médicos, os melhores , as estruturas também, tudo que precisar vai ter aqui, ela vai está segura aqui.
— Essa delegada quer mesmo investigar – Lk fala.
— Ela me encheu de perguntas e o pior ela sabe quem somos, só não tem provas para incriminar ou não consegue, porém daqui a pouco pode se juntar a mais alguém.
— Kaique – eu falo e eles me encaram – ele não está solto?
— E ainda tem Carioca na cadeia – Rk fala.
— Então, eu resolvi trazer Amanda para o morro com toda a estrutura do mundo.
Ph estava sendo forte pela filha e todo mundo reconhece isso, ele se levanta da mesa junto de Lk e os dois saiem da casa, fica apenas eu e Rk.
— Eu preciso te entregar uma coisa – ele fala e eu estreito os olhos.
A verdade é que eu e Rk a gente nem teve tempo de conversar mais nada, eu estava tão envolvida entre o hospital e o morro e ele tentando tranquilizar os moradores e retomar a rotina do morro.
— O que? – eu pergunto para ele.
— As suas passagens ele fala – me enetregando.
— E você acha que eu vou embora?
— Eu te prometi e preciso cumprir – ele fala – eu tenho uma palavra.
— Eu também tenho e prometi que vou ficar com a Amanda aqui, eu prometi isso a Jessica – eu respondo para ele.
— Eu sei – ele fala
— Você queria que eu fosse, é isso?
— Jamais – ele fala – eu quero que você fique, apenas queria cumprir com a minha palavra e te entregar o que eu prometi.
Eu abro um pequeno sorriso para ele.
— Você sempre cumprindo o que você diz, não é mesmo? – eu olho para ele – mas eu jamais deixaria esse morro, ainda mais as pessoas que me devolveram a minha liberdade e que se tornaram minha família.
— Eu cumpro tanto, que eu tenho uma promessa em falha com você.
— Comigo? – eu pergunto para ele.
— Eu prometi a você que te tornaria a minha fiel e não é apenas por nome ou para amostrar ao mundo, mas porque eu sempre amei você – eu olho para ele – mas, eu quero te tornar mais do que a minha fiel, eu quero te tornar a minha esposa.
— Que d***a você cheirou menino? – eu pergunto assustada.
Ele se ajoelha na minha frente.
— Você quer casar comigo Heloise? – ele pergunta e eu encaro ele totalmente sem reação.
Capítulo 73
Kaique narrando
— Para onde você vai levar as crianças? – Renata pergunta.
— Um lugar seguro, elas não estão seguras aqui.
— Você precisa tirar a minha sobrinha da cadeia – ela fala
— Sua sobrinha via mofar na cadeia.
— Perpetua não fez nada.
— Fez sim – eu respondo – ela quis mexer onde ela não deveria ter mexido.
— Ela sempre gostou de você e fez tudo que você queria – Renata fala.
— A senhora não me enche a paciência, se não eu mato você – ela me olha assustada – sua sobrinha vai mofar na cadeia e nunca mais ninguém vai se aproximar das duas.
— Mas você vai levar a Julia também? – ela pergunta – Julia não é sua filha.
Eu a ignoro, coloco a Marie na cadeirinha do carro e faço com que Julia entre, Julia já era maiorzinha e já entendia que tinha alguma coisa acontecendo.
— Kaique deixa as minhas meninas – ela fala – deixe as minhas meninas.
— Elas vão comigo – eu olho para ela – e se um dia Perpetua sair da cadeia, você avise ela, que ela será morta.
— Seu monstro – ela grita – seu monstro.
Eu só não a mataria porque queria que ela desse o recado para Perpetua, eu queria ver Perpetua sofrendo muito, mas muito por tudo, eu não tinha compaixão por ninguém.
— Para onde vamos? – Julia pergunta. Ela já tinha uns 3,4 anos de idade mais ou menos e eu a encaro. – vou para casa do meu vovô?
— Não – eu olho para ela – eu vou cuidar de você e de sua prima. Descansa.
Tinha duas babás comigo que iriam me ajudar e auxiliar para cuidar das duas, Perpetua comeria na minha mão e lá dentro da cadeia ela vai se arrepender por tudo que ela fez.
Heloise narrando
— A sua d***a tá mais estragada do que as que vende na copa cabana.
— Responde sim e sim – ele fala e eu sorrio
— Eu aceito – eu respondo sorrindo.
Ele me olha sem acreditar porque na verdade eu acho que ele não esperava que eu iria aceitar o seu pedido, eu me jogo em seu colo e a gente cia no chão com tudo, começamos a rir e a gente se beija muito.
Henrique mais uma vez foi o meu ombro , ele me consolou e esteve ao meu lado após a morte da Jessica e afinal, vivemos um retorno bem conturbado com todas as mentiras que tinha a nossa volta, mas ele me protegeu, ele tentou me proteger de todas as formas, da sua forma errada e estourado, ele me protegeu.
— Eu quero você do meu lado sempre – ele fala passando a mão pelo seu rosto.
— Eu jamais iria embora, pela Amanda e também por você – eu olho para ele e ele sorri.
A gente se beija lentamente.