Auto-confiança nunca foi uma de minhas melhores qualidades. Desde criança, eu enxergava toda os problemas em minha volta como gigantes que não poderiam ser enfrentados, e, muito menos, derrotados por mim. Porém, quando Emma está presente, sinto-me mais forte, quase indestrutível. Toda a minha vida não seria a mesma se Emma e Taylor não estivessem nela. E a nossa história foi escrita através de todos os verões de minha existência. Isso tudo aconteceu pelo fato dos meus pais serem separados desde o meu nascimento, e então, todos os períodos de férias da escola eu passava na casa do meu pai, que, por coincidência ou destino, localiza-se entre as casas dos meus dois melhores amigos.
Nosso primeiro contato foi por volta dos meus seis anos, e desde então somos grandes amigos. Nós saíamos na maioria das vezes com o meu pai, andávamos em shoppings, parques, e entre outros diversos lugares.
Por esse motivo brutal, sempre dividi a minha vida em duas partes completamente opostas: uma incrível, onde eu não tenho medo de coisa alguma, em que confio que posso fazer as coisas, alcançar os meus objetivos. A parte onde se encontra Emma, a base de toda a minha segurança. Já a parte oposta baseia-se nas outras três estações do ano. Quando estou em casa, vivendo apenas com minha mãe, enfrentando todos os gigantes na escola e os meus amigos não estão por perto o suficiente para me trazer conforto. Não que eu não ame a minha mãe, é claro que eu a amo. Mas, é uma coisa um tanto inexplicável.
Outra coisa sem muitas grandes explicações é a minha grande paixão platônica por Emma Crawford. Desde os meus dez anos, eu penso em nossa amizade de maneira diferente, mas, é claro, nunca tive tamanha coragem para dizer isso a ela. Quando Emma completou treze anos, e eu, quinze, um garoto chamado Dermont a pediu em namoro, e ela aceitou. Lembro-me como se fosse ontem: Emma veio correndo para me contar a grande novidade, e eu simplesmente me transformava em um personagem, onde eu parecia não me importar com tudo o que estava acontecendo. Taylor, com quatorze, namorava uma garota chamada Rachel, e ela tinha dezesseis anos e s***s fartos. O namoro de Taylor não durou muito, assim como o de Emma, porém, eles dois tinham uma grande diferença: Emma jamais ficou solteira desde então. Para não ser exagerado e provavelmente um mentiroso, certa vez, quando Emma tinha quatorze, ela terminou o seu terceiro namoro com um garoto mais velho chamado Ethan, e então ela esteve livre por vinte e dois dias. Infelizmente, quase um mês não foi o suficiente para abrir o meu coração para Emma.
Infelizmente, três meses por ano não era o suficiente para estar em plena confiança durante todo o resto das estações. E como a infância não dura para sempre, hoje estou no meu último ano da escola, Taylor em seu penúltimo e Emma, o antepenúltimo. Andamos com pessoas completamente diferentes, até porque, não faço parte de nenhum dos grupos especiais da escola, como Emma. Ela é simplesmente o tipo de pessoa que cativa a todos, e, por onde passa, pessoas a admiram. Taylor e eu temos nos aproximado ainda mais desde o último ano, onde Emm namora um homem de dezoito anos de sua escola. Mesmo não sendo mais a amizade de antes, religiosamente, nós três ainda nos encontramos durante as férias de verão. E, para o meu lamento, talvez aquele verão fosse o último ao lado dos meus melhores amigos.
-A sua avó está doente. Nós vamos partir quando você entrar de férias, na semana que vem. Ela precisa de nós, filho. Sabe disso.
-Eu sei. Mas, esse é o único período do ano onde encontro Emma e Taylor.
-Freddie, entenda. Os meus planos não são tão simples assim. Eu quero realmente me mudar para lá com você. Quero ficar próxima de minhas irmãs, meus tios, e também aproveitar os últimos momentos com minha mãe. Será que você não pode fazer isso por mim? -mamãe disse, de uma maneira que era impossível dizer não. Ela abraçou-me, entre algumas de suas lágrimas. Minha avó estava com Alzheimer em um estado avançado, e mamãe queria revê-la antes que ela esquecesse quem era a sua filha.
Depois de pensar durante alguns minutos sobra as férias, Emma e como seria esse último verão, disse o que deveria dizer. Eu deveria fazer isso por minha mãe, e por minha família.
-Eu passo esse último verão na casa do meu pai. Quando as férias acabarem, vou com você. Nós ficamos lá, perto da sua família, das suas irmãs. Tudo bem? -eu respondi, mamãe disse sim enquanto nos abraçávamos, onde ela acariciava o meu pescoço, como costumava fazer.
