Capítulo 2

2350 Palavras
Maria não conseguiu dormir, para distrair a mente passou a noite de insônia assistindo a uma série numa plataforma de Streaming. A primeira que viu foi de época, porém deixou de lado, começou a sentir t***o com as cenas quentes e preferiu evitar usar o seu consolo. Não seria a mesma coisa sem o marido, mudou para uma de terror, terminou os episódios no início da manhã, quando mesmo cansada, levantou, tomou um banho bem demorado e frio, era cedo e já estava um calor do cão. Vestiu sua roupa de jardinagem. Desceu as escadas a passos lentos e antes mesmo de entrar na cozinha foi invadida pelo delicioso aroma de café, Maria adorava café, não conseguia começar o dia sem uma xícara com bastante leite. Parou na porta, prendendo a respiração com força, Júlio segurava a jarra da cafeteira enquanto falava no celular, de costas, sem camisa, m*l conseguiu pensar, só desceu o olhar por toda aquela extensão de músculos até parar no traseiro bem definido. — Bom dia. — Ah! — Maria deu um pulo de susto, chamando a atenção do primeiro gêmeo. Os irmãos são gêmeos bivitelinos, que ocorre quando a mulher libera simultaneamente dois óvulos e duas fecundações independentes ocorrem por dois espermatozoides diferentes. Nesse caso, os dois irmãos podem ter características físicas diferentes como sexo, cor da pele e cabelo. Serão apenas irmãos por partilharem os mesmos pais, mas serão geneticamente distintos. Não era diferente com os irmãos, Júlio, nasceu primeiro, olhos cor de mel, cabelos castanhos claros e rebeldes, um pouco mais moreno que Valério, que tem cabelos castanhos escuros, assim como os olhos, um sorriso com covinha que quando ela o viu esboçar pela primeira vez sentiu as pernas bambas, da mesma forma que se sentiu culpada por acha-lo lindo. O cabelo sempre bem aparado, curto, estava constantemente penteado para trás, mas naquele momento, que ele a olhava com uma intensidade absurda, estavam bagunçados e para o desespero de Maria, também estava sem camisa e ainda pior, estava apenas de cueca samba canção. — Bom - Dia — Maria gaguejou, envergonhada por ter sido pega no flagra. — Porque você gritou? — Júlio perguntou, se aproximando, ficando a uns vinte centímetros dela. — Porque... Porque... Eu... — Sem saber o que responder, olhou para todos os lados, menos para os irmãos intimidantes. — Eu preciso... Tenho que ir ver minhas flores. — A mulher saiu tão rápido quanto uma lebre fugindo de um lobo. — O que foi isso? — Júlio perguntou de braços cruzados, sem entender nada. Valério riu, balançando a cabeça. — Nossa madrasta está babando no seu perfil de costas. — Disse ao irmão. — A peguei no flagra, ela se assustou e correu feito um coelho acuado. — o homem vai até a cafeteira, tirou a jarra e despejou café numa caneca. — Encenação? — Júlio perguntou, sempre com um pé atrás quando se trata da madrasta. — Não acho, ela parecia mais fascinada. Vi o mesmo fascínio quando a surpreendi, mas logo ela retrocedeu, pareceu despertar de um transe. — Valério respondeu. — Hum, sabe que ela é traiçoeira, pode está se decidindo em quem da o bote. — Júlio jamais cairia no golpe dela. A queria e muito, a usaria e depois descartaria, jamais se permitiria nutri qualquer sentimento por aquela rameira. Viu o irmão colocar café em outra caneca, uma personalizada com gatinhos fofinhos e depois colocar leite. Estranhou, o irmão nunca tomava café com leite. Valério entregou a caneca e ele, dizendo. — Maria não fica sem o café com leite pela manhã, leve para ela e não abra a boca para dizer nada além de “de nada”, vamos começar com calma e vê até onde isso vai dar. — Para alguém que desgosta do inimigo tanto quanto eu, você a conhece bastante. — Júlio ironizou. Valério sorriu. — Sempre conheça os seus inimigos, senão não tem como ganhar uma guerra contra eles. — O advogado falou, tranquilo. Sabia que se tudo desse certo, Maria nem saberia o que e como a atingiu... Júlio segurava firme a caneca, parou a meio metro de onde Maria estava acocada mexendo num canteiro de imensas babosas. Ela estava concentrada em algo que ele não tinha ideia do que era, quando se tratava de mexer com a terra, ele era um leigo. Se aproximou a passos firmes, não deveria ficar nervoso, afinal, era Júlio Pontes e não havia uma mulher ou homem que tenha resistido a ele. — Bom dia — Desejou com sua voz profunda, assustando Maria que caiu de b***a