8 anos depois...
Maria escutava a advogada ler o testamento alheia a tudo, sabia que o marido deixaria uma pequena pensão e que não poderia ficar na casa porque era dos seus filhos. Ele havia comprado um pequeno chalé no interior, como ela havia pedido. Faziam exatos um mês que seu marido morreu devido as complicações da covid, um mês que ela está sem o seu amigo e protetor, seu homem.
— Como assim? — escutou Júlio, seu enteado perguntar com fúria.
Isso a despertou para o que estava acontecendo.
— Ele não pode simplesmente dá metade da nossa casa para essa rameira.
Maria ficou em alerta, faziam meses que ela e os enteados estavam se dando um pouco melhor, não deveria ter se perdido nas suas lembranças e agora estava sendo ofendida sem saber o motivo, bom, saberia se tivesse prestando atenção no que Graça dizia. Perdeu toda a leitura do testamento.
— Acho que esse ódio gratuito é desnecessário — Maria fala. Então se volta para a advogada. — Eu não compreendo, meu marido sempre deixou Claro que a casa pertence aos filhos, pois foi herança da mãe. Camilo até disse que comprou um pequeno chalé na ilha do mosqueiro para que eu pudesse viver.
— Querida, seu marido mentiu. Ele sabia que você não iria aceitar receber sua parte na herança, agora não tem volta. — Graça respondeu.
— Ah, claro, como se você fosse se contentar apenas com um chalé miserável, não seja sonsa. — Júlio não estava conseguindo raciocinar, estava furioso com o pai, sofrendo por sua perda e ainda tinha aquela maldita que tomava seus pensamentos quase que diariamente a quase sete anos.
— Chega, por mais que não concorde, Maria era esposa do nosso pai e tem direitos. — Valério, que estava observando o pequeno show do irmão, fala sensato.
Maria olhou para ele e agradeceu, o homem apenas assentiu.
— Mas tem como reverter isso? Posso abrir mão da minha parte se eles se comprometerem a alugar uma casinha longe daqui. — Maria perguntou.
A única solução seria se mudar, os irmãos, por mais que fossem diferentes em aparência e personalidade, compartilhavam do mesmo sentimento em relação a ela. — Você pode entrar em acordo com eles, daqui há um ano. — Advogada informou. Entregando uma cópia do testamento para cada um deles. — Sua irmã foi isenta de estar na leitura do testamento por está longe e a chuva que está desabando lá fora deixou a conexão de internet r**m e não conseguimos fazer a chamada de vídeo. Mas é basicamente isso que eu li, você Maria, vai receber parte da herança, que vai ser dividido em quatro partes. A parte da casa que pertencia a Camilo, agora pertence a você e só pode vender ou doar para os seus enteados depois de completar um ano da leitura desse testamento. Mariana está fora da divisão da casa porque Camilo deu a ela um apartamento em Madrid. Conhecendo a sua irmã, sabemos que ela não vai voltar a morar no país. — Graça conhecia bem as irmãs e Mariana era única. Diferente de Maria que tinha fobia social, Mariana era uma garota de 20 anos que adorava está em uma aglomeração.
— Eu terei que viver aqui durante o prazo? — Maria perguntou, começando a ficar cansada de toda aquela situação.
— Sim, na verdade, os três. —Graça confirma.