A partir dali, tomei a decisão de que não deveria mais esconder os meus sentimentos por Emma. Este seria o nosso último verão, os últimos dias onde eu teria a oportunidade de falar tudo o que eu sempre quis. Taylor ficou triste ao saber de minha grande mudança, mas entendeu. Eu também o pedi para que não contasse a Emm. Depois da última semana de aula, com as malas prontas, cheguei à casa do meu pai. O meu último verão naquele local se iniciava.
-Passar os próximos verões sem você não será fácil, pai. -disse, quando finalmente o encontrei.
-Você precisa apoiar a sua mãe, filho. A sua atitude me mostra que você já está se tornando um homem. -papai disse, sorrindo.
-É, talvez. Não sou tão corajoso assim.
-A coragem está dentro de você, guardada. Basta você saber a hora certa de usá-la.
-Pai. Você já teve problemas para assumir o que sentia? -perguntei, subitamente.
-Claro. Quem não tem? -ele riu, quando nos sentamos em seu sofá.
-Emma. Ela sempre está se abrindo para os seus milhares de namorados. Acho que ela não tem problemas para isso.
-Bem, talvez ela não ame de verdade nenhum desses garotos. Ninguém diz que ama alguém assim com tanta facilidade. Na maioria das vezes, leva-se um bom tempo. E, em alguns casos, pode durar anos para que alguém consiga dizer algo assim.
-Às vezes me parece que você pode ler mentes. -disse, admirado por suas palavras.
-Não, eu infelizmente não tenho esse poder. -ele riu, balançando a cabeça em negativo. -Eu só conheço bem o meu filho.
-Então você provavelmente sabe que...
-Você é perdidamente apaixonado pela Emma. Sim, eu sei. -papai disse, rindo.
-É. Acho que todos sabem, menos ela.
-Não acha isso estranho? Você precisa ir até ela e dizer de uma vez.
-Emma nunca está sozinha, e isso torna tudo mais difícil.
-Você teve anos para dizer isso, filho. Agora, você tem três meses. Bem, é claro que vocês não vão deixar de se falar, mas... Quero fazer uma leve pressão em você. Nada pessoal. -papai disse, rindo mais uma vez.
-Ótimo, o meu próprio pai fazendo piadas sobre mim. -falei, revirando os olhos, sorrindo.
Mais tarde, finalmente reencontrei Taylor. Ele pediu para que eu fosse assistir o seu treino de basquete na escola, um jogo entre os seus colegas de classe. Quando cheguei, o jogo já havia começado. O seu time perdeu, mas Taylor destacou-se em seu time. Ele era rápido e realmente tinha grandes habilidades para esse e vários outros esportes. Eu estava sentado em uma das cadeiras da enorme arquibancada vazia, quando finalmente nos encontramos depois de meses, como sempre acontecia. Ele sentou-se ao meu lado, nós comentamos sobre o jogo, como estavam as nossas vidas e também sobre a minha mudança.
-Eu estava fazendo planos para esses nossos últimos meses de férias juntos. Afinal, você já está na linha de chegada.
-Não se esqueça da faculdade. -lamentei.
-Freddie, eu realmente sinto muito. Espero que sua mãe fique bem. E sua avó.
-Também espero. -disse, e nós finalmente nos levantamos para sair.
-Eu queria te contar uma coisa. Na verdade, eu vou precisar de sua ajuda. -Taylor disse, enigmático.
-Ajudar em que? -perguntei, estranhando.
-Não sei se você desconfia disso. Eu gosto da Emma desde quando éramos crianças. E eu não sei como dizer isso a ela. Talvez você possa me ajudar com isso. -ele disse, deixando-me completamente desconcertado.
-Ah. -disse, em um fio de voz. -Eu...
-Eu sei, é estranho. Sei que somos amigos, mas, Freddie... Não consigo mais guardar isso.
-Taylor, eu realmente...
-Vamos fazer disso uma missão para essas nossas últimas férias. Será divertido. -ele disse, sorrindo.
Naquele momento, o meu melhor amigo e eu criamos um verdadeiro impasse. Enquanto voltávamos para casa, Taylor falava sobre todas as vezes em que ele tentou dizer a Emma tudo que sentia, mas que nunca conseguiu ir até o fim. A minha cabeça girava, com pensamentos perturbados, tentando criar soluções para a grande questão que havia acabado de se concretizar. Tentei pensar pelo lado mais simples, onde Emma rejeitaria os dois, e então, tudo ficaria bem. Mas, e se Emm realmente tivesse um lado? Nós não sabíamos, e eu também não sabia as palavras certas para dizer isso a Taylor. Agora, a minha situação que já erá r**m, havia piorado: dois segredos, um para cada dos meus melhores amigos.
