A conversa

1432 Palavras
⟶ Terça – 19 de Novembro de 2019 Sabina respirou fundo ao descer do ônibus, certamente se atrasaria para seu trabalho, ela poderia conversar por mensagens ou ligar, mas ela queria resolver aquilo frente à frente e não queria esperar até os patrões de seu pai saírem novamente. Tocou o interfone e sacudiu o corpo enquanto esperava ser atendida. Uma das empregadas a atendeu e avisou onde seu pai estava, mas ela não estava ali para ver seu pai. Entrou na casa e subiu as escadas, sentindo seus pés pesarem à medida que se aproximava do quarto de Joalin, a sua respiração também falhou e seu coração passou à acelerar. Bateu na porta e ouviu a voz da garota pedindo que ela entrasse. Ela abriu a porta, notou que o ar-condicionado estava ligado e ela estava sentada na cama com a perna engessada esticada e várias apostilas espalhadas pela cama, enquanto ela segurava uma das apostilas e anotava algo no caderno com as costas curvada, em uma posição nada favorável à sua coluna. - Você vai acabar ficando com dores. – Joalin levantou o olhar rapidamente, primeiramente surpresa. - Sabina. – Ela diz sorrindo. – Oi... - Oi... – Sabina foi entrando devagar e ainda tímida fechou a porta. – O que está fazendo? Digo, você não está em suspensão? – Joalin riu fraco, afastando as apostilas. - Na verdade não mais, só estou em casa por que meu pai não quer me deixar ir à escola com a perna assim. – Ela aponta para a perna com o gesso. - Mas Bua trás as apostilas. – Bua... Aquele nome, apesar de exótico, não lhe era estranho. – O que veio fazer aqui? O Nando não está lá embaixo? - Na verdade... – Começa Joalin. – Vim aqui ver você. – Declara e Joalin ficou sem fala. – Sabe que precisamos conversar sobre o que aconteceu. – Diz séria. Joalin engoliu em seco. - Poderíamos repetir ao invés de conversarmos. – Joalin soltou sem querer. – Desculpa. – Pediu negando e se ajeitando, deixando o caderno e a apostila de lado e se encostando na cabeceira de sua cama. Sabina então riu. - Mesmo se minha intenção fosse essa, você está com a perna engessada? - A perna pode estar danificada, mas meus dedos e minha língua estão em ótimo funcionamento. – Diz balançando os dedos e com o olhar provocativo. - Estou vendo... – Diz Sabina bem-humorada. - Seria melhor sentir, não? – Sabina então a encara sugestiva também, mas logo ri. - Está flertando comigo, LBeau. – Joalin suspirou satisfeita. - Graças à Deus você percebeu. – Sabina n**a sorrindo, parecia natural. – Mas o que você quer conversar? – Ficaram um tempo em silêncio, a mexicana pensava e ordenava seus pensamentos. - O que significou pra você? – Joalin encara o rosto de Sabina e sorri carinhosamente, entendendo a questão. - Não sei explicar. – Disse sincera. – Mas sei que significou algo. – Sabina suspirou, então ela não era apenas mais uma, mas o que significava aquela foto com aquela garota? Sabina quis perguntar, mas teve medo de ser invasiva. – E pra você? - Eu fiquei confusa. – Diz Sabina. – Eu não sabia quais eram suas intenções e foi tudo muito rápido. - Minhas amigas disseram que eu estuprei você. – Sabina franziu a testa. - Mas eu quis que acontecesse. – Declara. Joalin assentiu e pegou o celular que estava ao seu lado, o desbloqueando. - Pode repetir? Irei mandar para o grupo. – Sabina afastou a mão da loira devagar. – Ok... – Diz ela. – Fico feliz em saber que não cometi um crime com você. – Sabina negou novamente e desviou o olhar. – Você repetiria o que fizemos? – Sabina a encara e novamente um breve silêncio se fez presente entre as duas. Sabina respirou fundo. - Eu repetiria. – Diz quase baixo. – Mas sabe que não podemos. - Por que não? – Pergunta Joalin cabisbaixa e decepcionada. - Eu sou filha do caseiro, Joalin. – Diz ela como se fosse um obstáculo. - Não é certo, meu pai pode perder o emprego e a confiança de seus pais. – Joalin suspirou. – E somos diferentes. – Joalin