***
A leitura do testamento não saiu como o esperado, Maria amava demais Camilo para amaldiçoa-lo por ter mentido sobre o seu chalé. E mais ainda por fazê-la ficar por um ano sob o convívio com os enteados. Ela passou os últimos sete anos tentando ter uma boa relação com eles e tudo o que conseguiu foi ser tratada como uma oportunista. Se eles soubessem que ela devia sua vida ao pai deles, que tudo o que Camilo fez foi cuidar dela e da irmã, seu marido passou os últimos anos a ajudando com sua fobia social, mas todas as vezes que estava entre pessoas desconhecidas, entrava em Pânico. Estava na cozinha preparando o jantar quando Valério apareceu, dos irmãos, ele é bem mais gentil com ela, apesar de sempre se manter a distância e de não esconder que nunca aprovou o seu casamento com o pai. Ele nunca a chamou de rameira. — Desculpa pelo meu irmão — o homem pede com um sorriso que a fez tremer dos pés a cabeça, o sorriso era muito parecido com o de Camilo. — Quem deve se desculpar é o seu irmão e não você, ele poderia tentar ser educado, como você. — Maria fala, se virando e abaixando para pegar uma pirex de vidro no armário de baixo. Valério afrouxou a gravata que usava, um forte calor tomou conta do seu corpo no exato momento que a b***a de Maria se estreitou naquele maldito vestido preto que descia até seus pés. Tentava ao máximo não deixar que seus desejos mais ocultos viessem a tona, mas, como poderia evitar quando estava preso na mesma casa com a mulher que despertava sua libido de uma forma que o deixava louco. A madrasta era uma mulher naturalmente sensual, despertava o desejo dos homens apenas com seu olhar inocente e sua boca carnuda que era como um convite para ser beijada. Passou os últimos anos procurando outras mulheres que chegassem o mais próximo de sua beleza gentil. — Estou fazendo Yakissoba, você vai querer? — A pergunta inocente o faz engoli em seco, ela se inclinou para pegar a faca no faqueiro e seu sutiã rosa apareceu por uns segundos. — Não gosto de comida japonesa, eu vou pedi alguma coisa para meu irmão e eu. — Ele viu o seus olhos se entristecerem. — Está bem, farei só pra mim então. — Maria força um sorriso e volta a se concentrar na preparação da comida. — Não se sente solitária? — Valério perguntou de repente.
A moça não desviou a atenção do que fazia mas ficou a pensar sobre a pergunta, sim, se sentia. Camilo era o seu marido, faziam tudo juntos e apesar da idade tinham uma vida s****l ativa. Nem mesmo quando Mariana foi estudar para Madri há dois anos, ela não se sentiu tão sozinha como tem se sentido desde que seu marido morreu. Odiava o vírus que o tirou de si, odiava com todas as suas forças. — Sim. — Maria respondeu. — Porque não vai passar um tempo em Madri com a Mari? — Valério precisava ter certeza que seu plano não estava em jogo com aquela possibilidade. — Prefiro o sossego e o calor de Belém. Apesar de vivermos fora da cidade. — Ela responde. Não diria a ele que m*l conseguia sair de casa para deixar o lixo na rua. — Madri é um lugar lindo mas talvez não seja o momento, m*l se recuperou da covid. — O homem comenta muito satisfeito com a resposta dela. —Na verdade, fui assintomática. — A mulher respondeu ao começar a cortar a cenoura em palito. — Até hoje não acredito que meu pai pegou o vírus por uma simples visita rápida a um amigo, sendo que desde que foi declarado quarentena vocês estavam isolados. — o pai era teimoso. Camilo decidiu sair para visitar um amigo de longa data, que ainda não sabia está infectado, pegou o vírus e passou para a esposa, que por sorte, foi assintomática. — Seu pai era um homem que odiava ficar preso, colocou na cabeça que queria ver o amigo e não teve quem o fizesse mudar de ideia. Eu praticamente implorei que não fosse. — Maria parou de cortar a cenoura, lidar com aquelas lembranças era muito difícil. Quando notou, Valério segurava sua mão, solícito, para sua surpresa e a dele, foi um gesto automático. — Eu sei que temos nossas divergências mais não ouse se culpar, achando que poderia ter feito mais, meu pai era teimoso e ninguém conseguia fazê-lo mudar de ideia quando colocava algo na cabeça. — O homem disse, olhando direto em seus olhos castanhos, suplantando a vontade que tinha de toma-la em seus braços.— Eu sei, só... Que... É difícil, eu deveria está ao lado dele naquele hospital, não no conforto do meu lar. — Maria sentia tanto o peso do seu marido ter morrido sozinho. — Estamos no meio de uma pandemia e você, também ficou trancada aqui dentro, sozinha, de quarentena. — Valério não entendia porque sentia a necessidade de fazê-la se sentir bem. Maria abriu um sorriso tímido e assentiu em agradecimento, não voltou a falar e sim, a se concentrar na preparação da comida... Naquela noite, Maria jantou sozinha no seu quarto, com as lembranças do seu marido e a saudade da sua irmã, a angústia de quantas pessoas mais estavam passando pelo que ela passou a dominou, a fazendo perder a fome. Deixou a comida de lado, ficou encolhidinha deitada de lado, agarrada ao travesseiro de Camilo, chorando em silêncio, pelo vazio que ele deixou ao partir. Sorriu, ao lembrar da última vez que falou com ele. “É inadmissível ter sido derrubado por um vírus e******o sendo que nem sua sentada conseguiu isso”, foi a última fez que Camilo a fez rir com piadas de cunho s****l. Depois disso, foi entubado e morreu alguns dias depois, a deixando sozinha de novo. Talvez, ele soubesse que uma mudança repentina poderia ser demais para ela, por isso colocou no testamento que deveria ficar por um ano na casa e depois vender sua parte para os filhos, provavelmente, o motivo é para que ela não sinta muito impacto com as mudanças repentinas que a vida tendem a provocar...