no chão. Júlio deu alguns passos rápidos para ajudá-la mas parou quando escutou a risada da mulher, uma risada que o pegou de surpresa. — Como eu sou desastrada. — Ela fala. Júlio evitou sorri diante da visão dela com um sorriso bobo que não chegava aos olhos, nunca a viu da um sorriso pleno, deu alguns passos largos e, agora estava diante dela com uma mão estendida enquanto a outra ainda detinha a caneca com café. A mulher aceitou a ajuda, levantando-se num impulso. — Obrigada — Maria agradeceu, a voz tão suave quanto uma pluma. Júlio e ela ficaram num silêncio constrangedor por alguns segundos, até que ele lembrou da caneca com café. — Aqui — entregou a caneca com a bebida agora morna a ela. — Saiu sem tomar o seu café. — Explica. — Obrigada — Maria agradeceu, estranhando aquele gesto. Será que era uma forma de pedi desculpas por tê-la ofendido no outro dia? — De nada! O que estava fazendo? — Perguntou, querendo estender um pouco mais a conversa. — Estou vendo como estão as folhas, quero uma para fazer hidratação no cabelo. — Maria responde, bebericando seu café. Ela gostava dele bem quente, mas já que Júlio foi gentil em trazer sua bebida, deixou para lá. — É com aquela gosma? — O homem começou a se interessar, era muito vaidoso, principalmente com os cabelos. — Sim, quer que eu tire uma para você? — Maria oferece, gentil. — Quero! — O homem nem pensou duas vezes. — Vou separa-las, assim que tiver preparado a mistura, te chamo para fazer a hidratação, pode ser? Júlio assente. — Mais uma vez, obrigada pelo café — ela diz levantando a caneca. Júlio demorou um pouco para entender que Maria estava o dispensando gentilmente, ao compreender isso, ele mais uma vez assentiu e a deixou... *** Maria pegou a faca, abriu as folhas uma por uma, depois, com uma colher saiu raspando o líquido viscoso da planta. — Você deveria vim morar comigo aqui em Madrid, fica bem melhor e mais, vai conhecer homens lindos e incríveis. — Mariana disse. Maria olhou para tela do iPod, que estava apoiado na capa do aparelho, em horizontal. — Para chegar em Madrid tenho que passar por um aeroporto lotado, igualmente o voo e pior, com tudo fechado, por horas. Provavelmente, chegaria apenas para você enterrar meu corpo. — disse jogando a gosma da planta no recipiente de plástico. — De qualquer forma, você deveria tentar fazer um mínimo de esforço para voltar para a sociedade e não, interagir com pessoas escolhidas a dedo não contam como viver em sociedade. — Mari falou antes que a irmã usasse esse exemplo como desculpa. — Eu sei que se preocupa comigo, mas eu estou bem. Ainda tenho a segurança da nossa casa por mais um ano, não estou mais sozinha pois os gêmeos estão oficialmente morando aqui e... — Os gêmeos não contam também! — Mari retruca. — Poxa, eles trabalham e m*l param em casa, até mesmo trabalhando home office eles passam mais tempo nos seu quartos do que interagindo contigo e outra, você não é a pessoa favorita deles. Maria torna a sorri. — Eles estão se esforçando — diz à irmã. — Hum,hum, sei. Conheço aqueles dois, eles não se esforçam nem pra pegar mulher, vá lá para se dar bem com você. — Mari bufa. — Irmã, estou preocupada com você, não continuou nem a terapia virtual com a Dra. Alice. Ah, sim! Então esse era o motivo da irmã ter ligado. Mesmo longe, Mari ajudava Camilo a monitora-la, especialmente quando seu marido viajava a trabalho. — Eu já vi de tudo, agora terapeuta fofoqueira é a primeira vez. — Maria resmunga. Mari revira os olhos e só então presta atenção no que a irmã está fazendo. — O que está fazendo? — Perguntou curiosa. — Uma hidratação com babosa. — Responde a irmã. — Mais você só precisa misturar uma colher da gel dela no creme. — Mari lembra, cresceu com a irmã a usando de cobaia para todo o tipo de hidratação natural que suas preciosas plantas podiam ofertar. — Vou fazer aquele creme com o mocotó. Eu fiz compras online e deve está para chegar e outra, Júlio também vai fazer a hidratação nos cabelos. — Maria fala naturalmente. Mari por sua vez, arregala os olhos que já eram grandes naturalmente, diante da notícia estranha. Conhecia Júlio, os irmãos a tratavam como uma criança e desde que entraram na vida delas, alternavam entre protege-la e julgar a irmã. Mariana já teve alguns arranca rabos com os irmãos e não foi nada bonito. — Sabe que aquele puto gasta uma fortuna no melhor salão de Belém para