franziu a testa sem saber do que a morena estava falando, mas não perguntou nada. – Eu só não quero que nada mude entre nós. – Joalin queria contestar, queria gritar que aquela noite significou mais do que Sabina pensava e mais do que ela havia dito, mas apenas assentiu, não queria força-la. - Tudo bem, Sabi. – Diz em um fio de voz e novamente mais um silêncio, as duas evitando contato visual, até que os olhos azuis de Joalin entraram em contato com os olhos castanhos esverdeados de Sabina, a intensidade com que se olhavam acabou as atraindo, estavam bem próximas, a ponto de sentir a respiração uma da outra contra o rosto. Seus lábios se tocaram levemente, mas o toque não aprofundou para um selinho, pois foram interrompidas. - Joalin você viu... Droga... – As duas se afastaram bruscamente ao ouvirem a voz de Josh. – Desculpa meninas. – Sabina então encara o relógio em seu pulso, vendo que havia perdido o ônibus que passava em direção ao seu trabalho. - Droga. – Ela levantou e saiu correndo. - Sabi, espera... – Mas Sabina não esperou. Joalin encara Josh com cara de brava. - Desculpa, eu juro que não sabia e ... – Joalin apanhou um de seus ursos de pelúcia e jogou em direção ao seu irmão. – Você viu a camisa do meu uniforme, Sayuri quer lavar. – Sayuri era uma das empregadas. - Sai... – Ordenou brava e Josh mostrou a língua para ela saindo. Joalin irritada se jogou na cama e rosnou alto fechando os olhos. . . . Sabina correu o máximo que pôde do ponto de ônibus até seu trabalho e estava prestes à entrar pelos fundos quando viu George abrir a porta com um saco de lixo, Sabina se assustou e deu um passo para trás. - Atrasada, Hidalgo. – Diz ela com sua voz grossa e autoritária. - Sim eu sei, eu sei. – Declara Sabina entrando. George jogou o lixo da lata e entrou junto a sabina, se direcionando à sala das meninas, onde elas trocavam de roupa, ou ficavam apenas papeando durante algum intervalo. - Nancy, ela chegou. – Nancy se virou vendo Sabina guardando suas coisas em seu armário. - Atrasada, Hidalgo. - Sim eu sei, eu sei. – Repetiu. - Onde estava? Você nunca se atrasa. – Pergunta George, enquanto Sabina se prepara para se trocar. - Precisei passar no trabalho de meu pai. – Ela diz. - Você está indo bastante para o trabalho de seu pai, não é? – Sabina parou bruscamente de vestir a blusa do uniforme e Nancy estranhou a ação, para ela, não havia dito nada demais. - Não é hora para papo furado, garotas. – Diz George. – Vamos logo, há itens que devem estar fora do lugar e nós abriremos em dez minutos. – As três assentiram e seguiram para o mercado. A dinâmica do trabalho era interessante. Ace trabalhava na sessão da padaria e era um tanto quanto indiferente em tudo, ele teve uma queda pela Bess, mas a mesma era lésbica, Nancy namorou com o Ned por uns meses, mas ambos chegaram à conclusão de terminarem para o bem dos dois e permanecerem amigos. Nancy e Ned formavam um casal bonito e pareciam se gostar, mas não havia dado certo, e Sabina já havia notado um clima entre Ned e George, mas não disse nada para não causar suspeitas. - Ei... – Nancy apareceu. - Você já percebeu algo entre George e Ned? – Sabina franziu a testa e desviou o olhar. - Não... – Nancy apontou o dedo para ela. - Mentiu... – Sabina suspira. - Pode ser apenas amizade, Nancy. – A mexicana soa amigável e compreensiva e Nancy franziu a testa. - Por que está falando isso como se caso eles tenham alguma coisa, seja algo r**m? – Ela indaga. - Não é r**m? – Sabina pergunta. - Não... – Nancy riu. – Eu e o Ned não temos mais nada, por que eu me incomodaria ou ficaria com ciúmes? – Nancy riu e negou se retirando antes que Sabina dissesse algo. Ela então se lembrou de seus sentimentos e assimilou aquela fala de Nancy; Ela e Joalin não tinham nada, por que ela se incomoda com a foto e a legenda com aquela garota? 
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