A madrugada engoliu o hospital de um jeito estranho, quase pesado demais. As máquinas apitavam em ritmos que deixavam Laura inquieta, como se cada som anunciasse outro fim. Beatriz dormia, finalmente mais tranquila, o rosto ainda pálido, a respiração frágil. Laura não tirava os olhos dela nem por um segundo. Tinha medo — medo irracional, profundo, visceral — de que, no instante em que piscasse, algo pior acontecesse. Gabriel estava sentado na poltrona ao lado. Tentava permanecer firme, mas a tensão marcava suas sobrancelhas. O silêncio era tão espesso que quase dava para ouvir as batidas do coração de ambos. — Vai descansar um pouco — Gabriel disse, quebrando o silêncio. — Já descansei. — Você dormiu dez minutos. — Foi suficiente. — Não foi. Laura apertou mais a mão de Beatriz