cuidar daquelas madeixas ridículas? — Mariana Perguntou. Maria segurou uma risada. Ela não achava o cabelo do enteado ridículo, na verdade, aquele cabelo acrescentava ainda mais ao charme dele. — Olha o respeito, não chama seu irmão de puto. — Maria a repreende. Sequer notou o quão estranho foi dizer aquelas palavras, mas o próprios irmãos diziam aos quatro ventos que Mariana era a irmãzinha deles. Especialmente depois que descobriram que Camilo a adotou. Na época, ele fez o mesmo com ela, contudo, Maria se recusou a ser tratada como uma filha, sempre o lembrando do acordo que fizeram quando o conheceu. No fim, ela fez o certo, pois realmente amou o marido, uma lágrima tentava se formar nos seus olhos mas Maria foi mais rápida em fingir que havia alguma coisa neles. — Eu posso chama-lo assim enquanto ele continuar me chamando de pirralha. — Mariana falou na defensiva. Odiava quando sua irmã a repreendia. — Que tal pararmos de falar sobre mim e começar a falar sobre você, como estão as coisas aí? E Frida, já fizeram as pazes? — Maria muda de assunto para não irritar sua irmãzinha. — Frida e eu terminamos em definitivo, mas não quero falar sobre isso. — Mari estava triste, contudo, sua tristeza não era maior que sua preocupação com a irmã mais velha. — Estou preocupada com você. Eu amo os gêmeos mas eles não são confiáveis, nenhum homem é. Apenas meu pai Camilo foi! Não quero você sozinha, em perigo de novo, eu... — Quando sua irmã esteve em perigo? — Valério, perguntou, surgindo ao lado de Maria que não notou quando ele entrou na cozinha. Ele estava comendo uma maçã. — Mas é um intrometido mesmo, tchau mana. — Mari primeiro se despediu da irmã, depois voltou-se Valério, fez careta mostrando a língua, só então encerrou a vídeo chamada. — O que deu nela? Só fiz uma pergunta. — o homem observou, bem ao lado de Maria. — Ela terminou com a Frida. — A mulher disse para justificar o comportamento da irmã e focar em outro assunto que não seja o fato de ter estado em perigo, em algum momento de sua vida. — Que pena, eu gostava dela. Uma moça muito bonita e gentil. — Valério conheceu a namorada da irmã quando viajou para Madrid, ficou no apartamento de Mari e ela apresentou Frida. Uma espanhola linda de s***s fartos. — Eu só falei com ela por vídeo. — Maria fala, abaixando-se para pegar os potes de margarina para separar o gel da babosa. — Sabe, vou dizer o mesmo que disse para Mari quando estive em Madrid. Nossa irmã, ela não parece se lésbica. A forma como ela tratava a Frida, eram mais amigas que namoradas, eu vi Mariana olhar com desejo para alguns homens mas parecia que ela, sentia raiva de si mesma por isso. Maria ficou parada ouvindo Valério duvidar da orientação s****l da sua irmã, uma dúvida que Camilo e ela também detinham. Aquele monstro não havia destruído somente Maria, também machucou Mari de uma forma que não sabia se a irmã conseguiria um dia se recuperar. — Mari sabe muito bem o que quer, sua orientação nunca foi uma incerteza para ela e não deveria ser para nós. — Ela finalmente retrucou, o mais sensata que pôde. Apesar de muitas vezes ter o mesmo pensamento que o enteado, contudo, sua irmã é maior de idade e sabe o que é melhor para si. Ao menos se apegava a isso para não surtar pensando que a irmã fez uma escolha por medo de encontrar um monstro que nem ao que lhes deu a vida e que nunca seria feliz reprimindo quem é de verdade. — Quando esteve em perigo? — Valério fez a pergunta que não foi respondida por Mariana. Muito rápido, Maria voltou a se concentrar no gel da babosa, colocando um pouco em cada pote. Primeiro faria uma hidratação somente com o líquido viscoso, mas ainda faria o creme de hidratação caseiro que aprendeu em um canal do YouTube. — Maria — Valério insistiu. — Mari é exagerada, ela não confia em ninguém além dela mesma. — A mulher responde sem olhar para ele. — Isso é a preocupação da minha irmã falando mais alto. Ela está longe e ainda estamos de quarentena, perdeu o homem que amava como pai. Está estudando em EAD e terminou com a Frida, acho que está sob muita pressão e tentando mudar o foco para algo que ela não deveria se preocupar, Eu. — O tom que Maria usou deixou claro que não queria mais falar sobre o assunto. Contudo, Valério sabia que a mulher apenas o enrolou. Decidiu deixa-la sozinha e voltar a focar no trabalho.
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