***
Júlio se trancou no quarto, o estresse atingindo outro patamar, precisava aprender a controlar suas emoções. Se odiava por ser rude com Maria de novo, era algo que ele não conseguia controlar. Sempre que estava no mesmo ambiente que ela, tinha que se controlar para não fazer uma besteira maior que xinga-la, pelos céus, a mulher era sua madrasta, viúva do seu pai, qual era o seu problema em querê-la desesperadamente? Além do mais, era uma pilantra e provavelmente usaria aquele rostinho de anjo para conquistar um deles para continuar garantindo sua boa vida. Aquele era o primeiro dia que estava morando oficialmente na casa dos pais, Valério e ele já haviam conversado sobre a possibilidade de usar aquela casa para ter o que queriam com Maria. Sim, seu irmão também foi enfeitiçado pela bruxa má sexy. A odiava na mesma proporção que a desejava, a queria de uma maneira que nunca quis nenhuma outra. Seu pai estragou seus planos deixando parte da casa para a rameira, como poderiam seduzi-la com a promessa dela continuar tendo a vida de rainha que sempre teve se ela não precisava deles? Como se enterrariam nela, a tornando sua para realizar todos os seus caprichos, quando seu pai a deixou muito bem? Era uma desgraçada que enredou o pai de tal forma que ele foi i****a o suficiente para deixar a vigarista bem de vida. Escutou uma batida na porta, Júlio autorizou a entrada. — Pedi comida caseira! — Valério levantou as sacolas que estavam em suas mãos. — Obrigado, estou com tanta raiva que já tinha esquecido que passei o dia sem comer. — Júlio agradece passando a mão por seu rosto, levando o cabelo castanho claro que chega acima do ombro para trás da orelha. — Tem que aprender a se controlar, os planos mudaram e daí? Talvez, estejamos errados e ela não seja quem pensamos. — Valério disse entregando uma sacola ao irmão e sentando em seguida no sofá que o irmão mantinha no quarto. — Aposto que esteve conversando com aquela Dalila de novo. — Júlio o acusou. Valério riu.
— É sempre bom conhecer o inimigo, mas ela está bem abalada. Tenho achado ela bem abatida desde a morte do pai. — O homem notou as olheiras e os olhos fundos. Júlio parou, ele tinha notado mais não queria admitir que era porque estava sofrendo pela morte do marido, colocou na sua cabeça que ela está tentando causar pena aos enteados. — E agora está preocupado com ela. — Júlio ironiza. — Sabe, se continuar agindo dessa forma com ela, tudo o que vai conseguir quando se aproximar é uma mão na cara. — Valério o alerta. — Cala a boca — Júlio manda, irritado. — Vou trabalhar nisso, quando completar três meses da morte do pai, a biscate vai está de joelhos, diante de nós, com os dois na sua boca. — O homem estava muito confiante. — Espero que esteja certo, senão a convivência com ela pode não ser vantajosa como esperamos. — Valério fala, pensando que, quando tiveram a ideia de fazer da madrasta sua amante, eles não cogitaram que o plano pudesse sair pela culatra, agora o que fariam para chamar a atenção da mulher, era algo que não tinha noção de como fazer. Mas uma coisa era certa, precisava ter aquela mulher antes que o ano chegasse ao fim e ela sumisse com a sua parte na herança...