A madrugada no hospital parecia interminável. O relógio não avançava, o ar era frio demais, e o bip constante das máquinas deixava o coração de Laura apertado. Ela estava sentada na beira da cama de Beatriz, segurando sua mãozinha gelada, enquanto Gabriel observava as duas do canto do quarto. Ele sequer piscava direito. Parecia vigiar um tesouro. Beatriz dormia, o soro subindo pelo braço pequeno, a respiração ainda pesada, mas mais estável do que horas antes. — Laura — Gabriel chamou, com a voz baixa. — Hum? — Você não pregou o olho desde que chegamos aqui. — Não consigo. — Você precisa. — Eu não saio daqui. — Nem eu. — Mas você pelo menos deitou um pouco no sofá. — E você nem pisca. Laura suspirou, exausta. O corpo doía, a mente rodava, a culpa a corroía. Gabriel se aprox