Uma hora depois, Taylor levou-me para a sua casa. Seus pais sempre foram pessoas incríveis, desde a minha adorável infância. Lembro-me de brincar com o Sr. Payne de diversas maneiras, e o seu jeito engraçado sempre me fazia sorrir. Eu também estava feliz de reencontrá-lo.
-Meu Deus, Freddie. Você está muito parecido com seu pai.
-É o que todos dizem. -disse, sorrindo também para a mãe de Taylor.
-A amizade de vocês tem tudo para durar para sempre, assim como a minha com o seu pai. Vendo vocês assim, lado a lado...
-É, eu sei. É como ver você e Louis alguns anos atrás. -Taylor resmungou.
-Muitos anos atrás. -corrigi, rindo.
Emma finalmente chegou a casa de Taylor, onde a esperávamos para o jantar. Ela nos abraçou, fervorosa. Sem conter as palavras, contou pouco sobre o seu novo namoro misterioso, e o seu longo período de quinze dias junto a ele. Contou também sobre os motivos irrelevantes explicando o porquê atrasou-se, e então finalmente iniciamos o jantar.
Depois de mais alguns diálogos enquanto estávamos na mesa, Emma, Taylor e eu fomos para a varanda, onde costumávamos ficar. Nós falamos sobre as nossas vidas, as coisas boas e ruins, rimos, e, finalmente nos despedimos. Naquele dia, resolvi não dizer sobre a minha mudança. Desejei que aquele dia fosse perfeito, mesmo com a terrível notícia cedida por Taylor.
Na semana seguinte, planejamos uma viagem de última hora. Depois de um longo tempo para convencer os nossos pais, eles finalmente autorizaram a nossa ida à San Diego, contanto que o irmão mais velho de Emma, George (com aproximadamente vinte e cinco anos) fosse conosco. Dois dias depois, nós finalmente chegamos a Califórnia. O hotel era bem próximo a praia, o que nos fez ir para lá quase todos os dias. Essa viagem tinha, de tudo, para ser perfeita. Mas, por conta do grande impasse, houve alguns pequenos problemas, particularmente infantis da parte de Taylor. Quando Emma e eu ficávamos abraçados, ou quando ela subia em minhas costas e nós corríamos pela areia da praia, ou entre outras milhares de situações que eram, na minha cabeça, normais, Taylor revelou-se ter um ciúme doentio. No terceiro dia, quando Emm estava no mar, e nós, na areia, ele me dirigiu a palavra em relação ao nosso pequeno problema.
-Achei que fosse me ajudar, Fredd. É isso que os amigos fazem. Ou pelo menos deveriam.
-Eu realmente não sei como lhe ajudar. -disse, nervoso por não saber como agir.
-Mas sabe como atrapalhar, não é? -ele disse, com os olhos semicerrados.
-Não sei do que está falando. -respondi, com os olhos fixados em Emma, que voltava do mar.
-Só não aja como um i****a. -ele falou, ríspido.
Emma chegou, passando as mãos em seus cabelos castanhos. Ela sentou-se em sua cadeira, quando finalmente observou o clima estranho entre mim e Taylor.
-O que houve com vocês? Nem parece que estamos de férias. -ela resmungou.
-Acho que vou voltar para o hotel. -Taylor disse.
-O quê? Nada disso! -Emma sorriu para nós. -Eu quero ver os dois na água.
-Hoje não, Emma. -falei, com os olhos quase fechados pela forte luz do sol em meu rosto.
-Competição de nado, como nos velhos tempos. -Emma sugeriu, animada. -Andem, deixem de agir como velhos! -ela disse, puxando-me da cadeira.
Taylor olhou-me, sério. Depois de uns minutos com Emm falando o quão era divertido quando fazíamos isso na piscina de sua casa, nós finalmente resolvemos aceitar sua proposta. Nós nadamos um pouco mais para o fundo, para fugir da formação gigantesca de ondas, que era mais próximo da areia. Emma disse que seria a juíza da competição,mas, que iria nos observar sentada de sua cadeira azul. Ela também prometeu filmar tudo.
Taylor e eu começamos a nadar em braçadas, mesmo o mar não facilitando esse estilo de nado. A correnteza estava ardilosa, e isso nos fez ter que parar em alguns momentos, pelo simples fato de não conseguirmos sair do lugar.
-Onde está Emma? -disse, em certo momento em que paramos a competição. Eu a procurava pela areia, mas a sua cadeira estava vazia.
-Preocupado com o amor da sua vida? -Taylor perguntou, irônico.
-O quê? -disse, assustado.
-Eu já entendi tudo, Freddie. Você não quer me ajudar. E não foi dificil entender o porquê. Você ama Emma, assim como eu. Sempre amou, não é?
-Taylor, não é assim.
-Por favor, Freddie! -ele vociferou. -Admita alguma coisa pelo menos uma vez dessa sua vida medíocre!
