Coragem, os gays covardes

1964 Palavras
⟶ Terça - 21 de Janeiro de 2020 Os pais de Joalin não sabiam o que dizer. Estavam diante da filha que havia acabado de se declarar sobre a filha do caseiro, escondendo, é claro, a parte sobre o que fizeram na sala de TV. Os pais de Joalin sabiam da sexualidade da filha, sempre souberam e a apoiaram. Quando aos 14 anos ela se assumiu bissexual, eles a levaram ao psicólogo, não para concerta-la, não havia concerto, afinal, ela não estava danificada, eles só queriam que ela se encontrasse, e ela se encontrou, aos 15 se assumiu lésbica e agora, aos 16, assumia que estava apaixonada por sua amiga de infância. Johanna e José se encaram e suspiram, eles gostavam de Sabina, a viram crescer, a garota já a acompanhou em viagens para à praia e os dois viam o quanto as duas se davam bem desde o primeiro dia que se conheceram. Johanna cansou de chegar em casa e encontrar as duas dormindo na mesma cama e de mãos dadas e notava o sorriso da filha ao falar da garota. - Já era de se esperar. – Diz José. - Você está realmente apaixonada por ela, Joalin? – Indaga Johanna. Joalin engole em seco e assentiu. Johanna mais uma vez suspirou e encara José para ele dar a palavra. - Filha. – Ele estica o braço sobre a mesa e segura a mão da filha. – Nós te apoiamos em tudo o que você faz, e desde o começo vimos o quanto você e a Sabina têm algo especial, mas... - Ela é filha do caseiro e eu dos patrões. – Diz em tom repulsivo. – E isso é vergonhoso para vocês. – Acusou. - Não. – Disseram juntos. – Joalin, assim você nos ofende... – Continua Johanna. – Nós iremos apoiar e aceitar vocês nessa nova fase, mas você tem que conversar especialmente com a Sabina. - E também com o Nando. – Diz José. – Joalin suspirou e assentiu. – Quando você finalmente resolver essas questão, você estará livre para namorá-la, se ela quiser, está bem? – Joalin assentiu sorrindo. - Obrigada. – Ela diz sorrindo e saltitando de felicidade, se levantando da mesa e abraçando os pais. Viu que o Josh não estava na sala de TV e subiu as escadas atrás do irmão para contar a conversa com seus pais. Bateu na porta do quarto do irmão e ao abrir deu de cara com um Josh nervoso, estava vermelho e apertava o celular com força. - Any, você poderia ter me avisado que iria para uma festa com a Diarra. – Diz ele e fez um breve silêncio. – Eu sei que não sou seu dono, mas sou seu namorado, não custava me mandar uma mensagem para avisar. – Joalin suspirou. – Any eu não quero saber, eu quero que você saia dessa festa agora, não se comporte como uma vagabunda. – Joalin se aproximou dando um tapa no pescoço do irmão e lhe tomando o celular de sua mão. - Any, é a Joalin, depois vocês conversam, tchauzinho. – Desligando a ligação, ela encarou Josh que evitou contato visual com ela. - Nem comece. - Eu vou começar sim. – Diz ela. – Não é assim que se resolve, Joshua. – Diz cruzando os braços. – Ela é sua namorada? Sim, poderia ter mandado uma mensagem? também, mas ligando para ela para insultá-la não vai ajudar. – Josh rosnou e se jogou em sua cama. - Sai daqui, Joalin. – Joalin se jogou em cima dele. – Você sabe que não irei sair. - Você é insuportável. – Ele se movimenta, fazendo a irmã sair de cima dele. - Sim, eu sou e você também é, está no nosso sangue, todo mundo é chato aqui. – Ela diz e sacode Josh para ele encará-la. Ele o faz. – Você vai acabar perdendo a Any por conta desse ciúmes. - O problema não foi ela ter ido para a festa do primo da Diarra, Joalin, o problema foi ela não ter me avisado antes, e se fosse eu no lugar, ela apareceria na festa aonde eu estivesse e me puxaria de lá pelas bolas. – Joalin tentou prender o riso. – Isso é cansativo, se ela não foi fazer nada de errado, por que não me avisou? – Joalin não soube o que responder, ela apenas se deitou ao lado do irmão. - Eu já disse que vocês devem amadurecer e crescer bastante, e que não devem conversar de cabeça quente. – Ela diz. – Você vai acabar perdendo ela. – Ele respira fundo. – E eu sei que não quer isso. - E não quero. – Ele diz. – Acho que vou ligar para ela e pedir desculpas. - Não vai mesmo, eu que irei ligar e brigar com ela agora e com a Diarra, como elas saem para a festa e não me chamam? Do primo da Diarra inclusive? Que falsidade. - É dia de semana, você certamente diria não. – Diz Josh. – Agora me devolve meu celular, eu falei sério. - E eu também, você não vai ligar para ela agora. Vamos jogar comigo, e amanhã você conversa com a Any. ⟶ Quarta - 22 de Janeiro de 2020 Era aniversário de 18 anos de Krystian, uma data importante, pois o rapaz era um de seus melhores amigos. Quando o chinês fechou o armário deu de cara com o seu pequeno grupo com chapéus de aniversário e uma Hina sorridente com um cupcakes com uma vela em mãos. - Feliz aniversário. – Diz ela ainda sorrindo. – Faça um pedido e assopre a velinha.  – Krystian apenas riu negando e assoprou a vela. China soprou a língua de sogra do rosto do rapaz que se afastou. - Feliz aniversário, Krystian. – Sabina se aproxima para lhe dar um abraço. - Então, o que vamos fazer hoje? – Pergunta Noah. – Boliche? Cinema? - Eu vou estar trabalhando hoje. – Diz Sabina. – E meu pai não me deixa sair à noite à menos que ele vá dormir no trabalho. - Liga para Joalin e pede pra ela pedir aos pais para o tio dormir lá então. – Sugere Krystian. Sabina ri sarcástica. - Engraçadinho. Não farei isso. – Ela diz. – Podem ir sem mim, vocês sabem que não me importo com isso. - Por que não dorme na casa do Noah? – Sabina e Noah se encaram brevemente e em seguida encaram China. - Longa história. – Responde Sabina. - Podemos ir ao boliche então. – Diz Hina. – Quem sabe não encontramos alguém interessante por lá? – Sabina franziu a testa com o tom de voz de Hina e também notou o desconforto de China com a fala, elas ainda estavam escondendo o relacionamento de Noah e Krystian, mesmo que não houvesse motivo para isso. - E o Krys pode achar alguém também, imagina que legal ele encontrar um namoradinho no dia do aniversário. - Ah... Sabe o que é ... – Começa Noah desconcertado. – Eu lembrei que tenho que ajudar minha mãe com uma coisa. – Ele diz passa a mão na nuca. - Ah não! Primeiro a Sabina e agora você? Assim não terá graça. – Diz Krystian levemente emburrado, enquanto Sabina apenas observava. - Foi m*l. – O sinal tocou alertando o início das aulas e Noah respirou fundo agradecendo e se retirando dali. Sabina se apressou para segui-lo, afinal, teriam aulas juntos. Ela ficou encarando Noah por tempo suficiente para fazê-lo se sentir desconfortável com seu olhar. – O que é, mexicana? - Primo... Eu te conheço. – Começa ela. – Você ficou incomodado com isso do Krys conhecer um namoradinho não foi? – Noah não respondeu, Sabina riu alto, fazendo alguns olhares se voltarem para ela. – Por que não chama ele pra sair? – Pergunta quando seu riso cessou. - Você tá louca? – Ele pergunta. – Eu tive um rolo com a irmã dele. – Sabina sentiu vontade de dizer que agora a Hina pegava a China a qual ele também teve um rolo, mas as meninas ainda queriam manter segredo. - Dar desculpas para não ir na comemoração dele também não ajuda em nada. - Você também não vai. - Eu trabalho. – Diz ela. – E eu não estou apaixonada por ele. - Eu não estou apaixonado. – Ele diz bravo enquanto entram na sala. – Só queria dar uns beijos nele. – Sabina negou e se sentou, Noah se sentou ao seu lado. – Acha que ele pode encontrar alguém no boliche? - Não é fácil, mas também não é impossível. – Noah gemeu descontente. – Se eu fosse você, eu iria. – Noah pensou um pouco. - Você poderia ir comigo. – Diz ele. – É só dizer ao tio Nando que você dormirá lá em casa como a China sugeriu. – Sabina negou. - Meu pai não deixaria nem se ele morresse e eu não pudesse voltar para o México. – Ela diz batendo três vezes na mesa. – Lembra quando tínhamos sete? – Noah riu desconcertado se lembrando de quando Fernando pegou os dois trocando um selinho, imitando uma cena do filme, com isso os dois ficaram de castigo, Sabina chegou à levar uns tapas e os dois ficaram meses sem se ver, além de outros castigos. Agora Fernando confiava mais no Noah, mas não deixaria jamais que a filha saísse sozinha com ele e ele poderia dormir na casa de Sabina se quisesse, contanto que dormisse no sofá. – Resolva seus B.O. sozinho, meu parça. – Ela diz fazendo Noah bufar e os dois encerram o assunto quando a professora entrou na sala. . . . Joalin batia o lápis na mesa e nem ao menos se dava ao trabalho de responder a atividade passada pela professora. Diarra que estava ao seu lado, perdeu a paciência. - Será que dá pra parar com isso? – Pergunta irritada. – Eu estou quase quebrando você em duas. - Desculpa. – Pediu ela. – Eu estou nervosa. - Com o quê? – Diarra deixa sua atividade de lado. Joalin olha pela sala e vê a professora ajudando um colega com uma dúvida e então se vira para a amiga. - Eu conversei com os meus pais sobre a Sabina. - E o que eles disseram? – Pergunta ansiosa. - Que me apoiam e tudo, mas eu tenho que conversar com o Nando. – Diarra faz uma careta. – Eu não tenho coragem, e se ele disser não? E se ele achar que quero me aproveitar da Sabina? E se... - Calma... – Diz Diarra. – Olha quem é boa em conselhos é a Bua e não eu, mas se você quer fazer funcionar, você tem que começar, ou melhor, recomeçar, da maneira correta. – Joalin assentiu. - Senhorita Sylla e Senhorita Loukamaa-Beauchamp querem compartilhar o que conversam com a classe? - Nã-Não... – Diz Joalin. – Desculpa, senhora Albert. – Ela pigarreou e tentou se focar em sua atividade. Sem sucesso. Quando o sinal tocou, ela viu que só havia respondido duas questões, sua cabeça estava em casa. O trajeto da escola até sua residência pareceu ter levado horas, ela treinou todo o caminho mentalmente como falaria com Fernando, falaria assim que chegasse, sem enrolar, sem demorar, falaria que estava apaixonada por Sabina e queria pedi-la em namoro, tentar algo com ela, mas, ao ver Fernando sorrindo para ela, ela desistiu, não queria perder todo o carinho que o homem tinha com ela. Depois de horas enrolando e sem conseguir se concentrar em nada, ela finalmente seguiu atrás de Fernando que arrumava a dispensa, engoliu em seco e respirou fundo, buscando toda a coragem que tinha. - Nando... Precisamos conversar. 
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