Bua

1419 Palavras
⟶ Sexta – 22 de Novembro de 2019 Sofya e Shivani eram bem próximas, se tornaram melhores amigas no início do ano e Sofya sempre achou a menina legal, simpática e muito bonita. Alguns meses descobriu que na verdade se atraia pela indiana. Tudo que Shivani fazia a encantava, desde o modo de falar, modo de sorrir, ao modo como ela comia. Ela poderia passar horas apenas admirando a beleza da garota. Estavam na aula de educação física e iriam subir à corda. Era a vez de Shivani, ela segurou e tomou impulso para subir, Sofya a encarava de boca-aberta, Joalin também a encarava, mas não com desejo, na cabeça só existia Sabina, ela na verdade queria ver se Shivani iria conseguir e se preparava para rir caso ela caísse, mas olhou para frente e viu Sofya, ela conhecia aquele olhar, então sorriu de lado e se aproximou sentando-se ao lado dela, a mais nova nem ao menos percebeu a presença de sua prima ali. - Apreciando a vista? – Sofya se assustou. - Joalin... – Sua voz estava em tom alto e fino. – O que faz aqui? -  Estou tendo aula de Educação Física? – Pergunta como se fosse óbvio. – Você não devia estar jogando queimada? – Por Sofya ser do primeiro ano, a atividade era diferente. - Eu estava, mas me acertaram. – Joalin a encara de forma sugestiva. - Hm, então resolveu apreciar a vista. – Sofya iria responder, mas foi interrompida. – Quanto tempo? - Ela franziu a testa. - Quanto o tempo o quê? – Retruca. - Quanto tempo sente algo pela Shiva? – Sofya tentou negar, mesmo sabendo que não adiantava muito negar para Joalin que conseguia ver coisas que mais ninguém conseguia.  – E nem adianta negar. – Joalin levanta o indicador. – Você está sim interessada na indiana. – Sofya suspirou. - Estou. – Joalin soltou o gritinho e balançou a prima. - Desde quando? – Ela pergunta. - Eu não sei, há alguns meses, eu acho. Ela é tão incrível. – Joalin sorria ao ver Sofya falando de Shivani. – Eu queria tentar algo, mas ela é tão apegada à cultura dela, não sei como funciona homossexualidade por lá. – Joalin iria responder, mas foi chamada pelo professor, era a sua vez de subir na corda. - Bom, depois falamos sobre isso, agora é minha vez. – Ela se levanta. – Aprecie a vista também. – Sofya fez uma careta. - Ew, Joalin, sem comentários. – Joalin apenas riu. . . . Sabina observava as prateleiras de seu trabalho para ver se algo faltava o preço ou havia algo fora do lugar, às vezes indicava o caminho para algum cliente perdido. - Com licença, mocinha... – Uma senhora apareceu. - Pois não? Como posso ajuda-la? – Pergunta sorridente e simpática. - Quanto custa esses biscoitos? – Pergunta. – Não consigo enxergar o preço. – Ela diz com os olhos semicerrados e encarando por cima dos óculos. - Dois dólares. – Responde sorridente, a senhora sorriu e agradeceu se retirando. Sabina não teve tempo de voltar à seus afazeres, pois sentiu um braço puxá-la para outro lugar, pela força ela percebeu ser George. – Machucou, sabia? – Diz acariciando o braço quando elas entraram na sala das garotas, George correu até a porta e olhou para ver se não havia ninguém por perto, ao constatar que havia apenas elas, fechou a porta. - O que a Nancy falou com você àquele dia? – Sabina sorriu. - Está com medo dela se afastar de você por que você gosta do Ned? – George encara Sabina confusa. – Ah por favor, todo mundo notou. - Pirou de vez, Hidalgo? – Pergunta. – De onde que você tirou que eu gosto do Ned? – Sabina ainda sorriu, achava que George tentava escapar. - O jeito que vocês se olham entrega vocês. – George encara Sabina como se ela tivesse dito a frase mais absurda do mundo. – Pode ficar tranquila, a Nancy não se importa se você e ele começarem a namorar. - Eu gosto da Nancy. – Disse de uma vez para impedir Sabina de falar alguma outra coisa. Sabina abriu e fechou a boca várias