-Amo. -disse, agora finalmente com raiva. -Sempre amei, muito antes de você. Mas eu não estou sendo um completo i****a, como você.
-Para de fingir, Freddie. Emma não está aqui! Vamos lá, diga. Fale o quanto me odeia. -ele disse, fora de si.
-O quê? Cara, isso não precisa ser assim. Você é o meu melhor amigo.
Antes que eu pudesse reagir, Taylor me deu um soco em minhas têmporas. Ele havia se descontrolado, e eu realmente estava começando a ficar preocupado.
Começamos a brigar, feito crianças, em alto mar. Taylor era mais experiente, um atleta nato, experiente em diversos tipos de lutas. Já eu, nada íntimo de qualquer tipo de arte marcial, tentei me defender como podia. Quando meu pescoço estava entre os seus fortes braços, uma vasta onda formou-se em nossa direção. Ele estava fora de si, e, mesmo eu insistindo para que me soltasse, ele não o fez. A onda nos engoliu tragicamente, o que nos separou de vez. Depois de um delay, recuperando as forças, abri meus olhos e nadei até a superfície. Olhei para todos os lados, à procura de Taylor, mas não o encontrava. O desespero formava-se dentro de mim, assim como uma onda. Olhei para a areia, Emma havia voltado, com algo que a alimentava em suas mãos. Acenei com os meus braços para que ela enxergasse, e ela correu em direção ao mar.
Quando Emma estava no começo das águas, finalmente o encontrei. Eu nadei até ele, e, logo depois, com a ajuda de Emm, carreguei Taylor até a areia. Ele estava desacordado, o que nos fez ligar para George imediatamente. Meia hora depois, nós quatro estávamos no hospital, e Taylor na emergência do mesmo. Meu corpo tremia de preocupação, Emma segurava as minhas mãos, ansiosa, também chorava. George procurava por notícias sobre a situação de nosso amigo e também ligava para Liam, informando tudo o que aconteceu. Após um longo tempo de espera, assustados, finalmente recebemos notícias de Taylor. Ele estava bem, porém dormia. Entramos no quarto, completamente branco e silencioso.
-O que aconteceu? -Emm perguntou pela primeira vez, agora que a situação finalmente havia se acalmado.
-Uma onda traiçoeira nos pegou de surpresa. Foi terrível.
-Mas, vocês teriam se afastado. Sei lá, teriam dado um jeito. São ótimos nadadores, Fredd. Eu nunca iria sugerir uma competição em alto mar se não soubesse disso.
-Emma, foi um acidente. -disse, tentando fugir do assunto.
-A verdade, Freddie. -ela disse, sentando-se à beira da cama de Taylor.
Respirei fundo e caminhei até o lado oposto da cama onde Emma se encontrava. Olhei para Taylor, seus olhos estavam fechados. Eu não sabia como tudo aquilo iria terminar, mas finalmente tive coragem para dizer o que sentia.
-Emma, eu vou embora. Minha avó está com Alzheimer, e minha mãe quer se mudar para casa dela, aproveitar os seus últimos momentos ainda com a pouca memória que lhe resta. Talvez esse seja o nosso último verão juntos, como sempre fazemos. E... -respirei, fazendo uma pequena pausa. -Eu quero dizer que eu sempre gostei de você. Eu sempre amei você, Emma. Você esteve ao meu lado durante toda a minha vida, e eu sempre me sinto seguro quando estou ao seu lado. Isso pode soar estranho, mas, Emma, se a minha vida fosse um rio, você seria o barco. Você é e sempre foi a razão para tudo em mim. E eu nunca consegui lhe dizer isso, por falta de coragem. E, para piorar toda essa situação, Taylor também gosta de você. Mais do que como amiga, assim como eu. Nós acabamos brigando, e então acabou dessa forma trágica. -disse, aliviado. Emma me olhava com os olhos arregalados.
-Freddie, eu... -ela disse, paralisada.
-Não precisa responder. -disse, com vergonha de olhar em seus olhos.
-Eu não sei como dizer isso. -ela disse, pondo suas mãos sobre as de Taylor.
Emma não percebeu, pois olhava em meus olhos. Mas, naquele momento Taylor acordou. E, quando ele planejou balbuciar algumas palavras, Emm tomou a sua frente.
-Eu não contei por falta de coragem, assim como vocês. Depois de tentar amar tantos garotos, viver em uma mentira durante anos, saindo e entrando de relacionamentos compulsivos e completamente sem fundamento, eu descobri quem realmente sou. Estou apaixonada pela minha melhor amiga. E agora, nós estamos namorando. Eu sinto muito.
Taylor e eu trocamos olhares assustados. Naquele momento, toda a segurança e confiança que eu sentia, esvaeceu-se. A própria Emma havia me derrubado.