vezes, sem conseguir dizer nada. – Não quero que ela pense que eu tenho algo com o Ned não com medo de perder a amizade dela, mas é por que é dela que eu gosto. - Então... – Ela começa. – Como ficou tão próxima do Ned? - Somos amigos de trabalho, Sabina, é completamente normal, e ele disse que me dá a maior força se eu tentar algo. – Ela se senta no banco que tinha ali. - E por que não tenta? – George encara Sabina assustada. - Por que é a Nancy, não nos dávamos bem na escola até virmos trabalhar aqui, e por que agora somos amigas e eu não quero estragar tudo. Eu estou tentando esconder isso à semanas. - E está fazendo bem... – Sabina dá um passo à frente. – Olha, eu sou uma péssima pessoa para conselhos, mas se quiser eu tento ver se a Nancy gosta de você da mesma maneira, que tal? – George sorriu fraco e encarou Sabina. - Obrigada, Hidalgo. - De nada. – Diz a puxando para um abraço, abraço este que foi interrompido por Bess. - Desculpa interromper... – Começa ela. – Sabina, tem alguém aqui atrás de você. – Sabina franziu a testa. - Quem? . . . - O que está fazendo aqui? – Pergunta Sabina sem a intenção de soar rude ao ver Joalin parada em frente à um caixa fechado. - Nossa, esperava uma recepção melhor. – Diz se fingindo de magoada. – Mas respondendo à sua pergunta, estou aqui por que meus pais irão sair e tio Nando irá dormir lá em casa, então me ofereci para buscar você. – Sabina encara a perna de Joalin. - Tirou o gesso? - Sim, tirei na segunda. - E voltou a dirigir? – Joalin assentiu. - Já estou livre de todos os castigos. – Sabina respira fundo. - Saio daqui há vinte minutos. – Informa Sabina. - O tempo que eu e a Bua compramos algo. - Quem? – Joalin não respondeu, ela nem ao menos ouviu, apenas se retirou deixando Sabina confusa. Após os vinte minutos, ela saiu do restaurante e logo avistou o carro de Joalin, ela estava com alguém e as duas ouviam uma música no rádio, Sabina se aproximou receosa e viu quem se tratava. Então aquela era Bua, o “amor” com emoji de coração branco da Joalin. - Sabina, pronta? – Sabina não respondeu, apenas encarou Bua. - Oi, eu sou a Bua. – Diz Bua sorridente e fofa, como sempre era. - Sabina. – Responde simplesmente e entra na parte traseira do carro. - Quer vir na frente? – Pergunta a tailandesa, mas Sabina n**a sem encará-la, Bua encara Joalin sem entender, a loira também não entendeu o porquê Sabina estava agindo daquela maneira, mas não questionou, apenas deu partida no carro. Após o tratamento, Bua ficou com medo de falar algo, então o caminho inteiro só se ouvia a música baixa tocando no rádio. Ao chegarem à mansão, Sabina desceu do carro e bateu a porta com força, deixando novamente as amigas sem entender o que estava acontecendo. Entraram em casa e Sabina resolveu ficar na cola de Fernando o ajudando em tudo, enquanto Joalin, Bua e Josh estavam na sala de TV, jogando algum jogo de tabuleiro. - Sabi... – Joalin chama quando Sabina passa em frente à sala de TV. – Vamos jogar? Estamos em três aqui e queremos jogar Sports. - É, dois contra dois. – Sabina encara Bua, que se calou e desviou o olhar com medo, como se o olhar de Sabina fosse matá-la. - Pode ser eu e a Bua contra você e a Joalin. – Diz Josh, já notando o que havia acontecido. - Pode ser ... – Respondeu Sabina entrando na sala de TV e Joalin sorriu animada e seguiu para colocar o jogo. Sabina, enquanto jogava contra Josh, esqueceu do ciúmes que sentia, ela era uma garota competitiva. Mas então chegou a vez de Joalin jogar contra Bua, Sabina percebeu o riso e como Joalin ficava próximo à garota, cruzou os braços tentando esconder sua irritação e frustração, mas não passou despercebida por Josh que sorriu de lado e negou, imaginando como Sabina ficaria quando descobrisse que Bua dormiria ali. 
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